O cenário atual das mídias digitais

“Conhecemos e ficamos amigos pelo Facebook de pessoas que nem sabemos quem são de verdade, mas penso que isso não chega a modificar o comportamento social.”

Por Roberta Gonçalves

 

O sociólogo da Universidade de São Paulo (USP) e colunista do jornal Filha de São Paulo, Marcelo Coelho, esteve em Curitiba, no mês de abril, para ministrar a palestra “O legado de Bento XVI para o Brasil e para o mundo”, organizado pelo Instituto Ciência e Fé da Pontifícia Universidade católica do Paraná (PUCPR), em entrevista ao Comunicare, Coelho contou um pouco de suas expectativas sobre o fenômeno das mídias digitais.

CENÁRIO ATUAL

Uma de suas obras, Patópolis, foi interpretada como uma crítica à regressão sociocultural das pessoas. O mundo atual vive esse retrocesso?

Regredimos um pouco psicologicamente. Hoje, filmes que eram para crianças são assistidas por adultos, como o Homem-Aranha. Em 1950, Dwight Macdonald, um teórico da cultura de massas, já dizia que o adulto se infantiliza completamente quando assiste a filmes para criança.

Nesse cenário involutivo, qual seria o papel das mídias digitais?

Elas podem ajudar, pois dispersam a situação. Hoje, já dá para encontrar outras opções de filmes, em sites de compartilhamento, por exemplo, sem depender tanto das salas de cinema da cidade.

Sob o ponto de vista das relações sociais, como você analisa o fenômeno das mídias digitais?

Tem um lado superficial. Conhecemos e ficamos amigos pelo Facebook de pessoas que nem sabemos quem são de verdade, mas penso que isso não chega a modificar o comportamento social. Por outro lado, a globalização exige que as pessoas viagem muito entre cidades, países, continentes. Nesse sentido, as mídias digitais ajudam, diminuindo as distâncias e permitindo que os viajantes se mantenham em contato constante.

POLÍTICA E INFORMAÇÃO

Como você vê o uso político de recursos digitais no Brasil?

O boto eletrônico é um processo que tende a avançar, com o eleitor votando dentro de sua própria casa. Os candidatos eleitos também poderiam votar projetos sem precisar se deslocar até Brasília.

Isso implicaria em redução de custos e tempo para percorrer distâncias físicas?

Exato, mas eu não seria tão otimista quanto ao trânsito… (risos). Com todas essas facilidades, as pessoas vão ter mais tempo para visitar os amigos, ir ao teatro, o que também gera trânsito.

Quanto ao processo de informação, qual a diferença entre a TV e o computador?

A TV é um meio massificante, processa a informação em via única. Já no computador, a pessoa pode interagir repassar dados.

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