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Lojas apostam em doces artesanais para crescer

Estabelecimentos oferecem produtos diferenciados, para atrair a clientela

Por Maria Cecilia Terres Zelazowski, Vanessa Bononi e Vanessa Gavilan Mikos 

Apesar da crise financeira do Brasil, empresários do segmento confeiteiro inovam e apostam nos doces artesanais na capital paranaense. De acordo com a Prefeitura de Curitiba, 110 panificadoras e confeitarias foram abertas na cidade neste ano.

Mary Ann Apple Factory

11009351_658933290910582_4429991423225661553_nFoto: Divulgação

A Mary Ann Apple Factory, localizada na Rua Vieira dos Santos, Centro Cívico, é inspirada na culinária norte-americana. A principal aposta é nas maçãs gourmet, doce que tem como base maçãs verdes mergulhadas no caramelo artesanal, lembrando a maçã do amor, os valores variam de R$15,90 a R$26,90. A loja, que funciona no formato ”soft opening” (abrindo apenas às sextas-feiras, sábados e domingos), recebe cerca de 700 clientes por fim de semana.

A receita original é dos Estados Unidos, entretanto, os proprietários Mariana Salata e Otavio Pósnik tiveram que fazer adaptações às especiarias brasileiras. Depois de um ano e meio de testes desenvolvendo o caramelo até que ele ficasse no ponto adequado, o maior empecilho foi a importação das maçãs do Chile, Espanha e França, uma vez que o Brasil não possui maçã verde nativa.

O menu de maçãs é dividido em seis sabores fixos, três sazonais e alguns especiais para datas comemorativas. Entre as clássicas, a Apple Pie, com camadas de caramelo, chocolate branco, farofa de canela e especiarias, é a campeã de vendas.

A estudante Nathalia Pipolo, 21 anos, conta que conheceu a Mary Ann pelo facebook. “Uma amiga minha me marcou em uma foto das maçãs, mas, como eles só aceitavam encomendas, fiquei esperando a loja abrir. Elas realmente são muito gostosas, já provei três sabores. Não parece que você está comendo uma maçã, é uma coisa trabalhada, os sabores da maçã com caramelo casam muito bem“.

Por contarem com um público fiel, estão sempre criando novos sabores o que resulta de nove a 11 opções disponíveis. Além das maçãs, o cardápio também conta com tortas, brownies, doces e bebidas que são produzidos por Mariana e Pósnik. Atualmente possuem uma equipe de cinco funcionários

“O retorno tem sido muito positivo. O feedback é de 99% e, com certeza, tem superado as nossas expectativas. Achávamos que iríamos demorar um ano para vender 1000 maçãs em um final de semana, e essa já está sendo a média com apenas dois meses de loja física“, relata Mariana.

De 2013 até maio deste ano, a Mary Ann só atendia por encomendas via telefone, email e redes sociais, e a entrega dos produtos era via delivery ou retirada pessoalmente na casa de psicóloga. Os proprietários sentiram necessidade de montar uma loja, pois, para eles, é essencial que os clientes possam ver os produtos expostos.

A loja, que foi inaugurada em junho deste ano, recebeu mais de mil clientes na primeira semana. Foi planejada desde 2013 e, segundo Pósnik, as redes sociais tiveram papel fundamental na expansão da marca. “A gente sempre manteve o foco da nossa publicidade nas redes sociais. Sou eu que cuido de todas elas e acho que isso dá um toque especial. Não tem quem faria igual, pois eu estou todos os dias aqui na produção e no atendimento”, afirma.

Pela grande demanda que a loja está recebendo, o plano do casal para o futuro é expandir o negócio e abrir franquias. O próximo passo é normalizar o atendimento até setembro.

 

Goodies Bakery

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A Goodies Bakery é uma confeitaria especializada em mini cupcakes, cookies e cheesecakes gourmet, pioneira no segmento em Curitiba. Inaugurada há aproximadamente três anos, a loja,  que está localizada na rua Brasilino Moura, no bairro Ahú, já produziu mais de 200 sabores de cupcakes.

O projeto iniciou com a chef patissier Larissa Perini, que criou cookies inspirada em receitas que conheceu viajando aos Estados Unidos. Após fazer sucesso entre os amigos e ter aumento significativo na demanda, Larissa convidou a irmã, Andressa Perini, para participar da sociedade, em 2012 abriram a loja física.

Há cinco sabores fixos de cupcakes oferecidos diariamente na Goodies e algumas opções variam durante cada dia da semana. São servidos desde cupcakes de Nutella, até sabores mais elaborados, como blueberry e brigadeiro branco com amêndoas. Há ainda sabores especiais resultantes de parcerias firmadas com a Paleteria e o restaurante Madero.

O menu conta também com outros pratos como brownies, tortas, pães de queijo e bolos, além de bebidas especiais. Souvenirs como almofadas, canecas, chaveiros, dentre outros, também estão disponíveis para compra. Por fim, a empresa oferece o serviço de buffet para eventos. O doce mais vendido é o cupcake, o preço varia de R$3,80 a R$6,00 por unidade, de acordo com a linha que pertence – sabores fixos, especiais do dia, golden, premium ou top.

