Com “Jeitinho Brasileiro”, Urbs cumpre lei proibitória da dupla função em ônibus

Pelo alto custo da reformulação, Urbs relata que o motorista pode estar parado ao cobrar. E por um momento, acaba com a polêmica

Hélcio Weiss

Mesmo exemplar, o transporte público curitibano não deixa de ter falhas. Uma delas é a chamada dupla função, em que o motorista de micro-ônibus também exerce a função de cobrador. A Urbs deveria cumprir uma lei que proibe a tarefa conjunta de motorista e cobrador, em consequência, a empresa de transportes da capital obteve uma maneira “mais fácil” de cumprir a lei, sem ter que aumentar custos.

Segundo o diretor de transportes da Urbs Rodrigo Binotto, o motorista pode cobrar, caso o veiculo esteja parado. “O que determinamos, é que o motorista não pode fazer a cobrança enquanto o veiculo está em movimento”, afirmou o diretor. Essa alternativa foi dada para evitar a contratação de novos trabalhadores, pois isso custaria, segundo o Sestransp (Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba), cerca de R$ 1,15 milhão e readaptação nos veículos R$ 1,8 milhão, acarretaria consequentemente no aumento da passagem.

O motorista da linha de ônibus Vila Macedo, Abreu Farias, contesta um pouco ter que trabalhar na dupla função. “É difícil ter que cobrar e dirigir, até pensar no troco, arrancar, trocar marchas, fica automático, mas a gente pode errar em algum momento”. Abreu também comenta da maior facilidade em trabalhar com auxílio de um cobrador e cita alguns problemas na medida tomada pela Urbs para cumprir a lei. “Quando o troco é grande, eu perco muito tempo parado, fico atrapalhando o trânsito. Nos sábados eu pego o Petrópolis, que tem cobrador, fica bem mais fácil, faço aquilo que fui contratado para fazer”.

A declaração da estudante Caroline Mansano relata algumas vantagens e desvantagens. “Por um lado é bom, a passagem não vai aumentar e os motoristas ficam mais atentos no trânsito, só que ter que parar até dar o troco pra movimentar, é muito tempo perdido, tem parada que fica um minuto contando o troco, se toda parada for assim, aumenta mais ainda o tempo da viagem”, afirma.

Motorista faz uso da nova lei e cobra com veiculo parado
Foto: Hélcio Weiss

URBS procura por soluções

Com dificuldades no alto custo de novos ônibus e cobradores, a Urbs já procurou por algumas alternativas, mas sem muito sucesso, como por exemplo, o uso exclusivo do cartão de transporte para a entrada em micro-ônibus, porém, a ideia parece não ter sido muito bem recebida, até mesmo pelos motoristas, alguns alegando que irão sentir-se transtornados em não permitir a entrada do cidadão, mesmo tendo dinheiro para o embarque.

Equipe: Bruno Krieger, Caio Porthus, Hélcio Weiss e Leonardo Dulcio

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