Arqueria vem ganhando espaço entre os curitibanos

Esporte que surgiu nos primórdios da sociedade faz sucesso entre diversas pessoas de Curitiba e Região Metropolitana

Por João Francisco Cepeda, Mariana Prince e Rute Cavalcanti Miranda 

O arco e flecha é um esporte que não é muito divulgado no Brasil, por causa da diferença cultural do país. O arco surgiu com nossos antepassados, para servir como instrumento de caça, mas hoje se tornou um esporte muito apreciado por diversas pessoas do mundo inteiro.

O coordenador esportivo da Ecco Archery, localizado no bairro Santo Inácio, Matheus Lucas Aguiar, relata que a arqueria vem crescendo muito no Brasil através de novos arqueiros, mas não se compara ao avanço dos países da Europa, onde o esporte é mais difundido por causa da influência das mídias.

Aguiar explica que o esporte tem três grandes variações. A primeira são os arcos tradicionais de madeira, que atualmente no Brasil são os mais comuns pela fácil fabricação, já que não exige uma parte industrializada tão cara para se fabricar, como o arco composto. Já o arco composto é um modelo mais tecnológico, que tem sistemas de miras, com fibras de carbonos e alumínios.

Além disso, tem o arco recurvo olímpico, que é o mais utilizado nas olimpíadas e atualmente tem maior atenção das mídias no Brasil. “Geralmente são arcos mais tecnológicos, também têm sistemas de miras, mas são métodos de competições e pontuações diferentes”, explica o coordenador.

 

 

Aguiar ainda comenta, que toda a carga histórica que o esporte possui influencia como ele é praticado pois atualmente “ainda tem muita gente que atira com os arcos tradicionais, justamente por causa de toda essa carga histórica. Desde os primórdios, foi uma das primeiras armas realizadas, que acabou se tornando o arco e flecha”.

O instrutor da Arco e Flecha de Curitiba Helder Chin, que pratica o esporte há 10 anos e já foi duas vezes Vice-Campeão Mundial, conta que começou a treinar quando uma pessoa falou para ele que era algo difícil de fazer e podia acabar se frustrando muito rápido. “Esse desafio de enfrentar a mim mesmo foi o que me motivou a fazer, porque não é todo mundo que enfrenta a si mesmo. Normalmente as pessoas querem ganhar de outras no esporte, aqui a gente tem que vencer de nós mesmos”.

De acordo com Chin, mesmo que o arco e flecha exija interesse da pessoa para ser praticado e uma consciência corporal, não é um esporte que tem restrições físicas, já que qualquer um pode treinar. “Qualquer pessoa pode praticar, o arco e flecha é um dos esportes mais inclusivos que existe, porque até mesmo pessoas sem os dois braços e que são cegas podem atirar, ou seja, é um esporte bem abrangente”.

O esporte pode ser praticado de maneira profissional ou recreativa

Pelo fato do arco e flecha ser um esporte de muita paciência e controle do próprio corpo, ele tem atraído muitas pessoas. Como é o caso da bacharel em Direito Ana Cláudia Vitória, que conheceu o esporte através do seu marido que já frequentava o estande de tiro que havia em Campo Largo há seis anos. Com isso acabou se interessando e decidiu praticar também, principalmente pela competitividade que existe no esporte.

Ana conta que pratica arqueria apenas como um passatempo, mas a equipe participa de muitos torneios estaduais, brasileiros e que competiram no mundial da Itália em junho.

O estudante de Direito Gabriel Brasil conta que conheceu o esporte quando estava fazendo intercâmbio no Canadá, onde seu pai teve a ideia de atirar com arco e por mera casualidade ele acabou indo junto e se apaixonando pelo esporte.

“No arco e flecha você não pode estar só na teoria, mas tem que ter um equilíbrio mental muito grande. Eu sempre digo que atirar com arco é jogar xadrez consigo mesmo”, comenta Brasil.

Gabriel, já pratica o esporte há dois anos e passou por diversos tipos de arcos diz que um dia pretende competir profissionalmente, depois que treinar e se aprofundar nos fundamentos básicos.

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