Anticoncepcional contribui com aumento de mortes por trombose no Brasil

Mau uso de pílulas anticoncepcionais oferece risco à saúde de milhares de mulheres no país

Por Deborah Neiva e Maria Clara Braga

Entre 2014 e 2016, a Secretária Estadual de Saúde do Paraná registrou 241 mortes por trombose venosa profunda, doença que tem como principal causa o uso inadequado de anticoncepcionais. Entretanto o consumo do medicamento vêm crescendo rapidamente. Segundo relatório da ONU de 2015, no Brasil 79% das mulheres fazem uso de contraceptivos. No mundo são 758 milhões de pessoas que utilizam esses métodos, mostra o relatório.

O principal motivo pelo qual a pílula anticoncepcional é procurada é por evitar a gravidez, mas ele não é o único. Melhorar a qualidade da pele, diminuir a intensidade das cólicas, tratar algumas doenças, evitar a queda de cabelos e regular o ciclo menstrual são outros motivos para que esses remédios sejam tomados.

Entre as vítimas dos efeitos do anticoncepcional está a analista de RH Daiane Gricolo.  Ela conta que em fevereiro deste ano, começou a se preocupar: “Senti uma dor muscular na região lombar, achei que era nervo ciático, depois de três dias estava com a perna parecida a de um hipopótamo, com muita dor e quase nenhum movimento”. Ela passou 45 dias sem andar e em julho foi diagnosticada com embolia pulmonar causada, também, pelos medicamentos.

Daiane tomou pílulas anticoncepcionais durante 9 anos para tratar de seus ovários policísticos: “Eu tinha cólicas, alterações de humor, enjoo e perdia e ganhava peso com muita rapidez, então, nesse tempo, troquei várias vezes de pílula para tentar me adaptar”. Atualmente a analista usa meias especiais e precisa cuidar da alimentação.

Em 2014 a estudante Vitória Castilho foi diagnosticada com trombose venosa profunda: “Fiquei assustada, desamparada, sem poder ir para faculdade e nem fazer nada, foram dois meses assim. Depois do susto maior, retomei minha vida aos poucos, mas sempre com cuidados”. Ela conta que começou a tomar anticoncepcional aos 14 anos por recomendação de um ginecologista conhecido da família.

“Ele receitou as pílulas para poder melhorar meu problema de pele, me deu duas caixas de amostra grátis e eu não cheguei a ir em um endocrinologista para conferir se meu corpo não rejeitaria o hormônio”. Vitória controla o tempo de esforço físico que pode fazer, não pode ficar perto de fumaça e precisa lidar com as cólicas e a menstruação desregulada já que não pode mais ter contato com nenhum tipo de anticoncepcional.

Outra vítima foi a Professora Francine Cruz que ficou internada durante 10 dias por conta de um acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico e hoje lida com sequelas, como falhas de memória. Francine também diz que não foi instruída sobre os riscos dos medicamentos “Nenhum dos ginecologistas que consultei me alertou sobre os riscos que o anticoncepcional trazia”.

Conheça os cuidados que você deve ter com os anticoncepcionais

Segundo o endocrinologista André Fuck, há alguns riscos em tomar as pílulas anticoncepcionais: o principal é o de desenvolver a trombose venosa: “Quem utiliza desse método de prevenção possui até quatro chances a mais de desenvolver trombose nos membros inferiores”. Fuck explica que a pílula pode favorecer a formação de coágulos tanto por interferir na cascata de coagulação, quanto por aumentar a viscosidade do sangue e a dilatação dos vasos. Outro risco é o de engravidar, já que o anticoncepcional não é 100% eficaz.

Para o médico, há fatores que, combinamos ao anticoncepcional, auxiliam na formação da trombose e é preciso ter atenção à alguns riscos: “Há contraindicação se existir um histórico pessoal ou familiar de trombos ou se o paciente for portador de doença que aumente este risco, como o câncer.

Fumantes, amantes de bebidas alcoólicas e mulheres que fazem viagens longas e frequentes de avião devem tomar mais cuidado.” Ele lembra que a trombose é uma situação rara na população, portanto, mesmo utilizando a pílula, as chances de haver casos da doença causados unicamente pelo uso da pílula são pequenas.

Para Fuck o uso de anticoncepcionais não vai diminuir, afinal eles oferecem às mulheres, mais benefícios do que riscos.  Ele explica que é essencial que todas as mulheres procurem um médico responsável que pergunte sobre seu histórico familiar e que faça os exames certos para reduzir as chances de efeitos colaterais e evitar problemas envolvendo a trombose e acidentes vasculares cerebrais.

 

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