Campanhas elevam autoestima de pacientes com câncer de mama

Iniciativas partem de mulheres que já sofreram com a doença

Por Anelise Wickert, Fernanda Xavier e Franz Amorin

Com a chegada de outubro, mês conhecido pelo incentivo a prevenção do câncer de mama, diversas iniciativas e ações voluntárias são realizadas pela cidade. A novidade está por trás de projetos beneficentes que surgiram por causa de mulheres que já tiveram ou estão em tratamento contra a doença, e querem poder ajudar todas aquelas que estão passando pela mesma situação.

Um desses projetos é o Anjos sem Asas, criado por Liz Tratz no fim do tratamento. Liz conta que teve o apoio da família, mas que o que mais chamou atenção durante o tratamento foi o apoio de pessoas que não conhecia, que para ela, através de sorrisos e abraços, foi ganhando um segundo tratamento: o de amor. Com intenção de poder passar adiante esse carinho que recebeu, criou o projeto que conta com a parceria de mais duas mulheres que tiveram a doença.

O Anjos sem asas, tem o intuito de arrecadar lenços, bonés, produtos de higiene, brinquedos e roupas, que são distribuídos em hospitais públicos. Além da distribuição das doações, são realizados encontros e dias de princesa para elevar a autoestima das mulheres em tratamento. Porém, o mais importante é que o projeto não é realizado somente no mês de outubro, mas sim de janeiro a janeiro, com ações informativas em faculdades e postos de saúde para mostrar a importância da prevenção ao câncer.

O projeto conta com a ajuda da comunidade, e hoje se transformou em um elo só. “ É um trabalho lindo que nasceu da dor e se transformou em amor”, complementa a fundadora do Anjo sem asas.

Outro exemplo é a campanha Batom com Lenço- solidariedade as carequinhas, criado pela Kelen Merlotto, que com apenas 37 anos de idade, está em fase de tratamento contra a doença. A ideia da inciativa surgiu quando Kelen percebeu que deveria fazer mais do que ‘apenas’ se tratar.

A camapanha arrecada batons e lenços, que segundo a fundadora do projeto trazem cor e fazem a diferença, para que ao olhar para o espelho as mulheres em tratamento possam se reconhecer o invés de acharem que estão perdendo a sua identidade.

A corrente do bem, como Kelen gosta de chamar, ultrapassou barreiras e conseguiu doações até mesmo de outros estados. O período de doações já foi encerrado e agora as distribuições estão sendo feitas. No total foram arrecadados 2 mil lenços e mais de 2 mil batons.

Além disso, Kelen está realizando ações em hospitais de Curitiba e de outras cidades paranaenses.

As iniciativas não são realizadas somente por iniciativas autônomas. A prefeitura de Curitiba divulgou em seu site diversos eventos gratuitos que serão realizados durante o mês pela cidade como aulas de ginástica, distribuição de camisetas e laços, caminhadas e o principal: palestras de orientação para a prevenção. Os eventos serão realizados nas regiões de Santa Felicidade, Boqueirão, Cajuru, CIC e Bairro Novo. A agenda deste mês contou também com um show realizado no Jockey Clube no dia 29, com o valor de 5 reais, para arrecadar dinheiro para o Hospital Erasto Gaertner, e terá presença de nomes renomados da música brasileira como: Lucas lucco, Naiara Azevedo, Sofia Oliveira, Ana Vilela e entre outros.

Além de eventos, a iluminação rosa está espalhada por toda cidade em shoppings, praças, e monumentos turísticos, onde há grande circulação de pessoas.

Curitibanas relatam experiências

As mulheres que passam por esse tratamento contam histórias de superação, como é o caso da Maria Angelita dos Santos, que tem 48 anos. Angelita trabalhava como técnica em enfermagem no ano de 2013, quando descobriu um nódulo em sua mama, e mesmo trabalhando na área da saúde e orientando suas pacientes à realizarem o autoexame, ela não o fazia.

