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Crítica: ‘Eu, mamãe e os meninos’

Escrito, dirigido e interpretado por Guillaume Gallienne, o premiado filme mostra problemas e conflitos do ator com sua sexualidade

Caio Porthus

“Meninos e Guillaume, está na mesa!” era a forma como a mãe do personagem principal (também interpretada por Guillaume Gallienne em boa parte do filme) chamava seus filhos na hora das refeições. Apenas essa parte já é suficiente para perceber que a trama principal do filme envolverá a sexualidade do personagem principal.

‘Eu, mamãe e os meninos’, foi amplamente reconhecido. Maior vencedor da principal premiação do cinema francês, o César, o filme levou para casa os troféus de melhor ator, roteirista, filme, edição e melhor filme de estreia como diretor. No Festival Varilux, que se encerrou na última quarta-feira (16), o longa foi um dos destaques.

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‘Eu, mamãe e os meninos’ trabalha com temática do conflito relativo à descoberta da sexualidade. Foto: divulgação.

O filme, que surgiu originalmente como um monólogo autobiográfico. Em sua primeira cena vemos o ator limpando sua maquiagem, para que, diante de uma grande plateial, possa contar sua história sobre os conflitos de sua sexualidade durante a infância e a adolescência sem nenhuma máscara.

“O que fazer quando todos já decidiram o que você é?”. Com essa pergunta, o filme ganha sua tônica e se desenvolve, com o personagem principal sendo considerado uma menina, antes mesmo que possa ter maturidade o suficiente para definir sua personalidade.

A comédia do filme é leve, sem bandeiras, e realmente diverte os espectadores. Méritos para o ator, que interpretando ele mesmo, e sua mãe, consegue convencer o público de que a história de fato aconteceu. Tendo-a como modelo, Guillaume tenta cada vez mais ficar parecido com ela, o que acaba desenvolvendo um grande problema no decorrer de sua vida. Com o tempo, e depois de várias experiências, o personagem vai entendendo sua sexualidade, e aprendendo a lidar com ela. De acordo com um dos personagens do filme, Guillaume entende e gosta tanto das mulheres, que pode até ser considerado ‘lésbica’.

Com 85 minutos, ‘Eu, mamãe e as crianças’ diverte e prende quem o assiste. Bastante original e divertido, reserva até mesmo surpresas para o final, que não tem nada de clichê. Vale a pena ser visto e revisto.

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