Cadeirantes denunciam falta de acessibilidade em Curitiba

Calçadas e ruas sem adaptação dificultam locomoção desse público

Por Caroline Deina, Sophia Cabral e Thais Camargo

A mobilidade urbana pode ser um desafio para muitas pessoas, especialmente para os deficientes físicos. Na capital paranaense, tanto as calçadas como entradas em estabelecimentos e transportes ainda não estão devidamente adaptados para atender todo tipo de público, principalmente aqueles que necessitam de uma acessibilidade diferenciada.

Da população urbana residente em Curitiba, cerca de 6.736 pessoas, do sexo masculino e feminino, possuem alguma deficiência motora, segundo o Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010.

Para o presidente da Associação dos Deficientes Físicos do Paraná (ADFP), Clodoaldo Zafatoski, apesar de Curitiba ser um modelo na área de inovação em estrutura urbana para pessoas com deficiência física, ainda há grande carência nos calçamentos e ruas, principalmente nos bairros e cidades metropolitanas que se localizam distantes da parte central da cidade.

Zafatoski ainda destaca que um bom planejamento urbano não deve ser apenas para deficientes. “O calçamento de boa qualidade não é exclusividade da pessoa com deficiência física. Existem tantos outros grupos que são beneficiados com a garantia de acessibilidade”.

A estudante de Gestão de Recursos Humanos Ágatha Benedito, 26 anos,  utiliza a cadeira de rodas desde 2006. Ela mora no quarto andar de um apartamento sem elevador, e relata que precisa subir as escadas sozinha.

Ágatha conta que suas maiores adversidades do dia a dia são as superlotações dos trasportes públicos e a falta de acessibilidade nas ruas. “As pessoas não tem noção do que é viver 24h em uma cadeira de rodas e precisar de ajuda para tudo”. Outro grande problema relatado pela estudante são as situações de preconceito e falta de respeito vivenciadas. “Já me chamaram até de aleijada”.

Iniciativa da Prefeitura visa melhor mobilidade

A coordenadora de acessibilidade da Secretaria Especial dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SEDPcD), da Prefeitura de Curitiba, Francielle Lucena explica que, na prática, há anos são discutidos o modo como o sistema urbano é adaptado para deficientes físicos, sobretudo os cadeirantes.

Ela relata que a cidade de Curitiba possui um grande número de calçadas sem acessibilidade e materiais inadequados, mas que a Prefeitura vêm tentando se readequar, criando projetos como o Plano Estratégico de Calçadas (PlanCal), sob responsabilidade do Instituto de Pesquisa Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc).

“Também, contamos com um transporte público com mais de 96% da frota adaptada, permitindo, assim, a livre circulação do cidadão com deficiência, temos táxis compartilhados, que possibilitam o uso pela pessoa na sua própria cadeira de rodas e contamos com vagas de veículo para deficientes disponibilizadas por toda a cidade”, conta.

 

Atividades da Associação dos Deficientes engloba Curitiba e região metropolitana

O trabalho realizado na Associação dos Deficientes Físicos do Paraná (ADFP), segundo o presidente Clodoaldo Zafatoski, atende pessoas de todos os bairros de Curitiba e região metropolitana com serviços na área de reabilitação fiscal e social prestados gratuitamente à comunidade.

Ainda são oferecidos acompanhamentos para as áreas de psicologia e terapia ocupacional além de assistências no encaminhamento ao mercado de trabalho bem como a capacitação profissional e conclusão do ensino escolar básico.

A iniciação em modalidades paradesportivas também está entre as atividades oferecidas, a fim de que pessoas com deficiência física possam participar de uma socialização ou até mesmo se profissionalizarem dentro do esporte.

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