29/03/2017- Cha Grande- PE, Brasil- BRASILEIRÃO CAIXA 2017: Jogo 26, Grupo 01 da Série A1 do Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino “Brasileirão Caixa 2017” entre, Vitória das Tabocas X Kindermann Futebol, realizado no estádio Barbosão em Cha Grande , PE; válido pelo grupo 01 do Brasileirão Feminino 2017 A1. 
Foto: Edmar Melo / ALLSPORTS
Cresce número de mulheres no meio do futebol

Estádios recebem repórteres, torcedoras e atletas

Por Thiago Rasera

A  presença das mulheres vem se destacando nos estádios, seja nas arquibancadas, à beira do gramado ou entre as quatro linhas. Em Curitiba, repórteres, atletas e amantes do futebol têm ganhado cada vez mais. O fenômeno da crescente ocupação feminina também acontece nas quadras onde se joga futebol amador.

Mulheres que trabalham fazendo a cobertura dos jogos das equipes de Curitiba se fazem presentes em um número menor em relação aos homens, mas integram um número significativo nas equipes de cobertura das transmissões. Atualmente, a RPCTV conta com três repórteres cobrindo futebol: Nadja Mauad, Janaina Castilho e Ana Helena Goebel, que agora faz parte da equipe do SporTV. Já a TV COXA tem em Jaqueline Baumel sua representante feminina, assim como a Banda B tem Monique Vilela nas coberturas esportivas.

Monique, que trabalha com o futebol há 11 anos, conta que sempre gostou do esporte e decidiu escolher uma profissão que se aliasse ao futebol. Para ela, atualmente o mercado do futebol aceita as mulheres como profissionais e não existe diferença de tratamento em relação a um homem que exerça a mesma profissão. “Hoje em dia, as dificuldades são quase inexistentes. O mundo do futebol mudou. O mecanismo do esporte sofreu alterações que nos permitem trabalhar com tranquilidade e naturalidade em um mundo quase 100% masculino”.

A repórter também exalta o fato de nunca na carreira ter sofrido qualquer tipo de preconceito. Segundo ela, a ideia de que, no futebol, não ocorre aceitação da mulher, é algo ultrapassado. “Em 11 anos trabalhando no mundo do futebol, nunca sofri com nenhum tipo de preconceito”.

“Sinto que há desconfiança”, diz repórter

Já para a repórter da TV Coxa, Jaqueline Baumel, a situação não é a mesma. Jaqueline conta que, desde 2014, quando começou a trabalhar no meio do futebol, algumas pessoas já desconfiaram de sua capacidade de conhecimento pelo fato de ser mulher. “Não dá pra negar que o futebol ainda é um ambiente predominantemente masculino. Sinto que ainda há desconfiança em relação ao conhecimento das mulheres sobre futebol e uma visão errada sobre nosso real interesse em atuar na área”, diz. “Já teve gente que se mostrou desconfiada em relação a minha capacidade de entender sobre futebol, infelizmente”, acrescenta.

Monique Vilela em cobertura no estádio Couto Pereira / Foto: Facebook Monique Vilela

Nas arquibancadas as mulheres também estão cada vez mais presentes. Isso levou os clubes da capital paranaense a criarem alguns benefícios para elas – atualmente, no quadro de sócios, há 19% de mulheres. O Coritiba, por exemplo, disponibiliza um plano de sócio com um preço mais em conta para as torcedoras. No mês de março, considerado o “mês da mulher”, o clube apresenta promoções e ações especiais para elas.

O mesmo faz o Paraná Clube, que, em uma ação de marketing pelo Dia Internacional da Mulher, viabilizou a entrada gratuita de mulheres no estádio na partida contra o Bahia, válida pela Copa do Brasil. Já o Atlético-PR, que em 2012 lançou a campanha de sócios “Eu te sigo em toda parte”, destacando torcedoras na campanha, neste ano fez uma promoção de meia-entrada para elas no jogo da Copa Libertadores contra a Universidad de Chile.

A torcedora coxa-branca Aline Rigon conta como é a vida relacionada ao futebol. “Sempre deixei claro o quanto gostava de futebol e o quanto gostava de estar presente no es´tadio. Todos sempre souberam disso e sempre me apoiaram”.

Porém, para Aline, a vida de torcedora tem o outro lado, que ainda enfrenta o preconceito daqueles que acreditam que mulher não entende de futebol. “Eu mesma já escutei que eu não entendia nada do assunto pelo simples fato de ser mulher. É complicado, sim, porém, procuro não deixar isso me abalar. Eu cresci nesse meio, tenho consciência que entendo de futebol e, se é algo que me faz feliz, é isso que importa. Não deixo esse tipo de coisa me afastar do futebol”.

Torcedora Aline Rigon no jogo do Coritiba/ Foto: Thayná Paim

Mulheres investem na carreira de atleta

Muitas mulheres também se interessam pela prática do esporte. A estudante de Educação Física e ex-atleta amadora Sandy Borba, que começou sua carreira no São Paulo e disputou Campeonato Paranaense por Coritiba Cancun e Atlético Paranaense, conta que, no começo da carreira, sofria com preconceito por parte da própria família. “Os meus avós sempre falavam que menina jogando bola vai ficar parecendo um menino, vai ficar feio. E também ouvia dos pais dos meninos que questionavam os filhos por deixar uma menina marcar gol no time deles”, relata.

Sandy também descreve a dificuldade em encontrar o material que procura para praticar futebol. “Quando você vai procurar em um site de esportes, você abre a página feminina e tem todos os tênis de corrida; mas, quando abre o masculino, tem todas as chuteiras; ou seja, futebol é para menino”.

As equipes pelas quais Sandy disputou competições oficiais não apoiaram o clube feminino da mesma forma que fazem com as categorias de bases masculinas. “Eram todas as meninas de todas as idades treinando juntas. Com o passar do tempo, o time foi crescendo e conseguimos dividir as categorias até formar um time adulto, mas sempre vendendo rifas para poder viajar, comprar material e outras coisas. O clube nunca incentivou ou destinou alguma verba para a equipe feminina”.

A atleta também demonstra seu desapontamento por não existir uma equipe representando o futebol feminino na UFPR. ” Uma universidade federal, com todas as modalidades com times femininos e masculinos, menos futebol feminino, é triste”.

 

Cresce o número de jogadoras nas quadras de futebol

Quem joga o futebol amador com os amigos não se surpreende mais em ver times femininos jogando também. As quadras e campos sintéticos estão sendo ocupados por elas, e o número de jogadoras aumentou nos últimos anos.

De acordo com Anderson Uniatti, dono de uma quadra de futebol de salão localizada no bairro Capão da Imbuia, a procura delas cresceu significativamente nos últimos anos. “Tem três times femininos que jogam aqui regularmente, geralmente duas vezes na semana’. Ao ser perguntado sobre a diferença no número de homens para mulheres que jogam, Anderson conta que a diferença ainda é significativa, mas vem caindo.

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