Ela já havia sido acompanhada por seu ginecologista por causa de um nódulo por meses, fazendo exames, porém o diagnóstico foi de que não era nada grave. Até que em setembro novamente encontrou um nódulo, e julgando ser o mesmo foi deixando de lado, mesmo sentindo dores. Então em dezembro voltou ao ginecologista que pediu exames, e logo após os resultados, uma biópsia do nódulo. Então foi encaminhada para um oncologista que já havia tratado sua amiga. Quando o resultado saiu foi diagnosticada com Carcinoma Invasivo: “ Meu mundo desabou no primeiro momento, e comecei a pensar por que comigo e não com ‘ciclano, ‘beltrano’… e então comecei a aceitar, por que precisava estar com a cabeça boa para iniciar o tratamento”, diz Maria.

Angelita teve que passar por quimioterapia, radioterapia, mastectomia radical e reconstrução da mama, e hoje ao contar sua história diz que viveu intensamente cada momento de seu tratamento: “ Fiquei careca, e usei muitos lenços, não gostava de peruca […] sempre com o apoio da minha família e amigos. Um complemento que não poderia faltar é a fé, ela move montanhas- foco, força e fé. Depois que tudo passa, nos sentimos muito mais fortes”.

Para ela, que hoje está curada mas segue com acompanhamento, até completar 5 anos, 50% é tratamento, os outros 50% é a cabeça, o amor. Hoje ela diz viver um dia após o outro sem planejar o futuro, e aproveita muito sua segunda chance, e complementa: “ Prevenir é tudo. Autoexame sempre, não comente no outubro rosa”.

Tania Schreiber, é outro exemplo de superação, com 3 filhos e 1 neta, recebeu o diagnóstico da doença em abril de 2016. Tania é corretora de imóveis junto com o marido, e quando soube da notícia conta que ficou assustada: “ A primeira coisa que me veio na cabeça foi a morte”.

Tudo começou quando foi ao ginecologista e após uma mamografia foi avisada e encaminhada a um oncologista. Então em junho iniciou o tratamento com quimioterapia, e em Janeiro fez a mastectomia seguida de radioterapia. Nos próximos 10 anos Tania terá que continuar com acompanhamento de remédio, e hoje ainda está no aguardo de uma reconstrução de mama.

A corretora participou de encontros como o evento “ Uma tarde rosa” com outras mulheres que passavam pela mesma situação, durante conversas e tardes de fotos, e hoje diz que o câncer trouxe mais coisas boas do que ruins: “Conheci várias pessoas maravilhosas […] procuro conversar com mulheres com câncer, procuro ajudar o máximo que posso”.

Campanha surgiu nos Estados Unidos

O movimento Outubro Rosa teve início no Estados Unidos, onde cada estado fazia ações isoladas em pró ao movimento. Até que o Congresso Americano transformou outubro no mês nacional contra o câncer de mama. No ano de 1990 foi realizada a corrida pela cura em Nova Iorque, realizada pela Fundação Susan G. Komen, que distribuiu laços rosas para os participantes, e desde então todo ano a corrida é realizada.

Porém só foi no ano de 2002 que esse movimento foi praticado explicitamente pelo Brasil, quando o monumento Mausoléu do Soldado Constitucionalista, o Obelisco do Ibirapuera, foi iluminado com a luz rosa.

Todo ano 54 mil mulheres são diagnosticadas no país. O câncer de mama é o segundo câncer que mais atinge mulheres no Brasil, e só está atrás do câncer de pele. Segundo o INCA, Instituto Nacional de Câncer, só no Paraná foram computados 860 casos.

O câncer de mama é uma doença provocada pela multiplicação de células anormais da mama, que formam um tumor. Existem diversos tipos de câncer de mama. Alguns tipos têm desenvolvimento rápido enquanto outros são mais lentos.

Segundo orientações da unidade de saúde do bairro Santa Cândida, a mamografia é liberada pelo SUS somente a partir dos 50 anos, porém mulheres que ainda não atingiram a idade e tem históricos na família, após fazerem o autoexame, podem se dirigir a um posto de saúde, que serão atendidas e a mamografia será liberada.

Se a mulher não se encaixa em nenhum dos critérios, e após fazer o autoexame não notou a presença de nenhuma anomalia, a chance de possuir algo será mínima.

O autoexame, que é o primeiro passo a ser tomado, deve ser realizado uma vez por mês, o que não acontece, visto que as mulheres deixam para fazer isso somente no Outubro Rosa.

Então para que cada vez mais o número de vítimas reduza, essa campanha que tem um alcance mundial, é muito importante, pois consegue incentivar a prevenção e o diagnóstico precoce.

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