Coletor menstrual é alternativa barata a absorventes comuns

Opção muda dia a dia das mulheres “naqueles dias”

Por Angélica Klisievicz Lubas

Você já ouviu falar de coletor menstrual? Ele é um copinho de silicone que veio para substituir os absorventes descartáveis, internos e externos, diminuindo significativamente a produção de resíduos. Ele é colocado dentro da vagina onde coleta o sangue da menstruação, sendo esvaziado de 2 a 3 vezes ao dia, quando é higienizado e introduzido novamente. É uma opção mais sustentável, mais econômica e higiênica.

 

Economia

Uma mulher usa, em média 20 absorventes por ciclo menstrual. Tendo uma base de custo de R$ 0,50 por absorvente externo, ao ano ela gasta cerca de R$ 300. O preço dos coletores menstruais varia entre R$ 60 e R$ 80 e tem a durabilidade de 10 a 15 anos. Ou seja, durante 10 anos R$ 3 mil seriam gastos em absorvente e esses gastos e reduziria a apenas uma parcela de R$ 80.

O ginecologista Domingos Mantelli afirma que coloca o coletor apenas como uma opção para as suas pacientes e deixa que elas escolham usar copinho ou não. “Na verdade, eu não aconselho a troca, apenas indico o coletor vaginal como uma opção a mais para as mulheres, em lugar do absorvente. Até porque, é também muito mais barato, já que o coletor pode ser reutilizado por muitas e muitas vezes, enquanto que o absorvente tem que ser comprado todo mês”, diz.

 

Sustentabilidade

Um absorvente externo leva uma média de 100 a 500 anos para se decompor na natureza, segundo dados da Ambiente Brasil. Ainda usando as mesmas estatísticas, se uma mulher usa 20 absorventes por ciclo e tem um ciclo por mês, em um ano serão 600 absorventes jogados no lixo, resíduos que não existiriam caso o coletor menstrual fosse usado. Além do fato de que, atualmente, os absorventes são embalados um a um por um plástico, o que gera mais lixo ainda.

A assistente social Fernanda Vicari, de 34 anos, falou que se sente triste por demorar tanto para começar a usar o coletor. “Quando penso que ao longo dos meus 34 anos [22 anos menstruando] produzi resíduos que muito provavelmente nem se decompuseram ainda, fico muito chateada, chocada com isso”, lamenta.

 

Adaptação

No início a mulher pode sentir algum tipo de incômodo, mas quando se aprende a colocá-lo corretamente não há problemas. O odor é bem reduzido em comparação com os absorventes descartáveis, e não há contraindicações para usá-lo para dormir e nem para praticar exercícios físicos, além de não atrapalha ao urinar.

O coletor possui uma haste que ajuda na retirada do mesmo de dentro da vagina, ela pode causar certo incômodo e caso necessário pode ser cortada. Foi o que fez a estudante Bruna Toti, que usa o coletor há um ano. “Foi preciso cortar a haste do meu porque me machucava, mas não voltaria a usar absorventes descartáveis. Eu acredito que seja mais higiênico e depois de pesquisar muito acho que ele [coletor] agride menos o nosso corpo, em comparação aos absorventes internos de algodão”, explica.

Mantelli explica que algumas mulheres podem não se adaptar ao coletor. “Ele não é indicado, por exemplo, para mulheres que apresentem algum problema na anatomia vaginal, como um posicionamento diferenciado do colo do útero ou de alguma glândula que possa interferir na posição do coletor, pois se ficar torto pode vazar”, explica. É necessária uma atenção maior também quando a mulher usa do DIU, pois o coletor pode, ocasionalmente, descolar o dispositivo.

A estudante Andreia Ross foi uma das mulheres que não se adaptou ao copinho. “Não consegui colocá-lo de forma que desse o vácuo necessário, tentei usar algumas vezes e vazou, mas eu ainda não desisti”, explica a jovem que considera o uso da calcinha reutilizável caso não se adapte mesmo ao coletor.

Tamanho

É extremamente necessário conversar com o seu ginecologista antes de adquirir seu coletor. Há fatores como a altura do colo de útero que podem interferir no uso e na recomendação, principalmente na questão do tamanho. A maioria das marcas possui dois tamanhos, um para quem já teve filhos e outro para quem ainda não teve, normalmente eles tem entre 7 e 9 centímetros e tem uma haste que auxilia na retirada do copinho. Mas há algumas marcas com mais de dois tamanhos, vai de cada mulher, juntamente com o seu médico, escolher qual o melhor para o seu organismo.

Quanto ao fluxo intenso, o que será necessário é esvaziar o copinho com mais frequência. Normalmente ele deve ser esvaziado a cada 12 horas com o fluxo normal, por incrível que pareça, o absorvente externo nos dá a impressão de muito mais sangue do que realmente sai. A cada vez que for esvaziado ele precisa ser higienizado com água e sabão neutro e ao final de cada ciclo deve-se fervê-lo para esterilizar.

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