Filme romântico de encantou público. Foto: divulgação.
Crítica: um retrato inusitado do amor

Um Amor em Paris transforma um roteiro aparentemente clichê em uma história com um desenrolar surpreendente

Beatriz Peccin

Tratando de amor, relacionamento e traição, um filme que tinha de tudo para se tornar um clichê surpreende pela leveza na abordagem do tema e no pelo ponto de sustentação de uma trama de quase duas horas de filme: o amor de longo prazo. O amor de Brigitte (Isabelle Huppert) e Xavier (Jean-Pierre Darroussin) é real e ao mesmo tempo ideal.

Eles são casados há muitos anos e criam gado na França, têm uma boa vida, mas algumas coisas mudam depois da saída dos filhos de casa. Brigitte, então, sente o peso da rotina e começa a procurar por novas experiências,

Protragonista abandona vida idílica para se lançar ao inusitado. Foto: divulgação.

Protragonista abandona vida idílica para se lançar ao inusitado. Foto: divulgação.

mas.  receosa, prefere esperar algo acontecer. Em uma festa de aniversário na casa de sua vizinha adolescente ela conhece um rapaz mais novo e cria uma fantasia que se torna real o suficiente para mentir ao marido sobre uma consulta médica. Ai nos deparamos com mais uma surpresa: lá ela encontra um senhor dinamarquês que transforma a Brigitte acatada e envergonhada da Normandia em um senhora decida a ser feliz em Paris.

O filme do diretor e roteirista francês Marc Fitoussi  já emplacou a premiada produção de Copacabana, que contém elementos parecidos com Um Amor em Paris. Com a fabulosa Isabelle Huppert como protagonista, ambas as obras tratam de uma mulher que quebra convenções sociais e ao mesmo tempo é voltada a família, a fantasia sempre centrada na realidade e a quebra de preconceitos e conceitos tradicionais da nossa sociedade. Assim

como Copacabana, essa produção é característica do cinema francês com suas reflexões e quebras de paradigmas, além de uma pitada de romance idealista norte americano, através músicas e da construção do imaginário da personagem.

Um Amor em Paris é um  filme que o público já desprezaria pelo nome e pela sinopse. Porém, se for seguido o  princípio básico de qualquer amante do cinema e o espectador se despidir de todos os pré-conceitos e permitir-se ser surpreendido pelo espetáculo ou pela tragédia, é garantido a ele um mix de comédia, romance e drama. Não há como não se apaixonar pela linda senhora Brigitte e não torcer pela felicidade dele, seja com o garotão da loja de roupas, o professor de odontologia ou com o marido vaqueiro.

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