Corrente Cultural traz grafite para embelezar a cidade

O grafite é uma das manifestações artísticas mais evidentes da Corrente Cultural

Caroline Paulart

O artista Michael Devis expõe suas obras no Teatro Universitário de Curitiba (TUC) e em estações tubo espalhadas pela cidade. Ele participa da Corrente Cultural, evento que trouxe a arte em várias formas de expressão. Através do grafite, manifestação artística feita com spray sobre paredes, as composições estão sendo exibidas desde o início deste mês.

As obras do artista encontram-se em exposição no TUC e em estações tubo de Curitiba (Foto: Gilberto Stori Junior)

As obras do artista encontram-se em exposição no TUC e em estações tubo de Curitiba (Foto: Gilberto Stori Junior)

As suas obras fazem parte da exposição chamada ‘Tape Art’, patrocinada pela Fundação Cultural de Curitiba para o evento Corrente Cultural que acontece esse mês na cidade. Suas obras abrangem além do TUC, estações tubo como a do Centro Cívico, Tiradentes entre outros, e traz além do grafite (especialidade do artista), colagens.

O próximo trabalho de Devis, será o ‘Tape Art’ nos vitrais do Memorial de Curitiba, que complementarão a exposição de suas obras no primeiro andar do Memorial, à ser realizada em fevereiro de 2014, como conta Lilian Maria da Silva, responsável pela contratação dos artistas no local. “A intervenção artística que está sendo feita pelo Devis ficará durante toda a Corrente Cultural aqui no Memorial, no período aproximado de um mês. Caso o material não sofra deterioração, o prazo pode ser estendido”, explica.

Os vitrais do Memorial serão as novas telas para a obra de arte de Devis (Foto: Gilberto Stori Junior)

Os vitrais do Memorial serão as novas telas para a obra de arte de Devis (Foto: Gilberto Stori Junior)

Lilian conta que o público está sendo muito receptivo quanto ao trabalho de Devis, demonstrando admiração pelas obras. “Para avaliar a aceitação do público são utilizados os livros de visitas em que ao assinar, muitas vezes as pessoas deixam mensagens elogiando o artista”, conta. Matheus Costa Fernandes, 17 anos, que estava no TUC diz que as obras deixam o ambiente mais bonito e podem servir de incentivo para aqueles que possuem dons artísticos. “Achei muito bonitos os grafites, são verdadeiras obras de arte. Além do mais, ter esse estilo de pintura exposto em um evento tão grande como a Corrente, incentiva aqueles que também realizam o trabalho”, declara.

Da periferia para o Memorial

O artista conta que há 15 anos ele trabalha com o grafite e começou na periferia onde morava, em Curitiba, com demarcações de território. Hoje ele expõe suas obras em vários estados como São Paulo e Maranhão. “Comecei na rua pois no bairro onde eu morava havia muita ‘rixa’ entre gangues, então usávamos o grafite para marcar território. Depois de um tempo aprendi técnicas de pinturas e adotei um estilo. Hoje sou chamado para realizar trabalhos em outras cidades e estados”, revela.

O artista acredita que a exposição no Memorial auxiliará na valorização do estilo de arte (Foto: Gilberto Stori Junior)

Para ele, ver seu trabalho exposto no Memorial será uma forma de valorização da cultura da periferia, uma mudança de conceito. “Hoje muitas vezes as informações são controvérsias, trazem o grafite e a pichação como vandalismo, mas tratam-se de manifestações de arte. Não é possível conceituar, são ideologias”, explica.

Trabalhos Comunitários

Devis desenvolve trabalhos comunitários nos bairros de Curitiba, entre eles o ‘Restaurando a Quebrada’, desenvolvido no Parolin, que levou a participação de 200 pessoas. “Cerca de 70% do meu trabalho é comunitário. Recentemente, desenvolvi no Parolin o ‘Restaurando a Quebrada’, que tinha como objetivo revitalizar as casas. Mais ou menos 200 pessoas participaram do evento, levamos música e dança também. Foi o primeiro trabalho social realizado no lugar”, conta.

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