Idosos voltam a estudar para conquistar emprego

Cresce número de profissionais com mais de 50 anos

Por Carolina Piazzaroli, Hanna Siriaki e Vitória Gabardo

O número de profissionais com mais de 50 anos aumentou, mas as empresas ainda dão pouco valor aos mais velhos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e de uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Também houve aumento no total de trabalhadores ativos com mais de 65 anos, mas, com o cenário econômico atual, muitos profissionais com carreiras estáveis e perto da aposentadoria estão sendo demitidos.

A auxiliar de biblioteca Sonia Mickosz tem 55 anos e já é aposentada, mas prefere continuar trabalhando e aponta duas razões para isso. “Um dos motivos é o salário, que não posso ficar sem. Por exemplo: o convênio médico que preciso ter e é muito caro. Se não trabalhasse, não tinha como pagar. E também por ficar em casa, eu não gosto de ficar parada. Quando fiquei sem trabalhar, estava com quadro de depressão”, comenta. Ela afirma que é preciso conviver com outras pessoas, ter vida social e trocar experiências.

Ainda segundo o IBGE e a FGV, em 2002 a porcentagem de brasileiros empregados com 50 anos ou mais era de cerca de 18%, e, dez anos depois, esse número passou para aproximadamente 22%. “A população está envelhecendo, e a pirâmide se invertendo. A tendência é que abra mais espaço para essa faixa etária”, comenta Denise Machado, coordenadora do curso FAE Sênior, um programa de educação continuada para idosos.

Denise explica que o objetivo do curso não é graduar, mas a constante atualização dos alunos. Além disso, são oferecidas oficinas de informática, inglês, empreendedorismo e até publicidade. “Em alguns países, as universidades são obrigadas a abrirem as portas para essa faixa etária”, afirma. A coordenadora ainda relata que muitos idosos se tornam gravemente depressivos, e isso compromete muito a qualidade de vida, por isso a socialização é muito importante. Ela acrescenta que houve casos em que alunas entraram do curso no intuito de participarem de campanhas publicitárias, já que é um mercado em expansão, segundo a coordenadora.

O professor de “Histórias da Vida/Sentidos da ética” do curso, Santareno Augusto Miranda, diz que quando começou a lecionar nesta turma, foi um desafio, já que é professor do ensino médio. “Preciso me colocar no lugar deles, e isso me leva a pensar na minha própria vida”, afirma. O professor ainda conta que o curso é uma espécie de troca que ele aprende tanto quanto ensina, principalmente pela bagagem dos alunos.

Socialização também é motivo de permanência no curso

A aluna do FAE Sênior Maria do Amparo Pires Chagas, 76 anos, diz que a socialização é muito importante para ela, e que sair de casa para mudar o ambiente a faz esquecer dos problemas. “Gosto que o curso englobe todas as áreas, é interessante para a vida da gente. Os professores e profissionais são muito preparados”, comenta.

Já Iracema de Oliveira, 86 anos, é aluna de projetos como esse há 15 anos, e já passou por diversas instituições. “Já sei de tudo, mas gosto de estar aqui e ver as pessoas, saber das notícias de cada um”, diz.

Monitoria é oportunidade de experiência para estudante

O estudante de Psicologia Gabriel Akira é monitor da turma e conta que há uma disciplina em seu curso voltada para essa área, mas ele se interessou pela proposta do projeto. “A monitoria, de certa forma é bem mais interessante, pois posso viver aquilo na prática”, comenta.

Akira recebe bolsa por fazer parte do projeto, e diz que o principal é o conhecimento que adquire nessas aulas. “Esse pessoal da terceira idade, com tanta lucidez, se locomove até aqui e traz alegria e paz de espírito”, diz. O estudante conta que as idosas organizam chás, passeios e viagens, e vão apresentando melhora com o passar do tempo. “ Você vai vendo como elas vão melhorando, as vezes entram mais cabisbaixas, então vão fazendo amizades, saindo mais de casa, interagindo, dando risada e você vai vendo que elas vão ficando muito mais felizes”, conta o monitor.

Curitiba tem oferta de cursos para a terceira idade em várias universidades

A Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), oferece há 20 anos cursos para alunos da terceira idade, o chamado Núcleo de Aprendizagem e Aprimoramento para a Amadurescência. São 24 modalidades de diversas áreas: arte e cultura, idiomas, saúde e bem-estar e informática. As aulas são ministradas no período da tarde, e têm a finalidade de atualização de conhecimentos específicos e interação dos idosos com a comunidade.

Na Universidade Positivo (UP), um curso desse tipo foi inaugurado no ano passado, a Universidade da Maturidade. Os cursos são realizados em quatro núcleos: saúde e qualidade de vida, administração, psicologia e cultura.

 

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