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Programação diversificada marcou Beta Jornalismo

Palestrantes abordaram temas complementares

Por Luciano Galvão Simão

Após uma manhã de excelentes debates, o 3° Beta Jornalismo retomou suas atividades com o segundo ciclo de palestras do dia, com início às 14h, no auditório TUCA, no câmpus da PUCPR.

A primeira a tomar a palavra no palco foi a carioca Gabriela Clayton, responsável pelo marketing e comunicação do Canal OFF, especializado em “aventura, ação, adrenalina e natureza”. Além de apresentar diversos vídeos e citações inspiradoras, Gabriela falou sobre o processo de criação do canal, explicando o conceito que norteia todo o posicionamento da marca: o incentivo à liberdade do corpo, da mente e do espírito.

A profissional também enfatizou a importância da programação nacional no OFF e do extenso trabalho de pesquisas que determina a escolha das imagens e das músicas veiculadas no canal. “Nosso espectador não precisa ser um atleta. Pode ser o cara que passou o dia todo preso no trânsito e chega cansado em casa”, definiu desta forma o público alvo do OFF.

Questionada sobre a preocupação socioambiental na programação do canal, Gabriela falou sobre uma iniciativa chamada Coletivo OFF: “Temos um lema, que é sonhe, explore, descubra e transforme. Nosso foco é na sustentabilidade do meio ambiente, sem querer ser ecochato, sem querer mandar em nada, porque a natureza é um dos pilares do nosso trabalho e estamos cada vez mais comprometidos com isso”, concluiu.

 

Carla Cecato fala dos desafios do telejornalista

Em seguida, foi a vez de Carla Cecato, jornalista da Record e apresentadora do “Fala Brasil”, conversar com o público do evento sobre sua experiência com telejornalismo. Divertida, arrancou risos da plateia com suas histórias sobre como acabou se tornando jornalista. “Minha mãe me disse: ‘se você não sabe o que fazer, faça Jornalismo.’ Ela me inscreveu no vestibular sem me avisar”, contou.

A palestrante listou então os desafios diários do jornalismo ao vivo, dividindo sua fala em cinco grandes temas. No primeiro, Carla explicou o risco da “fonte fantasma”, ou seja, o perigo de recorrer à internet como fonte, de compartilhar notícias sem a certeza da procedência ou veracidade das informações reproduzidas. Em seguida, ressaltou a importância da ética: “Ética nunca é demais”. A jornalista definiu a TV como uma “orquestra”, onde o trabalho em equipe é crucial, onde todos os “músicos” – dos âncoras e repórteres aos técnicos e cinegrafistas – são essenciais para o funcionamento do telejornal.

Para ilustrar o quarto tema, “improviso ao vivo”, Carla mostrou vídeos de sua cobertura dos Jogos Pan-Anericanos de Toronto, onde trabalhou sem o auxílio de TP. Por fim, concluiu com uma homenagem a sua família, a quem chamou de “minha maior reportagem”.

 

Raquel Longhi apresenta as mudanças na reportagem multimídia

Às 16:00, Raquel Longhi, doutora em Comunicação e professora da UFSC, discorreu sobre a “evolução, consolidação e estado da arte no jornalismo online”. “Uma das coisas mais curiosas é como o jornalismo vem explorando essa linguagem digital, que é principalmente a linguagem hipermídia, que é capaz de se hibridizar, com texto e imagem, fusões imagéticas e sonoras e muito mais”, explicou a pesquisadora.

Para Raquel, o turning point da reportagem multimídia se deu por volta do ano 2011, quando a exploração da linguagem hipermidiática nos formatos noticiosos permitiu que o jornalismo digital encontrasse sua voz, através da experimentação com ferramentas como o Flash e, atualmente, o HTLM 5. Pois foi essa evolução das ferramentas tecnológicas o foco da sua fala, e a pesquisadora trouxe exemplos de reportagens multimídia para mostrar as novas tendências aos estudantes.

 

Fernando Jasper dá dicas de jornalismo econômico

Como último convidado do evento, Fernando Jasper, profissional premiado da Gazeta do Povo, falou sobre jornalismo econômico e seu papel na imprensa, assim como as técnicas e ferramentas utilizadas em sua produção.

Jasper apresentou diversas reportagens produzidas para a editoria de Economia do jornal, tratando de assuntos variados como demissões, envelhecimento da população, o preço do diesel comparado à gasolina, e previsões sobre aumentos futuros de impostos.

“O jornalismo econômico deve buscar matérias diferentes e, embora seja difícil, utilizar uma linguagem mais simples. A economia permite que a gente conte histórias”, disse.

 

Público elogia evento

Embora tenha sido um evento longo, os participantes saíram animados. “O que me atraiu para o evento, mesmo sendo sábado, foi a diversidade de temas. Saio daqui com muitas ideias novas sobre minha profissão”, disse Gabriel Massaneiro, estudante de Jornalismo na PUCPR.

O coordenador do curso, Julius Nunes, disse estar muito satisfeito com o evento. “Conseguimos cumprir novamente a proposta do Beta, que era trazer pessoas interessantes, importantes no nosso meio”, explica. Quanto à quarta edição do Beta Jornalismo, que certamente virá em 2016, o professor afirma o desejo de “incrementar o evento ainda mais, trazendo mais oficinas e workshops para complementar as palestras”.

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