Com a crise financeira o número de pessoas tirando carteiras de motoristas diminui em Curitiba l crédito: Yasmin Graeml
Preço reduz procura por primeira habilitação em Curitiba

Obrigatoriedade de simuladores e a crise econômica afeta matrículas nas autoescolas

Por Isadora Look, Larissa Sena e Yasmin Graeml

Dirigir deixou de ser uma prioridade na vida de muitos curitibanos, devido ao alto custo para tirar a primeira habilitação. Todo o processo atualmente custa em torno de R$ 2,3 mil, isso sem eventuais reposições de aulas e custos com reprovações. Desde o final de 2015 o Detran PR exige, além de aulas teóricas e práticas, o uso de um simulador de trânsito, o que aumentou em torno de R$ 300 o custo do documento.

Nos últimos anos, o número de novas carteiras de motorista registradas no Detran de Curitiba vem caindo. Em julho de 2016. o número de novas habilitações foi 14.305, já em julho de 2017 o número registrado foi 9.731.

A gerente da autoescola Silva, Katia Gibon, conta que o movimento caiu cerca de 40% e que isso resultou na demissão de 10% da equipe. Para ela o simulador só aumentou os preços e não era de extrema necessidade. “Eu acho que o Detran poderia deixar o simulador como algo extra, para os alunos que não se sentem seguros em ir direto para rua terem a opção de fazer e não colocar como algo obrigatório.”

Número de novas habilitações em Curitiba nos últimos três anos l crédito: Isadora Look Número de novas habilitações em Curitiba nos últimos três anos l Crédito: Isadora Look

A estudante Amanda Cristine Gallina,18 anos, conta que teve que adiar o sonho de dirigir por não ter condições financeiras de pagar todos os custos para tirar a carteira. “Eu realmente queria começar a autoescola; afinal, é um sonho de quem faz 18 anos. Mas, infelizmente se tornou muito difícil, devido ao aumento dos preços, isso sem falar nas taxas do Detran e em uma possível reprovação, que envolve comprar mais aulas e pagar de novo”.

O Sindicato dos Centros de Formação de Condutores (Sindicfcp) afirma que os altos preços não têm relação direta com o simulador, pois a resolução 543 do CONTRAN substituiu até 8 horas de aulas prática de direção veicular, em via pública, por aulas ministradas em simulador de direção e que a nova tecnologia pode ajudar futuros motoristas.

“Os simuladores simulam vias públicas, estradas e rodovias, em ambiente seguro e controlado com maior segurança. Permite também ao candidato simular a condução do veículo em condições adversas de tempo (chuva, neblina, granizo, penumbra, aquaplanagem etc.), condições adversas de condutor (fadiga, álcool, drogas etc), além de animais nas vias”.

 

Instrutores lucram com aulas para habilitados

Além dos altos preços, uma das grandes reclamações em relação às autoescolas é que muitos alunos não se sentem prontos para dirigir mesmo estando habilitados. Isso acabou abrindo um novo nicho para instrutores desempregados ou que precisam de uma renda extra.

A instrutora Rosangela Cristina Dering trabalha com aulas de reciclagem, ou seja, aulas de direção para pessoas já habilitadas que devido a insegurança não dirigem. Ela conta que os principais motivos que fazem com que ela seja procurada é o medo, a insegurança e traumas por ter passado ou ocasionado algum acidente. As aulas focam o que o aluno precisa: ele define os caminhos e o que está precisando treinar já que o foco não é mais o teste do Detran.

Rosangela ainda explica que “as autoescolas cumprem rigorosamente as determinações do Contran, nada pode ser feito sem que esteja normalizado. Portanto, cabe a este órgão criar mecanismos para melhorar a formação dos condutores”.

Carolina Ribas, 19 anos, conta que fez a autoescola já com o simulador, mas achou que a nova tecnologia não a ajudou. Ela também comenta que não se sentiu pronta para dirigir, mesmo depois de passar por todo o processo. “Fiquei três meses só dirigindo acompanhada e aprendi mais com a minha mãe do que na autoescola. As aulas são muito utópicas, você só aprende o que cai no teste. Por exemplo, a baliza só treinamos com os seis metros do Detran e, quando dirigimos na rua, encontramos todos os tamanhos de vagas”.

A instrutora da autoescola Direção Edna Felix de Oliveira afirma que o número de aulas é muito pequeno para que a pessoa tenha confiança no volante e que muitas vezes estas aulas estão focadas apenas em passar na prova prática. “Vinte aulas práticas é muito pouco e a maioria realmente não quer investir em mais aulas. E sem contar o fato de que tem instrutor que só ensina o básico para passar e não auxilia para vida do condutor”. Para Edna, a boa vontade do instrutor é o que faz ou não a autoescola valer a pena.

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