Arthur e Alisson
Jogadores do Paraná Clube falam sobre salários atrasados

O Portal Comunicare conversou com o zagueiro Alisson Brand e com o atacante Arthur, ambos do Paraná Clube, sobre o atual momento vivido pelos times brasileiros. Os jogadores falam sobre a preocupação com o futuro e sobre a saúde econômica do futebol.

Por Paulo Pelanda

O atraso nos salários já virou rotina para a equipe do Paraná Clube , aliás, o problema financeiro não está presente apenas no Tricolor. Diversos clubes – inclusive os considerados nomes de peso no futebol brasileiro – sofrem com a mesma situação. Um exemplo é o Botafogo, clube do Rio de Janeiro, que está com a folha salarial atrasada há mais de cinco meses.

Após uma ameaça de greve por parte dos jogadores do Paraná Clube, que não entrariam em campo no dia 23 de agosto, pela 17ª rodada série B do brasileirão contra o Bragantino, em casa, a diretoria do clube pagou os salários de maio e prometeu pagar até 5 de setembro as dívidas do mês de junho. Apesar do acordo, não houve o pagamento da parcela na data prometida.

Com 20 anos, o atacante Arthur, conquistou seu espaço definitivo no time nesta temporada, entretanto, já convivia com os empecilhos econômicos desde as categorias de base. Independentemente das dificuldades, o jovem sempre acreditou em seu sonho. “Fiquei um ano e oito meses sem receber quando estava na base do Paraná. Então, desde o começo, sabia que iria ser assim”, afirmou o atacante.

No mesmo cenário que o centroavante, o Alisson Brand, titular absoluto e “xodó” da torcida paranista, crê que todo o problema enfrentado pelos clubes brasileiros é consequência de má administração. “Foi feito um relatório, depois da Copa, apontando que, se somada a dívida 27 clubes brasileiros, totaliza-se 6 bilhões. Nós, como profissionais do futebol, ficamos preocupados com isso, compromete o nosso salário, que é o nosso ganha pão”, disse o zagueiro.

Alisson acredita que nem toda pessoa é apta para comandar um clube, já que além de muito dinheiro, envolve uma grande pressão por parte da torcida e da imprensa. “Gerir um time de futebol é muito complicado, uma função para poucos. Eles têm de ficar o tempo todo conciliando os interesses dos conselheiros, da imprensa, e dos torcedores.”, explicou o camisa quatro do Tricolor.

Para ele, a solução de grande parte dos problemas do Paraná se resume a uma palavra: marketing. “É importante o time conhecer bem o seu torcedor, para usar a criatividade e aumentar a renda das ações dentro do marketing.” Além de defender uma melhor exploração do patrocínio, o jogador também cita a necessidade de melhoramentos e investimentos dentro das categorias de base.

Apesar das promessas da diretoria não terem sido completamente cumpridas, os jogadores do Tricolor paranaense acreditam que a força dos atletas vem da arquibancada. “A cabeça dos jogadores está quente. Todos temos família para criar e contas a pagar. Mas a presença da torcida no estádio é o nosso diferencial. Jogamos com raça e, com isso, eles nos retribuem cantando e nos incentivando muito”, finalizou Arthur. “O torcedor tem que vir no estádio sempre nos apoiar, tanto nas boas fases, como principalmente nas más”, concorda Allison.


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