(Foto: Cido Marques/FCC)
Curitiba faz Carnaval com 2% da verba do Rio

Escolas de samba da cidade reclamam de falta de apoio; FCC diz que verba cresce

 Por Fernanda Menucci

O financiamento público reduzido do carnaval de Curitiba, inferior aos de muitas outras capitais do país,  faz com que ae escolas de samba da cidade tenham dificuldade de manter as atividades ao longo do ano. O investimento para a festa não chega a 2% do valor repassado ao carnaval do Rio de Janeiro, que arrecada quase R$ 35 milhões junto ao governo e é o maior do país, nesse quesito.

No total, a prefeitura de Curitiba gastou R$ 540 mil com o evento, valor bastante inferior também aos de São Paulo (R$ 33 milhões) e Salvador (R$ 30 milhões). Os dados se referem ao Carnaval de 2013, foram levantados pelo UOL e incluem gastos com infraestrutura, cachês de artistas, festas, publicidade, pagamentos extras a servidores e transferências a agremiações e blocos.  Já a Fundação Cultural de Curitiba (FCC) aponta que o repasse feito às agremiações da cidade em 2013 foi de R$ 153,2 mil.

Os valores repassados pela FCC subiram para R$ 322,9 mil, em 2014;  e R$ 399 mil, neste ano. O montante se refere aos repasses feitos pela Fundação Cultural de Curitiba para as escolas de samba, atrações de abertura e eleição de Rei Momo, Rainha e Princesa, além do desfile do “rancho das flores”.

Nem todas as escolas têm a verba aprovada anualmente e algumas deixam de desfilar. Nos últimos dois carnavais, foram disponibilizados repasses para as sete escolas de samba; em 2013, porém, foram aprovadas para apenas três.

 

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Escolas enfrentam dificuldades

Presidente e fundador da escola de samba Imperatriz da Liberdade, de Curitiba, Jefferson Pires diz que a escola tem dificuldades para manter suas oficinas durante o ano, por causa da falta de espaço e verbas. O local que usa para os ensaios da escola é emprestado. Ele conta que, em 2014, aos sábados, dava oficinas de percussão em um espaço público e que o dinheiro da gasolina e do frete dos instrumentos era retirado do próprio bolso. Em outro ano, deu oficinas a uma escola, e, segundo ele, havia muitos jovens interessados; mas por falta de espaço, o projeto foi interrompido. “A gente não consegue trazer um benefício maior para a comunidade porque a gente não tem estrutura”.

Jefferson conta que profissionais de várias áreas o procuram para dar aulas na escola, desde professores de inglês e italiano até informática e corte e costura. “O pessoal quer se oferecer para fazer alguma coisa pra comunidade. Tem professores que querem dar aula, mas não tem como, porque não espaço”.

Para o sambista e compositor curitibano Marcos Mano, as escolas de samba ainda têm a característica de “fundo de quintal”. Para ele, apesar do aumento da verba nos últimos anos, os repasses ainda são deficitários. O Estado ou a Prefeitura deveriam pensar nas escolas de samba como polos de cultura e de formação profissional. “É uma coisa que agrega muitas pessoas e que, se for bem trabalhada, pode mudar a realidade de muitas comunidades”.

Na visão de Marcos, no entanto, a pequena proporção do carnaval curitibano não se deve apenas à falta de verba pública e de locais disponíveis para as escolas, mas também ao amadorismo dos dirigentes que administram as escolas.

 



 

Carnaval do Rio é o mais rico do país

No Rio de Janeiro, o financiamento de escolas de samba vai muito além das verbas públicas. Nesse processo, entram também investimentos de empresas, inclusive internacionais.

A marca suíça Nestlé, por exemplo, patrocina a escola de samba carioca Tijuca. Já a Unidos da Tijuca teve a ajuda, estimada em R$ 12 milhões, do governo da Suíça e de oito empresas. A Beija-Flor recebeu R$ 10 milhões do governo da Guiné Equatorial para falar da África neste ano.

Professor da Universidade de Brasília (UnB), Alexandre Pereira Rocha afirmou, em entrevista concedida para a rádio EBC, que o alto financiamento da Prefeitura do Rio de Janeiro para o carnaval se reverte em ganhos de receita com turismo e emprego. Ele defende que existe um mercado que envolve o Carnaval e que requer preparação durante o ano todo. Para ele, o Rio de Janeiro já conta com uma estrutura de indústria em torno da festa.

No entanto, segundo ele, não há transparência no uso dos recursos repassados.

 

 

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