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Escolas investem em livros populares para atrair alunos à leitura

Livros de ficção e aventura são os mais procurados por alunos

Por Sarah Lima

Em reação a baixos resultados dos índices de leitura no Brasil, as escolas estão buscando montar um acervo que atraia os alunos. Segundo divulgado na abertura do Seminário Internacional sobre Políticas Públicas do Livro e Regulação de Preços, o índice de leitura per capita no pais é de 1,7 livros por ano.

De acordo com uma pesquisa realizada com 100 jovens e adolescentes, entre 10 e 25 anos, que possuem o habito da leitura, 66% dos entrevistados possuem entre 10 e 15 anos e apenas 3% possui mais de 20 anos. A pesquisa mostra também que os gêneros mais lidos, entre os entrevistados, são romance, ficção e aventura. Porém, de literatura estrangeira. A pesquisa foi realizada pela equipe de reportagem do Portal Comunicare através do Facebook.

Segundo a secretaria do Colégio Estadual Professora Maria Lopes de Paula, localizado em Almirante Tamandaré, a procura por livros é grande entre alunos no ensino fundamental, média de idade entre 10 e 14 anos, e os mesmos preferem livros de literatura estrangeira adolescente, como “Diários de um banana” e “A menina que roubava livros”.  Ela conta também que os livros de literatura brasileira são lidos apenas por alguns alunos do ensino médio por exigência dos professores para a produção de trabalhos.
O colégio possui, ainda, um projeto de incentivo à leitura em que o professor, uma vez por semana, leva uma caixa de livros para serem lidos durante a aula. Isso trouxe, como consequência, um aumento no número de empréstimos de livros na biblioteca que, desde de então, vem recebendo novos livros de acordo com sugestões dadas pelos próprios alunos. O número de empréstimos eram de 0,5 livro por aluno anualmente, um número consideravelmente baixo. Mas, com os investimentos da escola em novos livros, esse número subiu para 1,2 per capita.
A professora de literatura Marilda Garrett, 57 anos, também do Colégio Maria Lopes de Paula, diz que a leitura é de extrema importância na formação da criança, não só como aluno mas como pessoa. Ela trabalha a leitura de maneira diferente com seus alunos do ensino médio que, preferem assistir aos filmes ao invés de ler os livros. Ela pede para que os alunos leiam os livros usados em vestibulares e produzam um curta-metragem contando as histórias mais importantes da literatura brasileira. “Apenas pela leitura os alunos conhecem um novo mundo, desenvolvem a criatividade, e buscam o saber em outras formas de obter o conhecimento, tornam-se adolescentes críticos . E  por que ler? Nos mostra o percurso pelo qual os alunos elaboram suas próprias ideias sobre os sistema de escrita”.
Sobre a preocupação do colégio em buscar livros que interessem aos alunos, Marilda disse que é de grande importância pois, segundo ela, “é preciso um incentivo para adquirir o hábito da leitura. Mas, depois que começamos, a própria leitura toma conta de nós e se torna algo um tanto quanto viciante”.
Já a auxiliar de produção Arinda Cristina, 35 anos, acredita que, apesar de ser uma boa iniciativa, traz como consequência uma desvalorização da literatura brasileira e um desinteresse dos jovens e adolescentes pela cultura local. Arinda, que possui desde jovens a preferencia por autores brasileiros como Paulo Coelho, afirma que o método afetara o futuro da cultura brasileira pois, segundo ela, “as crianças que hoje estão lendo livros como Harry Potter e Percy Jackson não vão saber, no futuro, quem foi Paulo Leminski”.
Contos de fadas e fantasia são porta para o hábito da leitura
Rebeca Lima, 15 anos, estudante do ensino médio público, diz que costuma ler livros de ficção e fantasia de literatura estrangeira. Ela começou a se interessar pela leitura aos 11 anos e, desde então,  continua com o hábito. Rebeca disse ainda que viu nos livros uma “companhia” por ser uma adolescente, segundo ela, antissocial. Acredita que a leitura é essencial pois é de grande influência para um melhor desempenho na escola e desenvolvimento da criatividade do aluno. Ela diz ainda que apesar de “ouvir falar” em nomes como Paulo Leminski e Dalton Trevisan, não conhece seus livros ou sua grande importância para a literatura curitibana.
Já Maria Luiza Pedroso, 18 anos, afirma que a leitura foi consequência de um desejo de se aprofundar em universos fictícios como o do filme “Harry Potter”. Maria disse que os gêneros mais lidos por ela são ficção, romance e alguns livros lúdicos. Ela acredita que a forma como ela lê e entende o personagem, relacionando-o a mensagem que o autor deseja passar para o leitor, influência na maneira de ver e compreender o mundo. Segundo Maria, a leitura é algo de grande importância na vida de uma criança, pois “levando ela (leitura) para as salas de aula, eles terão outros mundos a descobrir. A mesma consegue construir caráter e mostrar aos alunos que existe um prazer no conhecimento”.
Victor Pereira, 13 anos, estudante do ensino fudamental particular, conta que lê os mais diversos gêneros, porém, prefere os livros de literatura internacional, principalmente os de aventura e ficção. Ele diz ter recebido incentivo dos pais, que desde pequeno, o levaram a livrarias e que o “querer ter uma estante cheia de livros” o tornou um leitor.
O estudante refere-se a leitura como algo crucial para uma melhor comunicação entre as pessoas. “Além de nos permitir conhecer mais sobre a história, lugares distantes e abrir nossa imaginação para outras realidades”, afirma. Acrescenta ainda que “quando a leitura é aplicada o desenvolvimento e a busca pelo conhecimento é ampliada, é uma necessidade que as escolas precisam ter para tornar os alunos bons profissionais.

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