Foto reprodução arquivo Paraná Online
Joaquim Américo: 100 anos de história

Da arquibancada de madeira à reinauguração do novo estádio, relembre a história da arena esportiva. 

Por Sérgio Júnior, Kássio Pereira, Lucas Nogas

O Estádio Joaquim Américo viveu, neste início de setembro, dias especiais. Na mesma semana em que completa um século de existência, voltou a receber a torcida do Atlético-PR, após o time cumprir uma suspensão imposta pela Justiça Desportiva. O reencontro veio com uma vitória de 2 x 0 sobre o América-RN, insuficiente para levar o time à próxima fase da Copa do Brasil, mas marcante para os torcedores. Foi mais um capítulo da rica história do estádio, cuja história é relembrada aqui.

6 de setembro de 1914 foi a data da inauguração do então chamado “Campo da Buenos Aires”, que, 20 anos depois, viria a ganhar o nome definitivo de Joaquim Américo Guimarães, em homenagem ao a seu idealizador. Joaquim, na época presidente do Internacional Foot Ball Club, viu naquela baixada da Chácara do Água Verde o palco ideal para construir o primeiro estádio de futebol do Paraná. O jogo inaugural terminou em 7 x 1 para o time do Flamengo, mas o placar pouco importava – ali nascia um grande palco do futebol brasileiro.

Inicialmente, a Chácara do Água Verde foi alugada por 10 anos. Exatamente ao término deste prazo, surgiu o Clube Atlético Paranaense, fruto da união do Internacional FC com o América, também de Curitiba. Após a fusão, o clube renovou o contrato de aluguel por mais cinco anos. Só em 1933 o clube se tornou proprietário do terreno. Um ano depois, o estádio ganhou seu nome atual.

Durante sua história, o estádio passou por diversas reformas. A primeira foi em 1937, quando a antiga arquibancada de madeira deu lugar a uma de concreto. Em 1967, mais obras: o gramado foi inteiramente trocado, a arquibancada ganhou mais espaço, vestiários foram construídos e um alambrado foi instalado para garantir a segurança das partidas. Em 1980, houve nova ampliação, com a instalação de cadeiras e cobertura em parte das arquibancadas.

Em 1986, ocorreu o primeiro grande afastamento da torcida atleticana de sua casa. O Atlético mandava jogos no estádio do Pinheirão, enquanto a Baixada – apelido pelo qual o estádio é conhecido até hoje – estava em obras. Somente em 22 de maio de 1994 aconteceu o reencontro, novamente em um jogo contra o Flamengo – mas, desta vez, a história foi diferente: com um gol de cabeça do estreante Ricardo Blumenau, aos 42 do segundo tempo, o Atlético saiu vencedor.

Torcida relembra história

A história do Joaquim Américo também é contada por sua torcida. O publicitário Marcelo Miguel frequenta a Baixada desde 1983 e conta que ali viveu muitas emoções. “Em 1996, eu não perdi um jogo do Atlético dentro da Arena. São muitos títulos e muitas histórias, que a gente leva para vida toda”

Em 1995, um ano após a reabertura do estádio, o Atlético vivia um bom momento no Campeonato Brasileiro da Série B. Muito devido à dupla de ataque da época, formada por Oséas e Paulo Rink. Os dois levaram o Furacão ao título daquela temporada e inscreveram seus nomes na relação de ídolos do clube.

Rink que acompanhou emocionado o jogo desta semana contra o América-RN – diz que se sente privilegiado por ter jogado no gramado do estádio. “Eu tenho muito orgulho de ter jogado com as cores do Atlético, de ter defendido a camisa deste time. Levantar a taça do Campeonato Brasileiro da Série b [em 1995] neste estádio, dar a volta olímpica junto com a torcida… me arrepia só de pensar nesses momentos”.

No ano seguinte, Rink foi o destaque da Série A de 1996. Por conta disso, foi vendido ao Bayer Leverkusen, da Alemanha. Oséas também foi negociado, mas com o Palmeiras. As transferências geraram um lucro de R$ 14 milhões aos cofres do clube, que investiu o dinheiro em mais uma reforma do estádio. Em 1997, o velho Joaquim Américo foi demolido para dar lugar, dois anos depois, ao então mais moderno estádio da América Latina, a Arena da Baixada. Na reinauguração, o Atlético venceu o Cerro Porteño pelo placar de 2 x 1.

Copa do Mundo e punição

Chegaram os anos 2000 e a torcida pode ver, em seu novíssimo estádio, o Atlético conquistar o título de Campeão Brasileiro de 2001. Além de mais cinco títulos paranaenses, o último em 2009, ano em que Curitiba foi escolhida para sediar a Copa do Mundo da FIFA. Diante disso, o estádio teve de ser novamente reformado, para que pudesse se adaptar às normas da FIFA e se fixar como uma das sedes do torneio mundial. Em 2011, a baixada foi fechada para as obras e a torcida teve que se afastar mais uma vez de sua casa. O estádio recebeu quatro jogos do Mundial, todos da primeira fase.

Após o fim da Copa, o time do Atlético se reencontrou com a nova casa, porém sem seus fanáticos torcedores. Por conta de uma briga no Campeonato Brasileiro de 2013, envolvendo torcedores do Atlético e também do Vasco, o clube paranaense recebeu uma punição de nove jogos. Cinco deles deveriam ser disputados a 100 quilômetros de Curitiba e os outros quatro, com portões fechados.

A punição não afastou totalmente o clube e os fãs.  O torcedor Marcelo acompanhou o time mesmo longe de casa. “A gente viajou, peregrinou, sofreu, mas tudo pelo Atlético é gratificante. Em qualquer lugar a que vamos, criamos raízes e tudo passa a ser nosso”. O Joaquim Américo também voltou.

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