Bares criam campanha contra assédio em Curitiba

Nove bares da cidade já fazem parte do movimento “Não é Não”

Por Carolina Piazzaroli, Gabriela Costamanha, Hanna Siriaki e Vitória Gabardo

A campanha “Não é Não”, criada no início de novembro, já alcançou nove estabelecimentos e tem como objetivo conscientizar as pessoas sobre casos de assédio sofrido por mulheres em bares e restaurantes de Curitiba. A ideia é que casos de violência física ou verbal sejam evitados.

O slogan escolhido para a campanha foi “Não é não”, iniciativa do proprietário do Bossa Bar, Glaucio Monjolo. Ele diz que houve uma adaptação no bar e que funcionários foram treinados e capacitados para eventuais casos de assédio, além de terem distribuído materiais institucionais da campanha por toda a casa, que também são divulgados nas redes sociais.

Ao todo, nove bares de Curitiba aderiram à campanha: Crossroads, Aqueces, Peppers, Comedy Club, Music Hall, Dobrucki, Layout 80 e Flip Bar. A principal medida tomada por esses estabelecimentos foi capacitar e conscientizar funcionários para que saibam lidar com esse tipo de situação.

Problema é delicado

O funcionário do James Bar Pablo Brum conta que fica irritado ao ver rapazes que cometem essa ação invasiva. Ele conta que sempre tenta ajudar, mas é complicado quando a mulher escolhe não prestar queixa à polícia. “Isso nos limita. Muitas vezes não podemos fazer nada”. O bar ainda não faz parte da campanha.

A estudante da UFPR Jaqueline Burginski, militante no movimento feminista, conheceu a campanha através de amigos e acredita que a iniciativa do projeto é importante para um trabalho de conscientização do público masculino. “Hoje é difícil uma mulher conseguir sair para se divertir sem se sentir culpada por beber e ficar exposta ao comportamento abusivo dos outros”, comenta.

Jaqueline ainda afirma que, antes de tudo, a mulher precisa trabalhar sua própria segurança, pois o medo é o que impossibilita uma ação de resposta. “O importante é não se encolher ou deixar passar em branco só porque é algo comum nas nossas vidas. O homem é isento de culpa, pela justificativa de estar alterado pela bebida”.

A estudante ainda expõe que a presença e conscientização dos próprios funcionários é fundamental para dar suporte à vítima e para evitar que o assédio no bar ou balada progrida para um tipo de agressão mais grave.

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