Calçadas prejudicam locomoção em Curitiba

Já existem projetos para reparar os passeios públicos da capital paranaense

Beatriz Peccin

Calçadas destruídas, pedras fora do lugar, raízes que disputam espaço com o concreto. Essa é a realidade de 70% das calçadas nos bairros da cidade de Curitiba. “As calçadas não tem estrutura para pessoas com dificuldades de locomoção, são irregulares, com buracos, escorregadias ”, relata Mauro Nardini, presidente da Associação dos Deficientes Físicos do Paraná (ADFP).

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Raízes de árvores acabam danificando as calçadas
Foto: Beatriz Peccin

Problemas como esse são crônicos de cidades grandes e pequenas e causam graves problemas de acessibilidade, além de acidentes.

O problema da falta de acessibilidade é ainda pior para quem tem mais dificuldades como no caso de deficientes físicos, idosos, mulheres grávidas e crianças que correm ainda mais risco de tropeçar e cair. Como no caso de Aryane Monteiro, que anda de muletas.  “Eu sempre tropeço nas calçadas e reclamo porque é horrível andar com as muletas”, conta.

Anderson Paulart não tem uma boa história para contar sobre calçadas. “Era um dia chuvoso e eu estava muito preocupado, pois meu filho estava internado no Hospital Pequeno Príncipe, eu estava caminhando rapidamente até o meu carro que estava estacionado uma quadra para baixo do hospital e não vi a pedra solta, acabei tropeçando, caindo e me machucando”, relata.

Outro perigo é o avanço de pedestres nas pistas de rolamento, o que pode provocar um grave acidente de trânsito. “Sempre que ando na rua há reformas, acumulo de lixo ou mato nas calçadas”, confessa Paulart. “Me machuquei varias vezes, quando as pedras estão levantadas e não percebo eu vivo tropeçando, por isso muitas vezes prefiro andar na rua que é pavimentada do que na calçada, o que não é o certo porque os carros podem não me ver na rua e acontecer um acidente”, completa Aryane.

Segundo o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC) a previsão é construir 115 km de calçadas e recuperar 150 km no próximo ano. Para isso, eles contam com parcerias com os governos federal e estadual, além de recursos da Prefeitura Municipal de Curitiba e de programas já em fase de desenvolvimento. Ainda segundo o IPPUC, o Plano Diretor de Calçadas contempla atualização da legislação, correção de distorções na fiscalização, capacitação, campanhas educativas, parcerias, novas tecnologias, novos materiais, sistemas construtivos, arborização e acessibilidade, o mapeamento de Rotas Prioritárias de Pedestres ligando o transporte público aos essenciais locais da cidade (hospitais, escolas, universidades, postos de saúde e demais serviços essenciais à população) em todas as regionais.

“É fundamental garantir que os cidadãos se desloquem com segurança sobre as calçadas, especialmente nessas rotas que conduzem aos equipamentos públicos e são caminhos ligados ao atendimento de saúde, aos estudos, à cultura e ao lazer”, destacou Sérgio Póvoa Pires, presidente do IPPUC.

 Recuperação

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Pedestres precisam estar sempre atentos com as calçadas em Curitiba
Foto: Beatriz Peccin

De acordo com o Código de Obras de Curitiba, o proprietário é responsável pela construção, recuperação e manutenção das calçadas dentro dos limites de sua propriedade. No entanto, a Equipe Multidisciplinar para a Elaboração do Plano Diretor de Calçadas vem estudando outras opções. Uma delas está prevista pela Lei 11.596/2005 que permite a construção de calçadas em regime de mutirão.

Nos bairros da região central de Curitiba há grande ocorrência de calçadas com pedras naturais, tais como a lousinha e o petit-pavé. As calçadas em CBUQ (concreto betuminoso usinado a quente), o chamado asfalto, estão localizadas, em sua maioria, nas outras regionais. Entre os tipos de materiais utilizados para fazer calçadas, além das pedras naturais e do CBUQ, estão os blocos de concreto intertravado, as placas cimentícias vibroprensadas e o concreto moldado in loco.

Outro projeto da prefeitura é se conveniar junto à Sanepar para que o trabalho seja feito em conjunto. “Deverá ser feito o cadastramento das empresas terceirizadas pela Sanepar junto à Prefeitura Municipal. Dessa forma, será mais fácil monitorar essas empresas terceirizadas e garantir que possuam profissionais especializados em calçamento. Assim, esperamos melhorar a qualidade de mão de obra nas intervenções realizadas nas calçadas. Além disso, precisamos investir no aprimoramento da fiscalização”, afirmaram, em nota, os órgãos.

Houve também no mês de julho uma consulta pública, com a finalidade de discutir sugestões para a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2014. Vias públicas, saúde, segurança e trânsito, nesta ordem, foram os temas mais abordados. “Durante as consultas públicas realizadas este mês ficaram evidenciadas as principais reivindicações da população. A comunidade quer melhorias nas vias públicas, com calçadas de qualidade, e o Plano Diretor de Calçadas será um grande passo nessa direção, atendendo a um anseio dos curitibanos”, destacou Pires.

“A calçada ideal é regular, limpa, com acessibilidade para cadeirantes e sinalização para deficientes visuais ou com alguma deficiência física, em que não se tenha riscos de sofrer acidentes e principalmente que ofereça segurança e acessibilidade à qualquer  pedestre”, explana o engenheiro civil responsável pela supervisão da fiscalizaçãos das calçadas do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA-PR), Mauro Luiz Bassani

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