(Foto: Maurilio Cheli/SMCS)
Aumenta número de trabalhadores haitianos em Curitiba

Cerca de 8 mil moradores do país se instalaram no Paraná nos últimos anos.

Por Jéssica Aline Cipolla Felici; Maria Cecília Terres Zelazowski; Vanessa Barbosa Bononi; Vanessa Gavilan Mikos

O número de haitianos que moram no Paraná – que passou a subir desde o terremoto que matou 316 mil pessoas naquele país, em janeiro de 2010 – se expandiu bastante nos últimos anos e já chega a aproximadamente oito mil, segundo o governo do estado. Eles vêm para o Brasil para recomeçar a vida e encontrar oportunidades de trabalho, e recebem assistência de projetos voluntários e governos.

A Pastoral do Mi­grante, iniciativa da Igre­ja Católica em Curitiba, trabalha na acolhida e orientação de migrantes, imigrantes, deportados e refugiados no Brasil, com ações nas áreas social, política, cultural, religiosa e ecológica. No campo de trabalho, há parceria com empresas e auxílio na emissão de documentos.

Coordenador do trabalho, o padre Agler Cherisier  diz que o maior problema dos haitianos é a remuneração. “Muitos deles recebem um salário inferior e trabalham mais horas do que os empregados brasileiros”, diz.  A maior preocupação é não conseguir empregos melhores, já que alguns sofrem preconceito no trabalho. Apesar disso, a maioria está satisfeita, afirma o padre.

Para o haitiano Wilghen Cavalier, trabalhador da construção civil, a maior dificuldade é se adaptar à comida brasileira e aos gastos para mantê-la. “A comida aqui é muito cara. Eu gasto mais do que ganho com o vale. E também como sempre arroz com feijão; enjoa”.

Em Curitiba, a lanchonete Kharina possui cerca de 40 empregados haitianos em sua equipe. Por meio da assessoria de imprensa, a empresa declarou que eles são educados e esforçados. Devido à eficiência, alguns se tornam líderes de equipe e funcionários do mês. De acordo com a lanchonete, eles foram bem recebidos pelos colegas brasileiros e alguns  fizeram amizades fora do grupo. Apesar da dificuldade com o idioma, a maioria já fala português e consegue ter uma boa relação com os clientes.

O garçom Richardson Dieudonne afirma que o Brasil é um país de oportunidades. “Para a gente, que vem do Haiti, é bastante vantajoso. A gente ganha melhor e consegue ajudar a família que ficou lá. A parte ruim é que a nossa formação não tem valor aqui. Aí acabamos sempre indo para um serviço mais pesado”.

Auxiliar de limpeza no Aeroporto Internacional Afonso Pena, a haitiana Shedna Derival elogia a receptividade brasileira. “As pessoas no Brasil nos recebem bem, acreditam na gente. Nos dão oportunidade de emprego e até nos cumprimentam na rua.  Aqui eu me sinto mais humana”.

A Agência do Trabalhador de Curitiba informou que os setores que mais empregam os haitianos são os de construção civil e serviços gerais.

 

Universidades oferecem formação

O Ministério Público do Trabalho do Paraná (MPT-PR) fechou um termo de cooperação com a Universidade Federal do Paraná (UFPR) para realizar o programa de extensão universitária “Política migratória e Universidade brasileira”, dirigido pelo professor José Antônio Peres Gediel. O projeto atua em quatro frentes principais: oferece apoio jurídico a refugiados e migrantes; aulas de língua portuguesa para estrangeiros; atendimento e apoio psicológico; e cursos de informática aplicado para as necessidades mais comuns dos migrantes, como a redação de currículos.

Os cursos e atendimentos são gratuitos para os estrangeiros e funcionam atualmente por meio de trabalho voluntário – donde a necessidade do auxílio oferecido pelo MPT-PR para o financiamento, sobretudo das bolsas de monitoria. Há uma verba de R$ 150 mil, que está pendente de aprovação por parte do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Já a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) oferece o projeto ‘’Português para Estrangeiros’’, em que o foco de atendimento é ao público haitiano residente na Vila Torres, região do entorno da universidade. Há três grandes objetivos: estimular o conhecimento e as habilidades de produção e compreensão oral do português; desenvolver estas capacidades para produção de gêneros textuais carta de apresentação e currículo, com o intuito de preparar os alunos para inserção no mercado de trabalho; e abrir a possibilidade de campo de estágio para os alunos de letras português/inglês da PUCPR.

Para orientar os agentes públicos sobre os direitos e deveres das pessoas que solicitam refúgio ou migram para o estado, o governo do Paraná criou em 2012 o Comitê Estadual de Refugiados e Migrantes (CERM), integrado por representantes do governo e instituições sociais. É coordenado pela Secretaria de Estado da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos.

IMG_5121Haitianos trabalhando na reforma do estádio Joaquim Américo Guimarães. Foto por: Maria Cecília Terres

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