Assembleia fica na mesma: reeleitos ocupam 61% das cadeiras

Na próxima legislatura, a maioria das cadeiras vão continuar com os mesmos ocupantes. E entre os nomes novos, muitos sobrenomes já são bem conhecidos 

Por Pedro Henrique Colatusso

A Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) permanecerá com a maioria (61%) dos deputados já conhecidos nos próximos quatro anos. Das 54 cadeiras disponíveis, 33 permanecerão com os mesmos ocupantes. Embora a renovação tenha sido maior do que em 2010, quando 36 parlamentares se reelegeram, só 4 dos novos deputados estaduais eleitos nunca ocuparam cargos eletivos ou não tem parentes próximos na política. Além disso, a partir de 2015, o maior grupo da Assembleia será formado por 15 deputados cujos sobrenomes já são conhecidos do eleitor paranaense.

Gráfico Assembleia Estadual

De acordo com o ativista político Luan de Rosa e Souza, que esteve à frente de várias manifestações de 2013 por mudanças na política, o fato de famílias tradicionais na política elegerem herdeiros faz o eleitor se identificar com a expressão do padrinho político e não com o trabalho social desempenhado pelo candidato. “É problemático, porque você acaba gerando uma espécie de enraizamento do poder que se assemelha com a nobreza, onde o poder é passado de pai para filho”, explica.

Para a estudante Bruna de Andrade, o principal motivo para a falta de renovação na Assembleia Legislativa é a reeleição, que, segundo ela, faz com que os mesmos tenham sempre o nome entre os eleitos. “A oxigenação dos plenários é fundamental para a evolução política. Nas manifestações de junho se desejava a renovação, e isso infelizmente não aconteceu”, completa.

Doutor em História, o professor Wilson Maske explica que a reeleição esteve presente em diversos momentos da história do Brasil. Em outros países, como os Estados Unidos, a tradição é se reeleger uma única vez, já na Venezuela o candidato pode se reeleger quantas vezes quiser. “O eleitor vota sempre nos mesmos por se identificar com as propostas ou até por medo de perder benefícios que recebe”, afirma.

O resultado das eleições não agradou parte dos eleitores. Para a funcionária pública Adriane da Costa, a ALEP deixou de ser representativa há muito tempo. “Hoje a gente só assiste escândalos, troca de favores e benefícios próprios. E infelizmente isso tende a continuar nos próximos quatro anos”, lamenta.

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