Foto: Roberto Rohden
As impressões de um torcedor

Um dia que entrou na história da cidade de Curitiba

Por Vithor Marques

Uma Copa do Mundo em Curitiba de novo, 64 anos depois. Era uma sensação diferente. Pela primeira vez sair da passividade da televisão e do rádio e me tornar parte do espetáculo. Tudo era mágico. Uma atmosfera diferente se instaurava, fazendo com que aquilo tudo fosse incrível e incrédulo ao mesmo tempo. Pensava: estou mesmo no Brasil?

Saí do Cabral por volta das 13h. Fui de ônibus, com o biarticulado da linha Santa Cândida/ Capão Raso. O percurso foi muito tranquilo, este, aliás, em que me alegrei muito com a presença de alguns nigerianos fazendo bagunça, com seus batuques e canções. Pareciam muito alegres de estarem ali, vendo uma Copa de perto, alguns como eu, pela primeira vez.

Cheguei 40 minutos depois ao tubo da Praça Osvaldo Cruz, perto da Arena da Baixada. Desci uma rua, não lembro qual, a emoção era muito grande. À medida em que me aproximava do estádio, aumentava o fluxo de torcedores. Eram iranianos e nigerianos, tranquilos, comungando da mesma expectativa. Em tempos normais isto não aconteceria.

Vithor marques

Vithor Marques foi o autor das palavras que descreveram a sensação de ver um jogo da Copa do Mundo | Foto: Acervo pessoal

Antes de entrar no estádio, conversei com um grupo de iranianos, com o meu inglês um pouco falho. Muitos deles economizaram dois anos para vir ao Brasil, mesmo não sabendo se seu país iria  se classificar para o Mundial. Alguns já estavam em seu terceiro mundial e haviam acompanhado as duas últimas participações do país, em 1998 e 2006. Para eles, só o fato de estarem lá já era uma vitória.

Fui chegando ao meu portão de entrada, o coração batia forte e as mãos tremiam. A fila estava pequena, já que cheguei cedo ao estádio. Não queria correr o risco de me estressar por causa das possíveis filas imensas. Passei tranquilamente pelas revistas e fui rumando ao meu assento. Mas antes, dei uma vislumbrada na bela obra arquitetônica que é a Arena da Baixada.

Subi as escadas e encontrei-me com o meu lugar, de onde veria o espetáculo. Já havia pessoas ali, inclusive meu ‘vizinho’. Ele parecia incrédulo com tamanha beleza. Chegou até a comentar comigo:

– Uau! Isso é Brasil?

Concordei com a cabeça. Era algo totalmente novo e diferente. E realmente aquilo não parecia estádio brasileiro. Poderíamos comparar com os mais famosos estádios da Europa.

Para amenizar minha ansiedade, assisti ao final do jogo da Alemanha no meu celular. Diga-se de passagem, o sinal estava bem ruim. Mas deu para acompanhar o final da goleada. Depois comecei a acompanhar a movimentação de torcedores. Era cada figura, com várias bandeiras, com camisas de vários times e seleções.

Faltando dez minutos para o jogo começar, eis que surge uma música. Era o começo do protocolo da FIFA para a entrada das equipes. A gritaria aumentou. Uma histeria coletiva enorme foi se tornando real a cada passo dos jogadores. Os hinos começaram a tocar e a torcida do Irã logo abaixo a mim cantando a plenos pulmões.

A bola rola, mas o jogo não foi lá estas coisas. Muito fraco tecnicamente, o que deixou os torcedores decepcionados e com sono. Mas valeu a experiência e toda a mística de uma Copa do Mundo.

O estádio é bonito, mas…

Tem seus problemas. É o que conta o professor de Educação Física Diego Guterres. “A entrada que eu estava próximo está muito ruim de acesso, no segundo andar na lateral da Brasílio Itiberê. Durante o jogo, vi muitas pessoas com dificuldade de transitar para alguns lugares devido a uma barra de proteção colocada na frente desta saída e a falta de continuação da escada na arquibancada”, afirmou.

Diego também pensa em uma possível emergência caso ocorra. “Também achei muito pequeno o espaço entre os assentos, se alguém estava sentado e outra pessoa precisava sair para ir comprar algo ou ir ao banheiro era muito apertado. Minha namorada comentou comigo que é uma falha que em um eventual problema em que precise evacuar as arquibancadas não seria nada fácil e prático, o que geraria um pavor em todos”, alerou.

Mesmo com os problemas, Diego achou válida a experiência. “A sensação é inexplicável. Apesar do fraco jogo que assisti, foi mágico poder ver pessoas de outros países fazendo uma grande festa, sem rivalidades, sem brigas. Valeu cada centavo do ingresso que eu paguei. É um dia que ficará na minha memória para sempre”, comemorou.

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