Jogos às 11h atraem 10 mil torcedores a mais

Horário vira sucesso entre o público e agrada famílias

Por Wesley Fernando Machado Copatti

Uma mudança de horário no Campeonato Brasileiro, com a realização de partidas às 11h de domingo, vem trazendo mais público para os estádios. Levantamento feito pelo Portal Comunicare indica que este horário é o que mais traz público para os estádios, com uma média de 24 mil pagantes, seguido pelo horário de quinta feira às 19h30, com média de cerca de 22 mil pagantes – a média geral do torneio é de 15 mil pagantes por jogo, inferior à de campeonatos como o japonês e o chinês, e até à da segunda divisão da Inglaterra.

Tirando o jogo entre Grêmio e Ponte Preta, na primeira rodada, todas as outras partidas das 11h tiveram público do clube mandante maior que a média no campeonato, com cerca de 10 mil pessoas a mais. O sucesso do novo horário fez com que a CBF colocasse mais uma partida nessa grande – já são nove jogos, até a primeira semana de setembro. Para comparação, foram realizadas apenas três partidas às quintas-feiras.

Os clubes paranaenses seguem a tendência e vêm trazendo mais público aos jogos no novo horário. O Coritiba teve uma média de 22 mil pagantes nas duas partidas que disputou às 11h, número bem superior à média do clube no Campeonato. Já o Atlético-PR teve uma média de 19 mil pagantes nas partidas disputadas nesse novo horário, enquanto a média no total chega a quase 13 mil pagantes.

Essa mudança também fez com que mais crianças fossem aos estádios, como no jogo entre Internacional e Coritiba, que teve presença de pouco mais de 4 mil crianças no Estádio Beira Rio, em Porto Alegre.

O torcedor do Atlético-PR Yuri Rangel tinha alguns receios sobre o novo horário. “Nós pensávamos que essa mudança poderia ser ruim. por ser perto do meio-dia, pois  faria a gente perder o almoço com a família. Mas, na realidade, ele [o horário] foi um sucesso, pois as famílias vêm junto ver aos jogos.”

Ideia nasceu em São Paulo

A ideia de realizar jogos do Brasileirão às 11h de domingo foi baseada no Campeonato Paulista. A mudança ocorreu por causa dos protestos contra a presidente Dilma Rousseff (PT), como medida preventiva, e o sucesso de público na partida foi tão grande que a Federação Paulista começou a realizar, nesse momento, uma partida por rodada. Em outros países, como na Inglaterra, o jogo ao meio-dia é uma tradição antiga. Já na  Espanha, o horário foi adotado para que se tornasse mais um atrativo para a televisão e para o mercado asiático.

Com a mudança, o torneio passou a ter as cinco faixas de horário – já tinha jogos aos sábados às 18h30 e às 21h, além de partidas às 16h e 18h30 de domingo.

  MÉDIAS DE PÚBLICO POR CADA HORÁRIO

Horário

Média

Jogos

Domingo 11h

23756

9

Quinta 19h30

21505

3

Quarta 21h

20055

5

Quarta 22h

19199

9

Sábado 16h30

18279

6

Quinta 21h

15784

5

Sábado 22h

15408

3

Domingo 16h

13920

28

Sábado 18h30

12881

11

Domingo 18h30

12872

12

Sábado 21h

11899

10

Quarta 19h30

9227

10

Sábado 16h

9192

2

Domingo 19h30

7800

3

* Considerado apenas o público pagante. As partidas Joinville x Palmeiras, Goiás x Atlético-PR, Ponte Preta x São Paulo e Ponte Preta x Chapecoense foram com portões fechados e por isso não foram contabilizados.

 

Calor preocupa CBF

O grande problema do novo horário é a temperatura alta, que pode afetar os jogos e a qualidade das partidas. Segundo o professor de Educação Física João Ferraz, as partidas nessa faixa horária podem ser muito prejudiciais para os atletas em qualquer ponto do país: “Qualquer atividade de alto desempenho que é praticada entre 10h e 14h pode ser prejudicial, se não houver uma pausa de no mínimo cinco minutos para reidratação.”

O jogador atleticano Douglas Coutinho conta que a novidade altera a rotina pré-jogo. “Mudam os horários de descanso e as refeições. Mas, no meu caso, não influencia no condicionamento físico. Para algumas pessoas é ruim, por causa do clima mais abafado: o sol bastante quente desidratada mais rápido. Eu prefiro as 11h do que as 16h”.

Como solução parcial para o problema, a CBF entrou em consenso com os clubes para que não houvesse partidas na região Nordeste.

 

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