Rafael, 7, é portador de síndrome de down e estuda em um colégio regular.
Cresce presença de alunos com Síndrome de Down em salas comuns

Pais, porém, ainda enfrentam dificuldades para fazer a matrícula.

Por Isabela Góis e Karine Sales

Dados do Censo Escolar apontam que houve aumento expressivo nas matrículas de pessoas com deficiência na educação básica regular – ou seja, em turmas em que também estudam crianças sem deficiência. O número de matrículas de alunos especiais subiu de cerca de 200 mil para quase 700 mil, entre 1998 e 2014 – uma expansão de 250%. O percentual de estudantes com esse perfil em salas comuns saltou de 13% para 79%, nesse período.

Também se elevou, em 198%, o número de professores com formação em educação especial: de 3.691 para 97.459.

Apesar desse cenário, pais e responsáveis ainda encontram dificuldades para matricular seus filhos portadores de Síndrome de Down em escolas regulares, públicas ou particulares. Josane Pusch, 50, teve dificuldade para encontrar uma escola regular para matricular o filho, Rafael, 7, que é portador da deficiência. “Quanto às escolas públicas, eu não teria opção de escolha. Quem decide é o sistema da Prefeitura, que encaminha a criança para onde existir vaga”, conta.

Ela optou por uma escola particular, mas a procura continuou difícil. “Quanto às particulares, algumas já te dizem logo de cara que não há vagas. Elogiam muito a criança, mas alegam que ‘pensando no bem dela’, preferem que você procure uma instituição que seria capaz de suprir todas necessidades do seu filho. Outras preferem apanhar todos os dados da criança e ficam de ligar no dia seguinte, só que nunca ligam”, relata.

O direito à educação está assegurado no artigo 205 da Constituição Federal, que diz que o cumprimento do direito é dever do Estado e da família, e será promovido e incentivado com a colaboração da sociedade. Para crianças especiais, a garantia da Lei também está no artigo 208, inciso III, que determina que o Estado deve garantir atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino.

A pedagoga e professora Ana Abreu afirma que, “para decidir o melhor ensino para crianças, jovens e adultos com Síndrome de Down, é preciso compreender que os casos não são gerais”. Ana diz que a inclusão é sempre de grande valia, já que a escola os fará aprender a viver em sociedade. “Há casos específicos em que se necessita de cuidados e atendimentos especializados e, assim, a escola regular não consegue entender. Somente nestes casos específicos indico um trabalho personalizado”.

Medo de bullying

Muitos pais de crianças portadoras de Síndrome de Down optam pelo ensino especial por medo de deixarem os filhos expostos ao bullying e ao preconceito de colegas que não possuem a mesma condição genética. “A segregação, seja na escola ou em qualquer outro lugar, aumenta a exclusão. Os projetos educacionais precisam se abrir para a diversidade da humanidade em suas diferentes concepções. O exercício da inclusão social deve ser prioridade no contexto escolar”, diz a pedagoga.

Para Josane, o medo de o filho ser vítima de preconceito sempre existirá, mas é preciso ter confiança na escola. “O principal diferencial de se escolher um ensino regular é ter a convivência da criança com outras, sem distinção ou discriminação. Na Escola comum, meu filho tem muito a ganhar em termos sócio-afetivos”.

Ana destaca, ainda, que a matrícula é apenas o passo inicial desse processo. “O processo de inclusão se efetiva com o crescimento real das crianças, jovens e adultos no processo de aprendizagem”.

Crédito: Karine Sales

(Crédito: Karine Sales)

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