Catraca
Denúncias de crimes nos ônibus em Curitiba crescem 62%

“Fura-catracas” impedem compra de dois biarticulados novos todos os anos, diz Setransp

Por Jéssica Zielinski Nunes

O número de denúncias de invasões, assédios, assaltos e furtos, aumentou em 62% em Curitiba, segundo dados da Guarda Municipal e do Setransp (Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana). Em 6 de fevereiro, a Guarda iniciou operações da patrulha para combater os crimes.

Os fura-catracas, como são conhecidos os invasores que não pagam a tarifa, têm gerado prejuízos que chegam a R$ 4,5 milhões anuais para Curitiba, que poderiam ser investidos em dois novos biarticulados por ano, diz o Setransp.

O sindicato realiza pesquisas todo o ano, em março e agosto, contabilizando números de invasões no transporte coletivo. De acordo com a pesquisa de agosto de 2016, foram constatadas 3.790 invasões em apenas um dia. Quem mais pratica o ato são estudantes, sendo o maior alvo a estação-tubo do Passeio Público, próxima ao Colégio Estadual do Paraná.

Um cidadão que já pulou a catraca, e que prefere permanecer anônimo, revela que realizou o ato por não ter dinheiro suficiente para pagar a passagem, mas diz que nunca agrediu ninguém e, quando foi solicitado que descesse do ônibus, obedeceu. Ele afirma saber que é errado e alguém sempre sairá prejudicado.

O motorista Marciano Rodrigues, 46 anos, trabalhador há 25 anos do transporte coletivo, diz que já presenciou muitas vezes a ação dos fura-catracas. “Procuro sempre conversar, mas, somente quando ameaço chamar a polícia, é que eles descem”.

“Quando eu era adolescente, meus amigos de escola costumavam com certa frequência furar a catraca, e em muitos casos, os motoristas e cobradores acabavam enfrentando os praticantes”, conta a estudante Paula Kristina Nascimento, 22 anos, usuária do transporte coletivo.  

Ela diz que muitas vezes é por diversão que se pratica a infração, pois os alunos estão na fase da adolescência e não percebem as consequências da prática. Paula Kristina acredita que, com o aumento da passagem, os usuários do transporte estão revoltados e também acabam cometendo este ato como forma de protesto.

 

Setransp orienta motoristas a não reagir

A assessoria de imprensa do Setransp afirma que os motoristas e cobradores são orientados a não reagirem a tais invasões, não tomando o poder de polícia a si, pois já ocorreram casos de agressão por parte de invasores. Para se evitar este tipo de ação, é necessária mais conscientização, além de mais segurança na saída de colégios e mais educação por parte dos usuários.

 

Como denunciar

Para denunciar invasões, assim como assédios, assaltos e furtos nos ônibus da cidade, a Guarda Municipal disponibiliza o número 153, que pode ser acionado de qualquer telefone com atendimento 24 horas.

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