Aplicativos ajudam a criar práticas de colaboração e compartilhamento
Consumo colaborativo cresce e traz ganhos ambientais

Conheça iniciativas que promove o consumo saudável

Por Marina Bittencourt Cardoso

A ideia de consumo colaborativo não é exatamente nova, mas tem ganhado muita força e adeptos ao longo dos anos. Ela está relacionada com a ideia de trocar e compartilhar utensílios e ferramentas ao invés de comprá-los. O consumo colaborativo vai na contramão do consumismo, muito presente na sociedade, além de ser uma prática sustentável.

O dia do meio ambiente foi celebrado mundialmente em 5 de junho, mas, no Brasil a data foi transformada em uma semana e até em um mês inteiro dedicado à temática, visando promover a conscientização da população a respeito de pautas sustentáveis. O período é perfeito para repensar a relação com o planeta, que está cada vez mais “fraco”, ou seja, com menos recursos naturais disponíveis, mais poluído, tudo por razão de impactos causados pelo homem. Repensando hábitos de consumo em geral, como na alimentação, vestuário ou até mesmo com objetos do dia a dia, que não precisam necessariamente comprados.

Reflexão necessária

“Muitas pessoas não sabem, mas não são somente as grandes indústrias que poluem, gastam muita água e recursos naturais. Toda atividade tem um impacto ambiental e a maioria deles são maquiados”, afirma o engenheiro ambiental Guilherme Ávila. Essas indústrias normalmente não são vistas como poluidoras, exemplos são a agricultura, pecuária, a indústria do vestuário.

De acordo com dados do livro “Moda com Propósito”, para produzir um hambúrguer são usados 2,4 mil litros de água, para uma calça jeans 11 mil. O uso de agrotóxicos na produção de algodão causa problemas para quem o planta e até para quem usa uma peça feita com ele. Usa-se tanto a força da Terra que, atualmente deveriam existir mais de 1,5 planetas para ceder todos os recursos que são consumidos.

A situação econômica hostil que o Brasil vive atualmente faz com que o compartilhamento seja uma saída para diminuir gastos, e faz bem para o meio ambiente, logo é uma ideia sustentável. Segundo o economista Carlos Andrioli, desde o início da humanidade o homem realizou trocas, por meio do escambo. “No momento de uma parada na economia estas trocas podem representar o encontro de necessidades e um controle no bolso dos consumidores”, assegura.

Dados do IBGE de 2015 mostram que no Brasil, o número de toneladas de substâncias prejudiciais à camada de ozônio emitidas diminuiu 8,3% em 5 anos. Isso mostra que é possível mudar hábitos e ajudar o planeta.

Mudança de hábitos

É o caso de Matheus Cardoso, 23 anos, que começou a repensar seus atos há um ano e meio. Sempre que possível evita comer carne, vai à faculdade de bicicleta e compra roupas usadas, principalmente pelo brechó online enjoei.com, no qual ele compra e vende suas coisas, pois não deixa nada acumulando.  Matheus recusou ter um carro, e afirma que além da bike usa o transporte público, e somente quando as distâncias são longas e se a situação é adversa, como uma chuva muito forte, ele pega um Uber. Ele diz que começou a repensar seus hábitos após assistir a documentários e ficar um pouco assustado. “É incrível como não pensamos no impacto do dia a dia. As consequências são catastróficas, mas é possível repensar, mudar o estilo de vida e ajudar o planeta”, afirma.

Pare e pense, as bibliotecas, por exemplo, existem há muito tempo e nada mais é do que a ideia básica do compartilhamento. A internet ajudou também a desenvolver ideias de consumo colaborativo, por meio de aplicativos, sites de trocas ou até mesmo grupos em redes sociais, facilitando o acesso a essa nova forma de consumir.

Recentemente, a Uber pode ser considerada uma empresa que visa o consumo colaborativo. Ainda não está disponível em Curitiba, mas em algumas cidades, o mesmo motorista pode pegar mais de um passageiro se eles forem para locais próximos. É uma forma de compartilhar um serviço, e ainda é uma pequena forma de poluir menos. “Aquela velha história de que em um carro que cabem 5, só um anda e a quantidade de poluentes lançados é a mesma”, comenta o engenheiro ambiental.

E o compartilhamento está presente em vários nichos da vida comum. Roupas, espaço de trabalho, lazer, aprendizado e transporte. Confira abaixo alguns estabelecimentos curitibanos e plataformas que propõem o consumo colaborativo e podem ajudar as pessoas a fazer pequenas mudanças de hábitos:

  • My Closet Aluguéis de Vestidos

Para quê comprar mais roupas se você vai acabar usando poucas vezes? Principalmente quando o assunto é roupa de festa, a probabilidade de comprar um vestido e usar uma vez é muito grande. Por isso, Rayane Veloso, que já estava acostumada a trocar roupa com as amigas, abriu uma loja de alugueis de vestidos de grife. É possível disponibilizar seu vestido para ser alugado e com hora marcada, você vai até o atelier e prova todos os modelos disponíveis. Além dos vestidos, bolsas e bijuterias também podem ser alugadas. A unidade de Curitiba fica na rua Emiliano Perneta, nº 822, sala 701.

  • Bliive

A plataforma é uma forma de compartilhar serviços, por meio de troca de pontos. Você dá uma aula de inglês por exemplo, e ganha 10 pontos, com esses pontos pode trocar por uma aula de photoshop, por exemplo. É uma experiência de crescimento pessoal e também coletivo, é um jeito de colaborar com a vida de alguém e ainda é um meio de transformação social e valorização das pessoas. Acesse: https://bliive.com/

  • Nex Coworking

É um escritório compartilhado, onde as empresas e profissionais podem alugar o espaço mensalmente e não precisam se preocupar com a instalação, fazendo com que gastos sejam diminuídos e recursos economizados. Compartilhar mais e gastar menos é um dos lemas do Coworking. Em Curitiba, o Nex fica no bairro Batel, na rua Francisco Rocha, 198.

  • Bendita Closet

É um escritório compartilhado de máquinas de costura. Aqui também, o pagamento é feito por hora, e quem quer começar a trabalhar com artesanato ou moda, por exemplo, não precisa se preocupar em comprar o maquinário. É possível também alugar prateleiras para expor e vender na loja. Ainda, o Bendita promove workshops e feiras colaborativas, valorizando sempre produtos recicláveis e sustentáveis. Endereço: R. Prof. Ulisses Vieira, 696 – Vila Izabel.

  • Tem açúcar?

É um aplicativo, no qual você busca algum objeto que não tem (e obviamente não faz sentindo comprar) em sua vizinhança. Por exemplo, você resolve fazer alguma comida, mas não tem panela de pressão em casa. O aplicativo mostra pessoas perto de você que podem oferecer uma. É uma forma muito simples de ser sustentável. Por que comprar vários utensílios que ficarão entulhados dentro de casa, se você pode compartilhar com outras pessoas?

 

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