Cyberbullying: veja como evitar prejuízos ao rendimento escolar

Em silêncio, crianças e jovens são atormentados por ataques dos colegas de escola que acontecem na internet. Especialistas alertam sobre como o bullying pode afetar o rendimento dos alunos na escola

Por João Henrique Costa e Karine Séraphin

Em agosto, o Tribunal de Justiça decidiu proibir o aplicativo, mas voltou a liberá-lo nos últimos dias | Foto: João Henrique Costa

Atos intencionais de violência física, abuso moral e psicológico, ameaças, chantagem e insultos. Estas são algumas das agressões que as vítimas de bullying passam ao longo da vida escolar. O termo, de origem inglesa, denota condutas agressivas para intimidar e atormentar uma pessoa. Com o avanço da internet, surgiu uma variante da prática: o cyberbullying. Por meio de plataformas digitais, como redes sociais, blogs e aplicativos para dispositivos móveis, os agressores encontram um caminho mais instantâneo para atingir o alvo. Para especialistas, a vulnerabilidade da vítima e o anonimato dos agressores facilitam ataques.

No cotidiano escolar, os abusos preocupam ainda mais pais e educadores. A prática causa um grande impacto emocional que compromete o rendimento e faz com que o comportamento do aluno mude drasticamente. Uma estudante de 17 anos de um colégio particular de Curitiba contou à reportagem sobre dois casos de bullying onde estuda.  O primeiro, segundo ela, trata-se de um garoto acima do peso que sofria agressões verbais de colegas. No outro caso, uma menina, por não fazer parte do círculos de amizade, era alvo constante de piadas e comentários maldosos, o que fez com que ela mudasse de escola.

Renildes Chiquito, pedagoga do Colégio Estadual Jayme Canet, explica que nem sempre os casos chegam ao conhecimento da coordenação pedagógica. Segundo ela, as agressões são, na maioria das vezes, realizadas em grupo. O colégio também convoca os responsáveis dos envolvidos, faz registro do ocorrido e acorda com os pais que o episódio não voltará a acontecer. “Caso ocorra novamente, a escola orienta os responsáveis da vítima a fazerem o boletim de ocorrência”, destaca a pedagoga.

O que os pais devem fazer

Cristiane Bredow, psicopedagoga, diz que os pais precisam ficar atentos a alguns sinais e estar em sintonia com a escola. Sintomas como isolamento, timidez, agressividade e baixo rendimento escolar podem indicar abusos sofridos pelo aluno.

Cristiane também aponta algumas medidas que a escola deve tomar para evitar casos de abuso. “Realizar trabalhos contínuos, como roda de conversa junto a vítimas, agressores e famílias. Repassar à coordenação todos os casos de alunos isolados e alunos que atacam os colegas com ofensas verbais e físicas, e realizarem os devidos encaminhamentos e ajudas”, aponta a psicopedagoga.

A técnica-pedagógica do Núcleo Regional de Educação, Marilene Parmezan, salienta a importância de trazer os pais para dentro do ambiente escolar e orienta os responsáveis da vítima a procurarem ajuda especializada. E também de uma parceria entre a rede municipal e a rede estadual de ensino para que o aluno que sofra bullying tenha um acompanhamento psicológico contínuo.

“Nos municípios, há redes de proteção, com equipes multidisciplinares e centros de referência de assistência social. A própria escola tem o dever de encaminhar os pais. Há assistente sociais do município para os pais que não têm condições financeiras. Há programas, mas os pais precisam conhecer para procurar”, conclui Marilene.

Segredos e anonimato

Recentemente, um aplicativo chamado Secret causou polêmica. Nele, os usuários criavam postagens anônimas que eram compartilhadas com amigos, amigos de amigos ou publicamente. O cadastro era realizado com um número de telefone e endereço de e-mail, ou se conectando via Facebook. Com o aumento nos casos de bullying difundidos no aplicativo, o Secret foi retirado do ar, em 19 de agosto, por uma decisão do Tribunal de Justiça do Espírito Santo, aplicada em todo o país. A determinação era de que Google, Apple e Microsoft removessem o Secret (Cryptic, no caso da Microsoft) de suas lojas virtuais.

No entanto, após ações do Google e Microsoft que recorriam da decisão judicial, o TJ-ES voltou a liberar os aplicativos nas duas lojas. A alegação, por parte das empresas, é de que há a possibilidade de identificação dos autores das postagens, por causa do IP de cada usuário.

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