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Facebook lança plataforma de combate ao bullying

Redes sociais estimulam comportamento saudável

Por Carolina Piazzaroli, Hanna Siriaki e Vitória Gabardo

A rede social Facebook lançou uma plataforma, no mês de fevereiro deste ano, para dar auxílio a adolescentes, pais e professores no combate ao bullying por meio de redes sociais. A plataforma, chamada de Central de Prevenção ao Bullying no Brasil, foi criada em parceria com a SaferNet Brasil (associação que defende e promove direitos humanos na internet) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

 

 

O grupo da central está trabalhado para tentar ao máximo disseminar o comportamento saudável e respeitoso em seu site, de acordo com o diretor de políticas públicas do Facebook Bruno Magrani. Eles estão investindo na campanha e esperam ter bons resultados. “A central é um guia de dicas e informações para que os três grupos descritos possam identificar as situações de bullying e saibam o que fazer”, comenta.

O site da central está dividido em seções para facilitar o entendimento e, além disso, dispõe de conteúdos reais que relatam o bullying. Há uma área destinada para os adolescentes, outra para pais ou responsáveis e, por fim, educadores. O site ainda contém informações relevantes sobre o bullying, contatos e lista de recursos para denunciar tal ato.

Uma adolescente de 17 anos que não quis ser identificada conta que sofreu cyberbullying quando tinha 12 anos. Ela relata que sofria bullying na escola, e este se estendeu para o mundo virtual por conta da popularização do Facebook. Segundo ela, foi criada uma página no objetivo de gerar ódio por conta de sua aparência. Na época, ela não procurou ajuda nem quis denunciar tal crime, pois se sentia ameaçada e reprimida. Ela ainda comenta que, se fosse vítima de uma ação como essa atualmente, teria uma atitude diferente e buscaria apoio legal para punir os agressores.

Em Curitiba, o órgão que atua em crimes praticados via internet ou telefonias móveis com autoria desconhecida é o Núcleo de Combate aos Cibercrimes (Nuciber), da Polícia Civil do Paraná. Segundo a assessoria de imprensa do órgão, quando o autor do crime já é conhecido, é preciso dirigir-se ao distrito policial mais próximo e registrar boletim de ocorrência.

Segundo o Nuciber, para abertura de boletim é preciso providenciar: provas impressas do ato, comprovante de pagamento, faturas, códigos-fonte de e-mail enviado pelo suspeito e fotos das mensagens.

Anonimato favorece agressores

De acordo com o psicólogo Leonardo Araújo, o ambiente virtual dá a sensação de anonimato e, por estarem encobertos, os agressores encontram um lugar fácil para cometer o cyberbullying. Já o bullying fora do ambiente virtual, segundo ele, ocorre em maior grau na escola. É importante que pais e professores fiquem atentos a mudanças bruscas de comportamento, pois a criança ou o adolescente pode estar sendo intimidada na escola

Araújo ainda destaca esse tipo de agressão pode ser ainda prejudicial à saúde física da vítima. “Para quem sofre com o cyberbullying, os prejuízos podem aparecer logo ou ainda levar um tempo para serem sentidos. Há os sintomas mais leves, os psicossomáticos, tais como diarreia, vômitos, febre, náuseas, dor de cabeça e insônia. Se o caso se agravar, esses sintomas podem elevar para síndrome do pânico, fobia escolar, depressão, ansiedade e angústia generalizada”, explica.

O psicólogo ainda comenta que os agressores se prendem na atenção. Quando percebem que conseguiram atingir algum ponto fraco e que estão recebendo atenção, este é seu motivo para continuar com os ataques. Isso é mais recorrente em adolescentes justamente por ser uma fase de contestação de regras e autoafirmação.

Ambiente familiar é fator decisivo

O psicólogo Leonardo Araújo explica que famílias desestruturadas, excesso de liberdade, falta de regras em casa são uns dos grandes fatores que desencadeiam uma prática de bullying. “Os pais precisam participar e acompanhar o que os filhos fazem na internet. Costumo citar uma comparação: você deixaria seu filho de 12 anos sozinho no centro da cidade de madrugada? Não? É o mesmo com a internet! É preciso acompanhar”.

Ele ainda recomenda que é preciso se alertar quando há uma brusca mudança no comportamento dos filhos. Caso o adolescente prefira ficar em casa, desiste de atividades em grupo e prefere o isolamento, deve-se procurar saber o que está acontecendo.

Sete tipos de cyberbullying

  1. Calúnia: afirmar que a vítima praticou algum fato criminoso
  2. Difamação: postar informações que agridem a honra da vítima
  3. Injúria: ofender a dignidade de outras pessoas
  4. Ameaça: ameaçar a vítima de mal injusto e grave
  5. Constrangimento ilegal: ameaçar alguém a fazer ou deixar de fazer algo em meio virtual
  6. Falsa identidade: utilização de perfis falsos para algum fim
  7. Molestar ou perturbar a tranquilidade: envio de mensagens incômodas

 

Como denunciar o cyberbullying?*

  1. Preserve Provas

Imprima e salve as ameaças recebidas. Além do print-screen das telas, não apague e mantenha o cabeçalho dos e-mails. Copie também o endereço das páginas. É necessário que as provas sejam autenticadas. Dessa forma, mesmo que o agressor apague o perfil ou a mensagem enviada, sua prova estará registrada.

  1. Procure uma Delegacia

Com as provas do crime, procure uma Delegacia da Policia Civil para registrar a ocorrência. É importante que a vítima não se sinta constrangida para fazer a denúncia. O bullying virtual atenta contra a dignidade da Pessoa Humana e é crime previsto no Código Penal.

  1. Denuncie no próprio Site

Todos os sites, sejam contas de e-mails, redes sociais, salas de bate-papo, possuem um espaço para a comunicação entre o usuário e o prestador do serviço. Entre em contato para pedir a solicitação da remoção do conteúdo ofensivo. É um direito do usuário garantido nos Termos de Uso e de Conduta.

* Fonte: Senado Federal

 

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