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Grafite na escola: alunos e comunidade unidas contra o bullying

Alunos e professores da rede municipal criam personagens para promover o respeito as diferenças. Em ação, com a ajuda da comunidade, grafitam esses personagens nos muros da escola que fica no Bairro Alto. Famílias e amigos dos alunos se animam com o resultado e percebem mudança de comportamento dos jovens

Por Gabriela Jahn

A Escola Municipal Araucária, no Bairro Alto, teve os muros transformados pelos estudantes em um imenso e colorido painel, que incentiva o respeito às diferenças entre os colegas no mês de setembro. As paredes da escola foram grafitadas pelos próprios alunos, com a ajuda do educador e coordenador do projeto EduCultura da Secretaria Municipal da Educação, Fúlvio Pacheco. Fúlvio é o ilustrador dos personagens criados por Cláudia Percinoto e Viviane Pereitra Marto, da Coordenadoria de Assistência às Necessidades Especiais (CANE) da Secretaria Municipal da Educação.

Os cinco personagens tema do projeto “Bullying não é brincadeira”, Nina, Lilo, Max, Teco e Lisa, foram grafitados no muro da escola com a intenção de incentivar a comunidade escolar a combater as agressões e representar as singularidades entre as pessoas com deficiência. Os personagens são representações de estudantes e cada um apresenta uma deficiência, Lilo é uma pessoa com autismo, Teco tem deficiência visual, Lisa não ouve e não fala e Max faz uso de cadeira de rodas. Nina fez tratamento para leucemia e por isso, perdeu o cabelo.

Os personagens que já haviam sido trabalhados nas aulas de artes agora ficam expostos para fora da escola. Naquele espaço as crianças aprendem sobre seus direitos e deveres de cidadão. O mesmo quinteto de personagens pode ser visto em desenhos feitos a partir da releitura das crianças e que está exposto nos corredores da escola.

Trinta estudantes, além de professores e pessoas da comunidade, participaram da ação que foi precedida de atividades discutidas nas salas de aula. “Nossa professora ensinou que aqui todos têm algo diferente, no jeito de ser, de falar, até de aprender e que isso deve ser respeitado sempre”, disse o estudante Guilherme Buss da Silva, de 9 anos.

O garoto esteve entre os escalados para a pintura e gostou muito do resultado que, além de deixar a escola mais bonita, vai servir como recado para todos sobre a importância do respeito às diferenças. Animada com o envolvimento do filho, a comerciante Ivonete Buss fez uma pausa na tarde de trabalho para acompanhar e participar da grafitagem na escola. “Ele passou os últimos dias me falando o que aprendeu sobre bullying e por isso fiz questão de estar por perto”, disse Ivonete.

A professora de artes Patrícia Corsi comemora o resultado das ações desenvolvidas a partir do projeto. “Temos escutado constantemente uma frase dita pelos alunos e que reforça todo o trabalho realizado em sala: O bullying é inaceitável”, disse a professora. O projeto promovido pela Secretaria Municipal da Educação envolve os 140 mil estudantes das escolas municipais de Curitiba, com participação da comunidade que também pode colaborar por meio de doações de materiais e de mão de obra.

 

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