14% da população curitibana é fumante | Foto: USP Imagens
Cresce número de fumantes em Curitiba

Cidade está entre uma das capitais que mais têm adeptos do cigarro

Por João Francisco Cepeda, Marcello Ziliotto, Mariana Prince e Rute Cavalcanti Miranda

A cidade de Curitiba tem o maior número percentual de fumantes de tabaco do país, de acordo com a Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel 2016). São 14% de consumidores diários entre a população curitibana, em torno de um total de 265.160 de pessoas aderentes do vício. Em 2015, 12% da população era fumante, somando um total de 227.280 pessoas.

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Segundo o funcionário do Ministério Público da Saúde Marcelo Garcia Kolling, o cigarro tem três aspectos de dependência: a química, a emocional e a física, que envolve os hábitos da pessoa. No aspecto químico da dependência, conforme a pessoa vai usando a nicotina, vai fazendo alterações no cérebro dela, o que faz com que busque sempre o cigarro.

Kolling explica que com isso, o cérebro vai se acostumando a pedir doses cada vez mais altas de nicotina. Além disso, fumar é um hábito, as pessoas que fumam têm o costume de ter algo nos dedos, na boca e tudo que fazem no cotidiano as lembra do ato de fumar. Já no aspecto emocional, por causa dos efeitos da nicotina, ela fica menos ansiosa e acaba fumando para se sentir melhor.

“As pessoas que procuram tratamento normalmente são os adultos e os idosos. A maioria das pessoas começam a fumar na adolescência. Por isso é importante começar o tratamento do tabagismo na adolescência, na faixa etária dos 12 e 16 anos, já que em torno de 80% dos fumantes começam a fumar nessa idade”, comenta o coordenador.

Para ajudar esses indivíduos o Governo do Estado oferece tratamento gratuito, conhecido como o Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT), presente em 662 Unidades de Saúde que estão espalhadas pelo Paraná.

SAIBA QUAIS UNIDADES DE SAÚDE OFERECEM TRATAMENTO

De acordo com a superintendente da atenção à saúde, da Secretarial da Saúde do Estado do Paraná (SESA-PR),  Bianca Fontana Aguiar, desde da década de 1980 o controle do tabagismo no Brasil vem sendo administrado pelo Ministério da Saúde através do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), que abrange o PNCT. O programa tem como propósito reduzir o prevalecimento de fumantes e o índice de morbimortalidade que é associado ao consumo de tabaco e derivados no país, através de ações educativas para prevenir o início do vício, principalmente entre adolescentes e jovens. 90% das mortes por câncer de pulmão, 85% das mortes por efisema e bronquite e 25% das mortes por doenças no coração são decorrentes do uso prolongado do cigarro, de acordo com o INCA.

Bianca ainda explica que o primeiro passo para parar de fumar é a pessoa reconhecer que sofre de uma dependência química, que inclui desconfortos físicos e psicológicos que trazem sofrimento. Com isso, para parar de fumar o paciente necessita de várias tentativas, para estar totalmente livre do vício.

O atendimento ao fumante é realizado por equipes multiprofissionais, com uma abordagem cognitiva comportamental, na qual são formados grupos de 10 a 15 fumantes que participam de sessões estruturadas.

“Ocorre uma avaliação clínica, abordagem intensiva, individual ou em grupo, coordenadas por profissionais capacitados que estimulam a mudança de comportamentos e hábitos saudáveis de vida e a utilização de terapia medicamentosa, se necessária após avaliação médica”, explica a superintendente.

Os medicamentos são disponibilizados pelo Ministério da Saúde e estão disponíveis para toda a população na Rede SUS. Além disso, o programa também conta com uma assistência para quem parou de fumar e deseja permanecer longe do vício, com reuniões semanais no primeiro mês de tratamento, reuniões quinzenais no segundo mês e acompanhamento mensal no terceiro ao décimo segundo mês.

 

TABAGISMO TEM CURA, MAS EXIGE FORÇA DE VONTADE

Parar de fumar não é uma tarefa fácil. Mesmo com diversos métodos de tratamento, nem sempre ele consegue ser totalmente eficaz, pois necessita da força de vontade para sair do tabagismo.

A aposentada Yvone Gomes Faria é um dos exemplos de que a força de vontade pode ser mais importante que a metodologia. Há mais de 30 anos buscando combater o vício, tentou diversas formas de tratamento, todas sem sucesso. “Tentei auxílio de instituições públicas e privadas, remédios e meditação, mas mesmo assim não consegui parar”.

Depois de vários anos tentando a solução veio dentro de casa. Com a gravidez de sua filha e o nascimento de seu neto, Yvone se viu obrigada a largar o tabaco em prol da gestação. “Quando minha filha engravidou não vi alternativa, era a saúde do meu neto em jogo. E foi mais fácil do que eu esperava. Até hoje não voltei a fumar um cigarro sequer”.

O professor de geografia João Leonardo Martins tem buscado essa força de vontade. Mesmo há cinco anos no programa não consegue largar o tabaco. “Entrei no programa a pedidos da minha mulher e já tentei de tudo. Até para com o café me recomendaram porquê disseram que iria ajudar, mas nada adiantou”. João ressalta que o programa público é uma iniciativa excelente, mas precisa de afinco da pessoa. “Todas essas ações do governo são o máximo que eles podem fazer, porque no final somente a pessoa pode se ajudar”.

 

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