Crise leva consumidor a cortar gastos com lazer

Devido à recessão, público tem optado por formas mais baratas de se divertir

Por Gabriela Savaris, Guilherme Almeida, Joshua Raksa e Larissa Santin

A área de entretenimento é uma das mais prejudicadas pela diminuição dos gastos da população, segundo dados fornecidos pela Associação de Comercio do Paraná (ACP). Em decorrência da crise, a atividade econômica tem diminuído e a produção está em queda, gerando um alto índice de desemprego. Com esse cenário nada favorável, muitas pessoas optam por reorganizar as prioridades, cortando gastos. No topo da lista de cortes, está o lazer e o entretenimento.

Em pesquisa feita pela Boa Vista Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), 39% dos entrevistados tomaram a decisão de ajustar o orçamento doméstico, diminuindo ou cortando os gastos com entretenimento. A SCPC constatou que o corte nos gastos com o lazer foi maior entre as mulheres e na classe A/B. A economia com entretenimento só não foi maior que a de luz e água, que, juntas, tiveram corte de 18%, entre os entrevistados.

O portal Comunicare também fez uma pesquisa com 90 pessoas sobre a crise do entretenimento. Confira o resultado:
acham que acrisea média de cortebares e baladaspararam de gastar

O economista Yedmar de Carvalho Lopes explica que a crise funciona como um ciclo vicioso, quando a oferta se torna maior que a demanda, e a tendência é fazer com que o preço do produto diminua e consequentemente, a produção comece a dar sinais de estagnação. Desse modo, as empresas precisam demitir funcionários e cortar despesas. Para Lopes, o setor do entretenimento é especialmente afetado, pois ele não se encaixa na pirâmide de necessidades prioritárias do cidadão comum. “Uma pessoa pode trocar uma ida ao cinema por alugar um filme, por exemplo”.

A psicóloga Andrea Toneli Rodrigues conta que passou a economizar na área de entretenimento para poder equilibrar o orçamento doméstico, que, devido à crise, estava bastante afetado. “Infelizmente, diminuímos a frequência de passeios a shoppings, cinemas e, principalmente, restaurantes, pois as contas estavam começando a ficar apertadas”.

Andrea relata que a economia foi em torno de R$ 1 mil e que, no momento, tudo o que é relacionado a lazer é feito apenas com atividades que não demandam gastos.

Empresas sentem impacto da mudança de hábitos

Essa mudança de habito dos consumidores tem gerado preocupação por parte de empresas desse setor e muitos já puderam constatar uma queda na atividade econômica dos estabelecimentos. A administração do Big Bowl, boliche em Curitiba, revela que houve queda no lucro e na frequência dos clientes de 30%.

Outro local de boliche na capital, Strike 7, reconhece que a empresa sentiu dificuldades com a crise. O número de clientes diminuiu drásticos 50% durante a semana. Ambos os estabelecimentos aderiram à veiculação de promoções e companhias de compra coletiva, como uma tentativa de contornar a crise.

Exceção: cinema e Airsoft conseguem crescer em meio à crise

Por outro lado, nem todos os nichos do entretenimento foram afetados, é o que afirma o gerente do Cineplax Novo Batel, Leolindo Mario. “O setor de entretenimento ganha com a crise. Ou, pelo menos, não perde, pois o entretenimento é o oposto da crise.” diz Mario.

Segundo o gerente, o Cineplax pode constatar um aumento de 30% nas bilheterias de 2015 para cá. “O público dos últimos três anos para cá se manteve o mesmo e até aumentou. As pessoas deixam de comprar uma pipoca, um refrigerante, mas não deixam de vir ao cinema”.

O dono da Airsoft Company, Douglas Natal, declara que a crise não afetou de modo significativo o estabelecimento. Apesar de clientes, que, antes, eram frequentadores, agora não retornarem com frequência, o público no geral aumentou. Natal relaciona os novos jogadores com a popularização do esporte. O empresário explica que, mesmo com o aumento do preço dos equipamentos, não foi necessário aumentar o custo dos pacotes.

Lugares ideais para se visitar em Curitiba

O Portal Comunicare listou algumas opções de locais para se divertir na capital paranaense. Confira na lista abaixo:

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