Festival de Curitiba: Pela segunda vez, Curitiba Mostra promove espaço democrático para público e artistas

Com quatro estreias nacionais e demonstrações livres, todos são convidados a se divertir e interagir.

Talita Souza

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“Artistas locais e estrangeiros ganham destaque na segunda Curitiba mostra”

Por Talita Souza

A segunda Curitiba Mostra da edição 2017 do Festival de Teatro de Curitiba reúne quatro estreias nacionais, além de experimentos, obras interativas e espaços de interação entre público e artistas. Todas as apresentações acontecem no Teatro Zé Maria, no Centro da cidade, sempre às 19h. Um dos destaques deste ano é o Curitiba Urge, uma abertura  para artistas que não fizeram parte da curadoria do Festival.

Criada com o objetivo de promover intercâmbio e troca entre os artistas da cidade, a Mostra é produzida pelo Espaço Cênico, produtora que surgiu em 1993 e hoje trabalha focada no fortalecimento da criação autoral e o trabalho dos artistas conterrâneos com intercâmbios nacionais e internacionais.

Interatividade, resistência e engajamento político são alguns dos temas em pauta. De acordo com o idealizador e coordenador, Gabriel Machado, as obras buscam tratar da “política do dia a dia”.

Machado afirma que essa é uma necessidade artística, dizendo que “a gente vive esse momento de discursos aflorados e de posicionamento diante do que tem acontecendo. A curadoria deste ano teve esse desejo de falar do Brasil, das nossas questões, de trazer trabalhos que falam da gente e que propõe uma reflexão”.

Durante todos os dias do Festival, acontece nos fundos do teatro o Curitiba Urge, espaço aberto a qualquer artista que queira se apresentar. O cantor e ator mineiro Luiz Rocha já esteve na cidade participando de apresentou em edições passadas do Fringe, da Mostra Principal e em espetáculos de rua de Ponta Grossa e Araucária.

Rocha percebe o público curitibano como receptivo e atento. Além disso, ele elogia a escolha do local para as performances do Urge. “A arquitetura convida, as escadas dão a sensação de uma plateia”, explica.

As interações da Segunda Mostra animaram o público. Rodrigo Gomes participou da discussão com as atrizes do espetáculo “Todas”, interpretado por Catharine Moreira, que tem deficiência auditiva e é todo traduzido em libras.

Ele conta que ficou curioso e animado para assistir a peça. O espectador fala da importância dada aos conteúdos “de resistência” trazida pelo Festival para todo o Brasil. “As pessoas vêem, ouvem, assistem, voltam para seus lugares de origem e propagam esses assuntos”.

Já Amanda Pereira comenta o tratamento diferenciado dado a homens e mulheres na capital. “Sempre que é falado do teatro em Curitiba é citado um monte de nome de homem. Na hora de botar nome, são sempre os mesmos”, defende.

A Segunda Curitiba Mostra também conta com outras três exibições teatrais: “Momo: para Gilda com Ardor”, “Para não morrer” e “Eu se errei”. O “econtrosnecessários”, bate-papo que está há quase 15 anos no festival fazem parte da atração em 2017.

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