Revezamento de mães cria “creche alternativa”

Mães dividem despesas e se alternam no cuidado dos próprios filhos

Por Ana Lucy Fantin, Gabriel Callegari e Gabriella Bacinelo

Insatisfeito com o funcionamento e os custos de creches tradicionais, um grupo de mães de Curitiba se uniu e criou o projeto Cooperativa de Mães (ou Creche Parental). Ele teve inicio há dois anos, após alguns pais não se sentirem à vontade com a ideia de se separarem dos filhos, e hoje está consolidado, despertando interesse de novas adesões. Depois de algumas conversas, três mães que se conheceram por terem interesses em comum decidiram colocar o projeto em prática. Hoje, a iniciativa conta com sete famílias, responsáveis por oito crianças.

A iniciativa consiste em, a cada dia da semana, uma mãe se disponibilizar para cuidar das crianças. A localização da creche é o quintal da cada de uma das mães participantes, Maria Gloss, que alugou a residência onde mora com a família com o propósito de servir como espaço para as crianças. Segundo a mãe Lorena Gontijo, a mensalidade é de R$ 380 por criança e cobre as despesas, que são um terço do aluguel da casa, um terço das contas de água e luz, a remuneração de duas cuidadoras que trabalham na creche e de uma diarista, além de uma pequena taxa de manutenção. Ela ainda conta que não há nenhuma atividade programada e que a intenção é deixar as crianças livres para brincarem à vontade, o oposto do que acontece nas creches tradicionais.

Segundo uma das idealizadoras do projeto na capital paranaense, a jornalista Grace Barbosa, o que lhe incomoda nas creches tradicionais é o fato de a maioria somente aceitar permanência em tempo integral, além de ser muito difícil conseguir vagas. Já Lorena, que nem chegou a procurar creches para colocar os filhos, conta que o que mais lhe preocupava era a alimentação, por isso, na Cooperativa de Mães, frutas estão disponíveis para que os filhos comam quando sentirem vontade, mas existe a hora do lanche, com comida mais reforçada.

Todas as mães trabalham, mas são autônomas ou possuem uma rotina de trabalho flexível, o que facilita a participação no projeto. De acordo com Lorena, há procura de outras mães para aderir ao projeto, mas há a preocupação de que ele cresça muito perca a essência e se aproxima de uma creche tradicional.

Crianças devem receber acompanhamento

Segundo a pedagoga Juliana Coutinho Costa, é importante que as crianças recebam acompanhamento de psicólogo, nutricionista e pedagogo. Ela destaca que cada um destes profissionais tem peso diferente na educação do aluno e são responsáveis por tornar o aprendizado mais completo. Juliana ressalta que estes profissionais têm visão e conhecimento das necessidades individuais de cada criança.

Até o fechamento desta matéria, o Ministério Público do Paraná não se pronunciou sobre o tamanho das filas de espera para as vagas em creches públicas na capital.

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