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Átrio dos Gentios promoveu diálogo entre ciência e religião

Evento abordo temas como a existência de Deus, literatura e tecnologia; veja resumo

Por Letícia Garib

Pela primeira vez em Curitiba, o Átrio dos Gentios abriu portas para um diálogo entre crentes e não crentes sobre questões que envolvem fé e ciência. O evento aconteceu nos dias 11 a 13 de abril e contou com a presença do presidente do Pontifício Conselho para a Cultura do Vaticano, Gianfranco Ravasi, que foi nomeado Doutor Honoris Causa pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), pela defesa de causas como educação, fé e religião alinhadas com os princípios da universidade.

Os três dias de evento foram marcados por diversas palestras e diálogos entre religiosos, cientistas e alunos. A cerimônia de abertura aconteceu na manhã de segunda-feira (11), com a presença de autoridades acadêmicas e eclesiásticas como o cardeal Ravasi; o Reitor da PUCPR, Waldemiro Gremski; o diretor do Instituto Ciência e Fé, Fabiano Incerti; e o Arcebispo de Curitiba e Grão-Chanceler da universidade, Dom José Antônio Peruzzo.

Para o vice-reitor da universidade, Paulo Mussi, “um dos objetivos é que as pessoas compreendam que a universidade é esse ambiente para o encontro, o diálogo e a acolhida de diversas perspectivas a respeito da verdade”.

 

A ciência no tribunal: estamos mais perto de Deus?

O tema “A ciência no tribunal: estamos mais perto de Deus?” foi debatido pelo pesquisador em genética Marcelo Mira e pelo astrofísico Alexandre Zabot. Três direcionamentos foram discutidos: a existência de Deus; a relação entre ciência e fé; e entre ciência e religião.

 

Deus entre a fé e a ciência

Na noite do dia 11, aconteceu o encontro entre o cardeal Ravasi e o astrofísico Marcelo Gleiser, que conversaram sobre o tema “Deus entre a fé e a ciência”. Para Gleiser, eventos como este são fundamentais, já que a ciência está tentando responder às mesmas questões para as quais as religiões buscam solução há séculos.

O astrofísico acredita que os diálogos não tem o objetivo de convencer qualquer uma das partes, mas alcançar compreensão mútua para que se possa fugir de extremismos.

No segundo dia do evento aconteceu uma conversa entre jovens e o cardeal Ravasi, sobre temas polêmicos, como família, exorcismo e definições de gênero. Acompanhada de música ao vivo, interpretada por um grupo de professores da universidade.

 

Transcendência, tecnologia e novas fronteiras do conhecimento

Na noite do dia 12, o tema debatido foi “Transcendência, tecnologia e novas fronteiras do conhecimento”, com a presença de Luli Radfahrer, Isabela Noronha, Carlos Jahn e Fábio Viviurka.

Radfahrer abordou as consequências e problemas gerados pela tecnologia, como a tecnocracia, que é viver em função da tecnologia. Isabela defendeu a importância e as possibilidades alcançadas através da internet, como ponto principal, a facilidade de conexão.
Fábio Viviurka apontou que hoje as pessoas buscam se afastar um pouco do universo tecnológico, pois sentem falta da profundidade de relacionamentos.

Cconversa entre Marcelo Coelho e Cristovão Tezza

Na quarta-feira (13), último dia de evento, houve uma conversa entre os escritores Marcelo Coelho e Cristovão Tezza. Apesar de serem ateus, eles relacionaram literatura com fé, especificamente a poesia e a prosa.

Coelho falou sobre as “emoções poéticas” diante de um fenômeno espetacular, como por exemplo, contemplar o pôr do sol. Ele explica que esses fenômenos podem trazer significados iguais ao que a poesia trás e através deles percebemos que há um mundo com entrelaçamentos coerentes. Tezza contrapôs com o argumento de que essas emoções nem sempre fazem sentido, como a morte que traz emoções poéticas e nós dá a sensação de perda de direção.

Houve, ainda, uma conversa entre Andre Lanfrey, da Província Marista de l’Hermitage; e o professor de Filosofia e História Peri Mesquida. O bate-papo foi em relação à educação católica da França e do Brasil, através de um contexto histórico, que acabou abrindo espaço para um diálogo a respeito da educação como um todo.

No encerramento do primeiro Átrio dos gentios na PUCPR, o reitor, Waldemiro Gremski, disse que o propósito do evento fpo trazer um diálogo amigável sobre assuntos como ciência e fé e pede para que cultivemos esse diálogo em nosso dia-a-dia independente de crenças.

Em todas as palestras houve apresentação de música ao vivo, com estilos variados. Para Ana Paula Silva, que cantou em ritmo de MPB, o evento permitiu a apresentação da diversidade da música brasileira.

Encerramento

E foi ao som do show da Família Lima que o evento foi encerrado na noite de quarta-feira (13), que contou com a presença de cerca de 2.5 mil pessoas nos diálogos promovidos.

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