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Cenário político aumenta intolerância nas redes sociais

Mesmo em perfis privados, usuários são alvos de ofensas 

Por Ana Luiza Moraes e Débora Macedo

Não apenas uma rede social de entretenimento, o Facebook elimina barreiras geográficas e aproxima as pessoas, gera polêmicas e se torna vilã, em muitos casos, por disseminar discórdia e problemas entre os usuários por não saberem lidar com opiniões e ideologias contrárias as que acreditam. Essa ferramenta é o local onde 67% dos brasileiros buscam informações, segundo pesquisa realizada em 2015 pelo Núcleo de Estudos e Opinião Pública (NEOP).

Apesar de as redes sociais abriram um leque enorme para discussões acerca dos mais diversos temas, e as pessoas simplesmente têm opiniões diferentes. O bom senso de não partir para o lado negativo é daqueles que se propõe ao debate – embora, muitas vezes, acontece algum desentendimento e os ânimos se exaltem.

Um professor de sociologia (que preferiu não se identificar), relata que já teve problemas com alunos em sua rede social particular. Em um dos casos, o aluno se sentiu ofendido com uma publicação que criticava a mídia pelo modo como ela noticia de maneira parcial assuntos políticos.

“Esse aluno me chamava de petista e dizia que o país não melhorava porque existem pessoas que ainda defendem o atual governo. Eu o respondi de maneira educada e o convidei para discutir comigo com argumentos concretos”. Porém o docente afirma que não deixará de postar suas opiniões políticas ou de fazer análises do andamento do processo de impeachment por ter alunos adicionados em seu perfil.

A estudante de direito Jéssica Correia, que está no 7º período da faculdade, relata que foi alvo de xingamentos em seu perfil no Facebook após fazer um texto opinativo no qual estava porquê o impeachment seria algo prejudicial para o Brasil. “Recebi vários comentários que me chamavam de louca e diziam que eu não entendia do assunto. O pior de todos foi o de um ex-colega do ensino médio, ele escreveu que eu não deveria estar fazendo faculdade de direito porque eu seria uma má profissional com esse pensamento”.

Desde então, a estudante evita fazer postagens de cunho político porque ficou decepcionada com o modo que foi tratada. “É lamentável recebermos ofensas por expressar a nossa opinião. Eu não pedi para que as pessoas concordassem comigo, só não admito o desrespeito”, diz.

A origem do problema

Para o cientista político Luiz Domingos, a intolerância política é a não aceitação de uma opinião divergente da sua que leva ao ataque verbal e físico. Além disso, Domingos acredita que a internet não tem um papel negativo na sociedade e nem fez aumentar os discursos de ódio. “A internet contribuiu para o crescimento do debate político, pois ela facilitou o fluxo de informações”.

O cientista político afirma, no entanto, que, com isso, veio o problema de que as pessoas se informam apenas pelas chamadas das notícias e não se preocupam em fazer uma análise complexa do que está sendo noticiado. A solução para essa forma de consumir informação política fragmentada seria, segundo Domingos, aumentar a escolaridade da população que gerará o crescimento de uma perspectiva crítica.

Para o historiador Claudio Augusto Rovel, esse engajamento, muitas vezes cego, é um reflexo do que acontece em termos políticos e econômicos no Brasil atual, pois os absurdos que se estampam nas capas de revistas, jornais ou qualquer outro tipo de meio de comunicação, no mínimo, indignam grande parte da população.

“Acho correta a discussão, o embate, o confronto. Porém, enquanto isso tudo se mantém em um nível aceitável e, porque não, saudável, sem maiores transtornos. O problema é quando parte para uma violência desnecessária”, completa o historiador.

Rovel diz que, de forma geral, não enxerga de uma maneira tão alarmista essa exaltação por parte das pessoas em redes sociais e ressalta que não defende, de forma alguma, intolerância, que devemos primar sempre pelo respeito e o diálogo, mas que não se pode levar tudo muito ao pé da letra numa discussão que atingiu um nível mais acalorado.

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