Assaltos em ônibus preocupam a população de Curitiba

URBS afirma contar com 500 câmeras de monitoramento em terminais e estações-tubo 

Por: Bernardo Gonzalez, Luana Fogaça e Thiliane Leitoles

Os furtos e a violência nos assaltos a ônibus em Curitiba têm chamado a atenção de passageiros e funcionários de transportes públicos, que iniciaram uma série de paralisações em prol de uma melhoria na segurança do trabalho. Apesar de a nova gestão da prefeitura ter implantado, em fevereiro, a Patrulha do Transporte Coletivo, visando monitorar as principais e mais movimentadas linhas, os cidadãos afirmam não se sentirem seguros em ônibus, terminais e estações-tubo da cidade.

O motorista de ônibus Edison Marenda diz que a segurança em seu ambiente de trabalho é péssima. Ele afirma ter sofrido vários assaltos em coletivos, sendo que, em uma das abordagens, quase foi atingido por um tiro. O motorista acredita que a instalação de câmeras nos ônibus e a criação de uma delegacia voltada apenas para o transporte facilitariam a segurança.

Outro caso recente é da estudante Beatriz Hinça, 17 anos, que foi abordada com uma faca e assaltada em transporte público de Curitiba. A vítima relata “fiquei assustada e me sentindo, de certa forma, impotente por não poder fazer nada”. A jovem diz que os assaltantes levaram seu dinheiro e celular e que a segurança em transportes públicos é completamente ineficaz. Beatriz acredita na viabilidade da instalação de câmeras de segurança em tubos e pontos de ônibus e, também, maior vigilância dentro dos coletivos.

Devido a tantos casos de violência e furtos nos assaltos à ônibus em Curitiba, o Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus (SINDIMOC) tomou providência a respeito dos acontecimentos, iniciando uma série de assembleias e mobilizações por mais segurança no transporte coletivo, reivindicando filmadoras com monitoramento online em todos os veículos, integradas aos órgãos de segurança pública, e medidas como patrulhamento especial e implantação de delegacias especializadas em crimes nos coletivos. As paralisações aconteceram às 9h e 15h, durante uma hora, até o dia 12. Entretanto, diante da coação das empresas, ameaças de descontos nos salários e de demissões, motoristas e cobradores estão suspendendo o cronograma de paralisações e mudando estratégia de mobilização por mais segurança. Nesta quarta-feira (13) os manifestantes saíram as ruas convidando a população a estar no grande ato, entregando panfletos e conversado com as pessoas, que reunirá trabalhadores e usuários na Praça Rui Barbosa no dia 20 de setembro.

Com a mobilização, puderam ser afetadas até 112 linhas que passam pelos terminais Pinheirinho, CIC, Hauer, Sítio Cercado, Carmo, Boqueirão, Portão e Capão Raso. Os primeiros atos, que ocorreram nos dias 5 e 6 de setembro, pararam 85 linhas na região central de Curitiba.

Em nota, a URBS declara que a segurança nos ônibus não é sua responsabilidade, e sim das empresas de transporte público.

As Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana informam que já praticam ações para combater os crimes em ônibus e, em audiência na Câmara Municipal de Curitiba na última sexta-feira (15), foram feitas sugestões de aprimoramento para conter violência em transporte público. O coordenador operacional Mauro Magalhães diz que as empresas não são contrárias à instalação de câmeras em ônibus, porém acreditam que essa não seja a melhor solução, e sim, a retirada de dinheiro em circulação dentro dos coletivos.

Campanhas e formas de segurança contra assaltos em transportes públicos

A Urbanização de Curitiba (URBS) registrou, no primeiro semestre de 2017, 989 roubos a ônibus na capital, entretanto houve uma queda de 22% assaltos entre o primeiro quadrimestre de 2016 e 2017. Esses dados são baseados em casos denunciados, portanto a Secretaria de Defesa Social afirma que é necessário que a população denuncie os roubos para que a prefeitura tome outras providências.

Em nota, a Secretaria de Defesa Social diz algumas formas de cuidados e segurança nos ônibus: “Procure manter a mochila na frente do corpo e a bolsa fechada, evite mexer no telefone celular ou outros objetos de valor, evite ficar parado na porta de desembarque”.

Buscando conscientizar a população curitibana, a Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (COMEC), em parceria com a Secretaria de Estado da Segurança Pública e as Polícias Militar e Civil, lançou uma campanha institucional sobre cuidados com a segurança emtransportes coletivos e a importância de registrar o B.O, pelo telefone 190 ou pelo site www.delegaciaeletronica.pr.gov.br . A elaboração da campanha conta com cartazes fixados em ônibus, terminais e algumas estações-tubo da cidade trazendo a seguinte mensagem: “Celular dando mole pode dar B.O. Previna-se, evite guardar o celular no bolso de trás ou em locais muito visíveis”.

Serviço

Para denunciar casos de roubo entre em contato pelo do número 153, telefone da Guarda Municipal.

Cartaz da campanha em linha metropolitana de Curitiba | Créditos: Thiliane Leitoles.

 

 

 

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