Curitibanos opinam sobre nova proposta da Bienal de arte da cidade

Segundo a organização do evento, o foco desta edição será aproximar a arte dos cidadãos

Taís Arruda

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A partir do dia 31 de agosto, as ruas de Curitiba ganharão um toque especial. Trata-se da Bienal de Curitiba, que começará no próximo sábado e se estenderá até o dia 1º de dezembro. Nesta edição a proposta é inovadora: haverá uma busca pela aproximação entre a arte e os cidadãos através de ações que “ganharão o espaço urbano”. A redação do Portal Comunicare saiu às ruas da capital paranaense para saber o que os curitibanos pensam sobre o novo modelo da Bienal.

O músico Plá, famoso na cidade pelo teor cicloativista de suas letras, entusiasmou-se com a ideia. “A arte é para estar entre as pessoas. Tem que estar na rua, nas praças, nos lugares em que o povo transita. Se fica só no museu, fica empoeirando, enferrujando, apodrecendo. Eu acho super positiva essa ideia e acho que demorou muito para ser pensada”, opina. Outros acham que a arte precisa ser disseminada entre todos os residentes de Curitiba, porém, têm suas ressalvas. É o caso do piloto comercial aposentado Joaquim Carvalho. Para ele, a impunidade que impera no país pode fazer com que as obras expostas sejam roubadas. “Se isto for trazido às ruas, da maneira como vivemos hoje no país, em que a impunidade corre solta, todo mundo vai roubar os acervos trazidos às ruas para pagar suas contas, comer ou satisfazer o vício”, julga.

Ainda há aqueles que discordam da medida e pensam que lugar de arte é no museu. É o caso do gari Giuverci Julião. “Eu acho que perde a graça. Na rua fica esquisito”, conta.

Arte na escola

A organização da Bienal de Curitiba ainda prevê uma série de ações para aproximar o aluno da rede pública de ensino da arte, como palestras e mesas-redondas. As opiniões de educadores quanto à proposta divergem. O professor da rede municipal Sandro Luis Fernandes tem uma visão pessimista do projeto. “Os alunos, na sua maioria, não desenvolveram capital cultural para apreciar esse tipo de manifestação cultural e artística. E no caso de muitos alunos da rede pública isso fica distante deles fisicamente falando”, afirma.

Já Martinha Vieira, responsável pelo departamento de arte e cultura de um colégio particular da capital vê a medida como benéfica não somente pelo viés artístico, mas também pelo social. “Democratizar a arte é devolver direitos à comunidade local. […] Penso que a rede pública de ensino deve ser prioridade nessa meta de formação e experimentação estética, já que grande parte desses estudantes são prejudicados pela elitização da arte”, diz.

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