App “Secret” vira caso de polícia

Cerca de 600 pessoas denunciam crimes cometidos pelo aplicativo

Por Manuella Hoepfner

Adolescentes ainda têm acesso ao aplicativo de celular |
Foto: Manuella Hoepfner

Lançado em maio deste ano no Brasil, o aplicativo para celular Secret gerou muita polêmica entre os adolescentes que o utilizaram. A ideia da ferramenta era que seus usuários compartilhassem “segredos” de forma anônima, por meio de textos e fotos. Contudo, esse uso acabou se tornando indevido e passou a se debater até que ponto o anonimato é possível.

A polícia acaba tendo acesso às informações do usuário, caso ele utilize o aplicativo de forma inadequada, afirma o delegado do Núcleo de Combate aos Cibercrimes da Polícia Civil do Paraná (Nuciber), Demétrius Gonzaga de Oliveira. “Quando o Secret foi lançado, a ideia de anonimato era um dos seus principais atrativos. Contudo, quando foram reportados usos inadequados através de boletins de ocorrência, eu falei com a imprensa pra avisar que o anonimato era apenas uma ilusão”.

O aplicativo acabou gerando cerca de 600 boletins de ocorrência, acusando crimes como difamação e danos morais. No entanto, após a divulgação de que o anonimato era temporário, o número caiu drasticamente e, hoje, o Nuciber recebe apenas um B.O. a cada dois meses. Porém, até essa redução, os casos de humilhação envolvendo o Secret foram inúmeros.

Jaqueline Santos*, 16, uma das muitas vítimas dessa febre momentânea, diz que se sentiu desprotegida e vulnerada quando viu suas fotos íntimas sendo divulgadas por meio do aplicativo. “Foi horrível, de verdade. E, por mais que eles consigam processar a pessoa que postou isso, vai sempre estar comigo na minha memória. Foi traumatizante, mesmo”.

“Lulu” também gera polêmica

Essa não é a primeira vez que aplicativos causam discussões pela web. O aplicativo “Lulu”, que era utilizado pelas mulheres para avaliar e dar notas a homens, também foi trabalhoso para as autoridades. “Ambos são desastrosos. O primeiro porque permitia comentários da vida alheia, e o segundo porque permitia ainda mais, com a inserção de fotos, dando a entender, de forma enganosa, que os autores poderiam agir impunemente. Para nós, o trabalho é o mesmo”, diz o delegado.

Demétrius, contudo, afirma que não apenas aplicativos como os dois citados podem dar problema. Qualquer aplicativo que envolva troca de dados e imagens é perigoso. “Na rede, as comunidades sociais, que hoje são mais de 300, continuam sendo o grande campo de hospedagem de comentários e fotos de vítimas”, argumenta.  Segundo o delegado, aqueles que utilizam de forma irregular as redes sociais, podem ser identificados pela polícia, ter seu post retirado do ar e levar uma multa, indenização ou até ir para a cadeia, dependendo da gravidade da infração.

Em relação aos cuidados necessários, o delegado dá algumas sugestões para impedir esses problemas com aplicativos. Segundo ele, a melhor saída para evitar exposição é não postar dados ou imagens que possam subsidiar os criminosos ou mal-intencionados. O delegado reafirma que poupar esses tipos de postagens é crucial: “evitar a postagem de suas fotos na web porque uma das modalidades delituosas que, ocasionalmente ocorre, revela adulteração de imagens de forma a adaptar rostos de vítimas em cenas de nudez e pornografia.”

 *Utilização de nome fantasia para proteção da vítima.

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