A dentista, Luiza Delgado, é cliente da Goodies há quatro anos e diz que o que mais a encanta é a variedade e a delicadeza de cada produto. “É simplesmente sensacional e sempre que você vem é uma nova experiência. A criatividade das meninas ao combinar os ingredientes me fascina”.

A confeitaria, que começou apenas com as duas irmãs, hoje conta com 13 funcionários fixos além de freelancers nos dias de maior movimento. Funcionando de segunda a sábado, vende em média 600 cupcakes por dia (durante a semana) e de mil a 1,5 mil unidades aos sábados.

A empresa, que nasceu pela antiga rede social Orkut, buscar estreitar a relação com os clientes através das redes sociais. A própria equipe alimenta as páginas com postagens diárias, pois considera importante o contato com o público, além de facilitar o feedback.

Caramelodrama

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 Inaugurada em abril de 2014, a Caramelodrama Confeitaria oferece um menu de doces criados pela chef de pâtisserie Carolina Garofani. Instalada em uma charmosa casa da década de 50, o ambiente encantador e intimista acomoda 45 lugares. Localizada na Alameda Presidente Taunay, no Batel, funciona de segunda a sábado.

O negócio surgiu após a chef retornar da Itália, onde se formou pela escola Alma Scuola Internazionale di Cucina Italiana. Ela conta que voltou ao Brasil com a cabeça mudada em relação ao que tinha aprendido aqui, a maneira de encarar o produto, o processo de produção e a preocupação com o cliente.

“A confeitaria italiana está anos luz na nossa frente. Consegui enxergar de fora o mercado de confeitaria brasileiro, como somos amarrados em certas coisas e o quanto ainda temos que aprender”, conta a chef, que se inspira na confeitaria europeia adicionada de técnicas modernas para fazer suas criações. Além disso, não usa aditivos químicos ou misturas prontas para preparar seus produtos.

Os doces mais vendidos da confeitaria são: Chocomelodrama (bolo assinatura) – bolo de chocolate recheado com creme de caramelo e calda de amarena (cereja preta italiana), coberto com ganache de chocolate; Paradiso – bolo de baunilha com calda de limão siciliano, recheado com mousseline de morango e coberto de merengue de italiano massaricado (por ser mais fresco, no verão desse ano fez sucesso e permaneceu no cardápio); E a Boscolana – tortas de frutas vermelhas. São vendidas cerca de 250 unidades de cada um desses três doces por mês.

O projeto do negócio, que hoje conta com cinco funcionários, foi desenvolvido em dois anos. A chef, que também é publicitaria, cuida pessoalmente das redes sociais de seu empreendimento. Ela não investe em nenhum tipo de publicidade paga, mas atualiza regularmente o blog,Facebook e Instagram da Caramelodrama. “É bom porque através dessas mídias recebemos muitos feedbacks e consigo criar uma relação mais íntima com meus clientes”, declara.

Com a variação do clima, a confeitaria também tem o menu alterado. “Precisa sempre ter coisa nova se não as pessoas esquecem”, garante a chef. Sempre há uma torta sazonal que tem o nome da estação do ano. No inverno é vendida uma grande quantidade de cafés e chás, já no verão são sucos, chás gelados, tortas geladas e sorvetes. Os preços variam de R$10,00 a R$20,00.

A farmacêutica, Juliana Ferreira, frequenta a Caramelodrama desde a abertura. “Além dos doces deliciosos o ambiente é muito agradável e acolhedor. Tenho que me policiar se não venho aqui todos os dias, esteja sol ou chuva”.

Setor tenta escapar da crise

De acordo com Mariana, até julho de 2014, a Mary Ann Apple Factory cresceu: eram cerca de 150 encomendas de maçãs por semana. Após esse período, até o Natal, as vendas caíram mais da metade. Para os proprietários a crise foi impactante, pois estavam montando a loja física e, atualmente, a maior preocupação é de não conseguirem fidelizar o novo público e de manter os preços dos produtos.

Praticamente 90% dos ingredientes utilizados são importados, como por exemplo a maçã do Chile que teve um aumento de 25% em seu preço, o chocolate do Callebaut, que, somente neste aumentou três vezes; e as amêndoas, que eram compradas por R$ 52,00 e hoje custam R$ 69,00.

“Estamos tentando segurar ao máximo para não repassar esse preço aos clientes, pois já e um produto considerado caro. Se, toda semana meu cardápio acompanhar o dólar, ninguém mais vai comprar. Sabemos que é uma questão bem complicada, porque assusta os consumidores”, conta Mariana.

A empresária Carolina afirma que, apesar de o movimento da Caramelodrama não ter diminuído, os custos aumentaram muito. “A maior besteira que alguém pode fazer é abrir mão da qualidade de seus produtos para cortar gastos. Mas, por outro lado, as matérias primas que utilizo tiveram um grande aumento de preço neste ano e infelizmente tenho que repassar isso para o consumidor. Posso perder público por isso? Posso. Mas prefiro manter o padrão de qualidade”, diz a chef.

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