Calendário apertado atrapalha o rendimento dos atletas

Com muitos jogos, jogadores alegam exaustão física e muitos problemas com lesões

Hélcio Weiss e Leonardo Dulcio

Rodrigo Pimpão durante entrevista para a Rádio Transamérica. Foto: Caio Porthus

Rodrigo Pimpão durante entrevista para a Rádio Transamérica
Foto: Caio Porthus

Poucas férias, jogos no meio de semana, falta de preparação e alto índice de lesões, são apenas alguns problemas apontados no calendário feito pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol), muito questionado por afetar o condicionamento dos atletas. Os clubes nacionais em média fazem 75,33 jogos ao ano, já no modelo europeu, exemplo para muitos, a média de jogos anuais é de 60, 33. Essa má formulação gera uma grande insatisfação de jogadores, preparadores ou ate mesmo pessoas relacionadas ao esporte.

Algo muito criticado nessa formulação de jogos, são os campeonatos estaduais, existem muitas discussões sobre o assunto, algo muito proposto são as reformulações dos estaduais, é o caso do comentarista Fernando Freire, comentarista do Globoesporte.com.

“A primeira e mais urgente alteração é enxugar os estaduais. Se você diminuir dois clubes no Campeonato Paranaense, já são quatro rodadas a menos para cada clube. Essa redução, além de contribuir para a parte física dos atletas, melhora o nível técnico do campeonato. Isso acarreta partidas mais disputadas, o que leva mais público aos estádios. É um círculo virtuoso. Com os estaduais mais enxutos, a pré-temporada será melhor, e os jogadores vão estar mais preparados para a maratona de jogos durante todo o ano”, declara.

O futebol, como a maioria dos esportes, exige muito do preparo físico, estudos da FIFA apontam que com a bola rolando, 12% são de atividades de alta intensidade, com piques de 15m a 12m, são cerca de 12 minutos, pode ate parecer pouco, mas na velocidade de 20km/h, eh preciso estar muito bem preparado para superar isso.

O preparador físico Alexandre Fogagnoli comenta sobre esse desgaste físico que o atleta possui e suas consequências durante os jogos e temporada. “Hoje é impossível jogar em alto nível com quase 80 partidas por ano, sem um tempo ideal de recuperação, a maior evolução do futebol foi na parte física, uma grande sequencia sem tempo de recuperação, acaba afetando muito a parte técnica, o jogador perde a dinâmica, a concentração, acaba cansado e com medo de lesões, que tem seu risco muito aumentado”, relata.

Rodrigo Pimpão, ex-jogador do Paraná é uma prova de que existe diferença entre o calendário brasileiro e o de outras ligas espalhadas pelo mundo. “Eu tive uma grande experiência no exterior, quando fiquei dois anos no Japão, e lá, é difícil um time jogar mais de 50 jogos por temporada. A diferença entre o meu físico ao final da temporada lá, e aqui foi algo impressionante” comenta o jogador.

No início de setembro, a CBF divulgou o calendário de 2014, que contará com algumas mudanças, porém, sem alterações significativas, isso demonstra que possivelmente teremos mais uma temporada com grande desgaste dos atletas.

Equipe: Bruno Krieger, Caio Porthus, Hélcio Weiss e Leonardo Dulcio

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