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Crítica: ‘Uma Viagem Extraordinária’ aborda a reconstrução da família após uma trágica morte.

Longa em 3D nos mostra uma viagem sob a ótica de menino de dez anos

Daniele Dalla Libera Alcoléa

Filme traz público para a vida de um garoto com família desfuncional. Foto: divulgação.

Filme traz público para a vida de um garoto com família desfuncional. Foto: divulgação.

Jean –Pierre Jeunet nos apresenta o garoto prodígio T.S. Spivet, e através da visão deste menino de apenas 10 anos de idade nos leva para uma viagem que diverte e emociona. O longa conta a história da empreendedora jornada de Spivet para receber o prêmio de ciência da Universidade Smithsonian em Washington. O que torna esta empreitada uma aventura é que os responsáveis na universidade não sabem que estão premiando um gênio tão precoce.

Um pai ausente, na figura do cowboy americano (Callum Keith Rennie), uma mãe ocupada e distraída com suas pesquisas (Helena Bonham Carter), uma irmã que somente pensa em si (Niamh Wilson), Spivet possuía somente um amigo e companheiro seu irmão gêmeo dizigótico Layton (Jakob Davies), após sua morte, uma grande tragédia que mexe com todos os membros da família até com o seu cachorro Tapioca, ele se vê sozinho e pensa que é menos amado que seu irmão.

Ao receber o telefonema da diretora de Smithsonian (Judy Davis), vê a oportunidade de chamar a atenção da família e mostrar que é tão bom e forte quanto seu idolatrado irmão. Saindo de um pequeno rancho em Montana ele embarca num trem, a única amostra de civilização neste lugar isolado, cruza os Estados Unidos, e aventura-se sozinho até Washington D.C.

Jeunet explora perfeitamente os detalhes usando a tecnologia 3D, que dá um toque sensível e muito primoroso ao trabalho do diretor que é conhecido pelo seu lúdico “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”. A atuação de Kyle Catlett (T.S Spivet) é encantadora, se tratando de sua estreia no cinema. Rosto conhecido de filmes de Jeunet, Dominique Pinon é uma bela surpresa no longa, compondo um encontro bem divertido durante a jornada solitária do menino.

A tragédia é retratada de forma delicada, e o silêncio sobre o acontecimento é o que influência todos da família, principalmente Spivet que estava com seu irmão no momento do acidente, e por isso se sente o responsável. Além de abordar a tragédia que toca em uma ferida americana que é a posse de arma de fogo, ele trabalha todo o pós e o que isto refletiu no comportamento dos personagens.

O filme é baseado no livro de Reif Larsen “O Mundo Explicado por T.S. Spivet”, e está em cartaz pelo Festival Varilux de Cinema Francês.

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