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Medo da violência afasta voluntários de áreas carentes

Pastoral da Criança aponta falta de colaboradores nesses locais

Por Angélica Klisievicz

As comunidades carentes são a área de Curitiba em que há menos interessados em praticar trabalho voluntário, aponta a Pastoral da Criança, uma das entidades que promovem a prática na cidade. A falta de colaboradores se deve à expectativa por violência nesses locais, que faz com que os voluntários se sintam intimidados e temerosos. Por outro lado, o Centro de Ação Voluntária de Curitiba (CAV), afirma que a área que mais possui vagas e voluntários no município é a de saúde, que inclui desde ajudar no tratamento de idosos até tocar música num hospital de crianças com câncer.

As necessidades de ações voluntárias são diversas e, para que a comunidade entenda mais sobre o trabalho voluntário, o CAV realiza uma palestra informativa chamada “O que é ser voluntário?”, que é semanal e gratuita e apresenta conteúdos que ajudam as pessoas a decidirem o que fazer e como encontrar uma oportunidade de serviço voluntário. São apresentados esclarecimentos sobre a lei do voluntariado, cidadania, solidariedade, direitos, responsabilidades e informações necessárias para que os interessados possam encontrar uma chance de colaborar.

Jornalista e voluntária desde 2012, Aline Vonsovicz conta que não é problema conciliar o trabalho profissional com o voluntário. “A maioria das pessoas acha que é preciso se deslocar até a entidade ou ter contato com crianças ou idosos uma ou duas horas por semana. No entanto, existem outras formas de voluntariado, como o não presencial”, conta a jornalista, que desenvolve todas as atividades voluntárias de maneira online.

A voluntária declara que sempre sentiu que deveria ajudar ao próximo com seu tempo e talento. “Quando assisti à palestra ‘O que é ser voluntário?’, tive a oportunidade de conhecer o trabalho do CAV de Curitiba e logo notar que poderia contribuir com serviços de comunicação. Hoje, gerencio  redes sociais e construo novos textos para o site”, conta.

Para Aline, quem mais ganha com o trabalho voluntário é o próprio colaborador. e ela conta também que conseguiu muitas oportunidades com o trabalho que executa. “Atuo como freelancer e o meu trabalho voluntário acaba sendo um grande portfólio que abre portas”.

 

Cinco interessados por dia

A CAV recebe em média, cinco ligações por dia de pessoas interessadas em se voluntariar. “A época que as pessoas mais se dedicam a procurar por alguma atividade é a que coincide com as festas mais tradicionais, como Páscoa, Dia das Crianças e Natal”, conta a coordenadora da entidade, Lurdinha.

A estudante de publicidade e propaganda Evelyn Palhano, 18 anos, colabora há quase dois anos com a Associação Paranaense de Apoio a Criança com Nepolasia (APACN), que recebe crianças e adolescentes de zero a 18 anos com câncer. “Sempre tive curiosidade e vontade de ajudar quem mais precisava”, conta. O trabalho voluntário na vida da estudante se tornou muito importante e gratificante, e ela diz que não consegue mais se imaginar sem, pois “é algo que se tornou parte de mim e pretendo levar pra sempre”.

 

Pastoral da Criança

Pastoral da Criança, fundada em 1983, é outra entidade que trabalha com voluntariado com o intuito de promover o desenvolvimento integral das crianças sem distinção de raça, cor, profissão, nacionalidade, sexo, credo religioso ou político. Assistente social da coordenação nacional da pastoral, Maria das Graças Silva afirma que o primeiro passo para ser voluntário é ter interesse e boa vontade. “Se a pessoa está interessada, ela é convidada a participar de uma capacitação para conhecer a nossa metodologia de trabalho”. Essa capacitação é o “Guia do Líder”, em que os próprios voluntários passam as informações necessárias aos que querem se voluntariar. Ter esse curso é pré-requisito para muitas funções na pastoral.

O primeiro contato com a entidade é sempre por meio da paróquia ou pastoral da igreja. “Após o primeiro contato, o próximo passo é mobilizar a comunidade para conhecer a pastoral da criança e saber o que nós fazemos, para a partir daí se sentirem motivados a participar”, conta Maria.

A pastoral também sofre com escassez de voluntários nas comunidades carentes das grandes cidades. “Por conta da violência, as pessoas não se sentem seguras para poder desenvolver o trabalho. Então, nessas áreas, demandaríamos um número maior de colaboradores. Até temos pessoas para atender, mas precisaríamos de muito mais, diante do número de crianças que nós deixamos de acompanhar por falta de voluntários”.

 

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Foto: Natalia Filippin

 

 

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