foto1
“Chocolate saudável” se populariza em Curitiba

Intolerantes e diabéticos formam público principal do segmento.

Por Vanessa Gavilan Mikos

Nesta Páscoa, o consumidor viu crescer as opções de chocolates mais “saudáveis”: isentos de glúten, lactose, proteína do leite, soja, açúcar e substâncias estimulantes. Esses produtos buscam satisfazer não somente os celíacos, diabéticos, intolerantes à lactose e caseína e veganos, mas também aqueles optam por uma vida saudável.

Para atender a essa demanda, as empresas têm investido em produtos do gênero. Exemplo disso é a Carob House, localizada em Campina Grande do Sul, na região metropolitana de Curitiba. A indústria nasceu para atender o público que não consome o chocolate convencional e é a única no Brasil que fabrica produtos à base de alfarroba. Fruto da alfarrobeira, uma árvore nativa da região do Mediterrâneo, a alfarroba é uma vagem comestível que é torrada e moída em pó, substituindo o cacau na formulação dos produtos da marca. A alfarroba não contém os estimulantes presentes no cacau, é fonte de fibras e de baixo índice glicêmico, sendo aliada no controle do diabetes. Por ser naturalmente doce, os produtos produzidos a partir dela não necessitam da adição de açúcares (sacarose) e ainda apresentam baixo teor de gordura.

De acordo com a diretora executiva da Carob House, Eloisa Helena Orlandi, a empresa está em ascensão. De 2013 a 2014 houve um aumento de 70% na demanda. Para esta Páscoa, as novidades foram os ovos disponíveis em três versões: o tradicional Ovo de Alfarroba (210g), o Ovo de Alfarroba com Coco (280g) e Ovo de Alfarroba com Banana (210g). Eloísa conta que um fato curioso é que as vendas aumentam após a Páscoa, uma vez que recebem uma ‘’publicidade espontânea’’ da mídia.

A professora  Elisangêla Trentiny é mãe de Gabriel, que é intolerante à lactose e está entre o público-alvo do segmento. “A maior dificuldade é a adaptação da sociedade, porque muitas pessoas ainda acham que essa doença é frescura, já que antigamente não tinha nada disso. E também existe dificuldade para encontrar produtos especializados, apesar de esse número já ter aumentado”.

As irmãs Adriana e Alessandra são proprietárias há 5 anos do Almendras Emporeum, comércio de produtos sem glúten, lactose, açúcar e sem proteína do leite. O empreendimento nasceu da dificuldade que Alessandra, portadora da doença celíaca, tinha para encontrar produtos adequados para seu consumo. Segundo a proprietária, há alguns anos, era muito difícil encontrar esse tipo de produto no mercado. Quando encontrados, tinham um preço elevado e não eram saborosos. “Muitas vezes eu tinha que trazer de São Paulo”. Outra opção era preparar o alimento em casa. O que no Brasil era novidade, na Itália e nos Estados Unidos já existia há mais de 40 anos.

 

Feira reúne produtos veganos de Páscoa 

foto2

Curitiba recebeu, em 28 de março, a Feira Vegana de Páscoa, no Restaurante Bouquet Garni, localizado na Rua Alameda Carlos de Carvalho, Centro, Curitiba. O evento, organizado por Andrey Sansson, reuniu nove produtores artesanais e comerciantes de alimentação vegana, que comercializaram produtos especiais para a Páscoa, como  chocolates diversificados, ovos recheados, colomba pascal, bolos e Nutella vegana.

Sansson conta que o diferencial da feira é que os produtos são livres do que eles chamam de “crueldade animal” e de qualquer tipo de agressão ambiental, a emissão de carbono é quase 0, além de a produção ser totalmente artesanal. O objetivo dele era organizar um evento em que houvesse um ‘’veganismo acessível’’, com preço máximo de 30 reais, já que estes geralmente são de alto custo.  Segundo o organizador, no último ano, a procura por alimentos veganos praticamente duplicou e, nos últimos cinco anos, aumentou 10 vezes. ‘’Muitas pessoas pensam que é muito caro ou que dá muito trabalho ser vegano, queremos quebrar essa concepção. É muito mais fácil do que julgam e além de ser politicamente correto em todos os sentidos, é muito mais saudável’’.

Vale lembrar que os veganos são adeptos de uma concepção política que vai além da dieta, é um estilo de vida em respeito aos animais. Eles excluem da alimentação, do vestuário e do dia-a-dia qualquer produto derivado de animal. Boicotam as indústrias que não respeitam os animais e também não apoiam as diversões em que eles são usados. Leite de soja, leite de coco, leite de amêndoas, leite de arroz, óleo de coco, suco de frutas e águas são os principais ingredientes que utilizam como base de sua alimentação. Já os vegetarianos fazem um regime alimentar que exclui as carnes de animais da dieta, com ou sem consumo de laticínios ou ovos.

 

Entenda as intolerâncias

A farmacêutica Juliana Ferreira explica que, além do consumo do glúten e da pré-disposição genética, existem fatores imunológicos e ambientais para a doença celíaca. O mal é mundialmente considerado um problema de saúde pública devido à sua prevalência. Quanto à lactose, cerca de 40% da população brasileira possui intolerância, em razão da diminuição da atividade da enzima chamada lactase, presente na mucosa do intestino.

A especialista reforça a importância do consumo dos produtos adequados para quem sofre com essas doenças. “Os tratamentos são fundamentalmente dietéticos, consistem na exclusão tanto do glúten quanto da lactose da dieta alimentar’’. Caso a dieta recomendada não seja seguida, as principais manifestações são diarreia, constipação crônica, anemia, anorexia e vômito.

 

Comparação de preços entre ovos de páscoa tradicional e opções especiais disponíveis

gráfico

Fechado para comentários.