A utilização de aplicativos pode atrapalhar o rendimento escolar  Foto: Caroline Paulart
Especialistas demonstram preocupação com uso contínuo de smartphones

Pesquisa revela o crescimento de 110% na venda de smartphones no Brasil e gera receio quanto a saúde psicológica dos usuários

Caroline Paulart

Uma pesquisa divulgada pela IDC Brasil, no dia 28 de agosto, provocou atenção com a saúde mental dos usuários de smartphones entre especialistas. Segundo a consultoria, o mercado está expandindo rapidamente no Brasil, e a previsão é que as vendas de aparelhos cheguem a um bilhão nesse próximo semestre de 2013. Com isso, médicos e psicólogos preocupam-se com uso desenfreado do aparelho, que pode ocasionar transtornos psicológicos, afetando a vida social e aprendizagem da população.

A nomofobia, medo originário da impossibilidade do individuo se comunicar foi o nome dado por médicos ingleses para a doença. Segundo o médico psiquiatra, Dr. Luiz Renato Ribeiro de Azevedo, a patologia é diagnosticada a partir do momento em que os sintomas se tornam perturbadores. “Várias são as causas a serem analisadas: desde questões existenciais de insuportabilidade de não estar conectado, ligado ao mundo, até o medo de ser esquecido, de ser só, do abandono (ninguém liga para mim)”, afirma.

A nomofobia pode ser diagnosticada a partir de sintomas preocupantes, como o isolamento (Foto: Caroline Paulart)

A nomofobia pode ser diagnosticada a partir de sintomas preocupantes, como o isolamento (Foto: Caroline Paulart)

Este mal também pode estar ligado a outras doenças ou transtornos de origem psiquiátrica, como TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) ou ansiedade, e pode ser tratado por meio de sessões com psicólogos e medicamentos. “A nomofobia pode gerar no paciente pânico ao imaginar-se sem o celular. É um apego muito grande e desconfortável”, diz.

Aparelhos influenciam na amizade

Para a psicóloga, Dra. Carolina Froehner, a modernidade trouxe novos formatos de amizades, deixando os jovens dependentes dessa tecnologia. “A internet aproximou pessoas e as tornou dependentes de celulares para conversar. A utilização do objeto deve ser moderada para que não seja construída uma ligação tão intensa com ele”, ressalta.

Relacionamentos sociais podem ser afetados pelo uso contínuo do celular (Foto: Caroline Paulart)

Relacionamentos sociais podem ser afetados pelo uso contínuo do celular (Foto: Caroline Paulart)

O estudante de Marketing, Luiz Sabino, 20, disse ser um usuário assíduo do aparelho e que ele já prejudicou amizades. “Vários amigos meus já reclamaram por eu utilizar o celular enquanto estou na companhia deles. Até tenho ‘trato’ com um amigo meu, quando vamos sair juntos, não pode haver celulares por perto”, conta.

Para se desvencilhar um pouco da utilização do seu smartphone, a psicóloga dá dicas. “É importante que a pessoa, consciente do uso exagerado, restrinja o acesso aos aplicativos que a deixa isolada, assim, haverá a quebra da sensação responsável pela dependência”, aconselha ela. “É importante dizer também que o vício não é no aparelho celular, mas sim nos aplicativos e nos estímulos gerados por eles. Não é porque a pessoa utiliza muito o celular que ela é viciada”, completa.

Vilões ou mocinhos?

Por via de regra, a grande maioria das escolas restringe a utilização de aparelhos celulares dentro da sala de aula e muitas vezes também em perímetro escolar. Nem sempre a norma é obedecida. Muitos alunos utilizam seus aparelhos para acessar redes sociais ou utilizar aplicativos como calculadoras, correndo o risco de menor aproveitamento nas aulas.

A professora de Matemática do Colégio Adventista do Portão, Joyce Stelle, 27, diz não tolerar a utilização dos aparelhos durante suas aulas. “São normas do colégio. Na disciplina que eu leciono não há necessidade de uso de celular, eles amam calculadora, e eu preciso fazer com que eles entendam a necessidade do exercício mental”, relata.

A utilização de aplicativos pode atrapalhar o rendimento escolar  Foto: Caroline Paulart

A utilização de aplicativos pode atrapalhar o rendimento escolar (Foto: Caroline Paulart)

Por outro lado, ela conta que quando bem aplicada, a utilização de aparelhos como smartphones e tablets são bem vindas. “Eu uso o tablet para projetar na tela interativa e ir resolvendo exercícios com eles. Também aproveito essa tecnologia para organizar as informações da escola e montar provas e listas de exercícios”, finaliza.

Equipe: Bruna Martins, Caroline Paulart, Gilberto Stori Junior

Fechado para comentários.