Armazém da Família exclui 33 mil famílias

Novos critérios e atualização de cadastro elimina usuários

Por Mateus Henrique Bossoni

Mais de 33 mil famílias foram excluídas, nos últimos dois anos, do programa Armazém da Família, que dá acesso a produtos industrializados com uma média de 30% de economia e passou a funcionar sob novos critérios. A iniciativa é administrada pela Prefeitura de Curitiba e tem aproximadamente 137 mil cadastros ativos, entre os 260 mil  totais.

Os 33.577 cadastros de famílias foram excluídos, em trabalho realizado em conjunto com a Secretaria Municipal do Abastecimento (SMAB), após a adequação dos usuários, diante de mudanças recentes. A Prefeitura aumentou, em 2013, o limite para uso do programa, de R$ 1.395 para 3,5 salários mínimos. Além disso, a SMAB passou a exigir a renovação anual do cadastro.

“Com a atualização do limite de renda familiar, acompanhado do uso de pontos de controle mais severos do cadastro, foram excluídos muitos usuários que não teriam direito ao programa, mas participavam, desviando o programa de seu objetivo social”, afirma o secretário municipal de Abastecimento, Marcelo Munaretto, por meio do site da Prefeitura de Curitiba.

A Prefeitura informa que, apesar dos bloqueios, novas ações de controle permitiram o ingresso de 36.818 famílias no programa desde 2013.

Curitiba possui 32 unidades fixas de abastecimento, que comercializam gêneros alimentícios e produtos de higiene e limpeza. Os Armazéns da Família atendem de terça a sexta-feira, entre 8h45 e 17h15; e aos sábados, de 8h30 a 13h.

 

Sacolão da Família também vende produtos mais baratos

Outro programa que vende alimentos a preços mais baixos em Curitiba é o Sacolão da Família, criado em 1997 e que trabalha com uma política de preço único. Entre os usuários está a aposentada Cleuza Aparecida da Silva, moradora de Araucária e que, quando passa pelo terminal de ônibus do Pinheirinho, aproveita para comprar no Sacolão. Ela elogia a qualidade dos produtos.

Já a consumidora Fabiana de Oliveira, que mora no Boqueirão e também adquire frutas e hortaliças no Sacolão do Pinheirinho, diz que existe diferença significativa entre os estabelecimentos. Segundo ela, alguns sacolões têm mais variedade e qualidade que outros, e é por esse motivo que ela se desloca de seu bairro até o Pinheirinho.

A SMAB afirma que o Sacolão da Família atua como uma ferramenta importante no incentivo ao maior consumo de frutas e hortaliças e declara que busca oferecer produtos de qualidade ao consumidor.

 

Programas são modelo para projeto nacional

Tanto o Armazém quanto o Sacolão da Família estão sendo utilizados como modelo para a elaboração de um pacto federativo em prol da segurança alimentar. Proposto pelo governo federal, o projeto que visa nacionalizar programas curitibanos como esses – o Nossa Feira também faz parte do grupo – deve tomar forma até novembro deste ano.

Segundo o governo federal, a proposta é construir uma política para que o avanço na segurança alimentar aconteça em todo país – o número de cidades que vão aderir aos programas, porém, ainda não está definido. A discussão é feita pela Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan), entidade que deve concluir todos os projetos na 5ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar  e Nutricional, que acontecerá no início de novembro.

Fechado para comentários.