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Crise desvia foco de Dilma e afeta agenda oficial

Articulação do Executivo contra a crise atrapalha compromissos de gestão

Por Luiz Renato Mourão

Um comparativo entre as agendas diárias da presidente Dilma Rousseff contendo os compromissos oficiais em épocas de maior e menor tensão política, demonstram o elevado tempo despendido para tratar assuntos pertinentes à crise e por consequência, um menor foco nas questões do estado. Esta situação se deve à necessidade de articulação que busca evitar a queda do governo e conflita com outros afazeres de interesse público.

Algumas diferenças ficam evidentes quando se coloca lado a lado as agendas da mesma época de 2014, antes do pedido de impeachment e de 2015, após a acolhida do pedido

Agendas Dilma INFO

A falha do governo em salvar sua gestão fica cada vez mais evidente com a debandada de partidos e apoiadores da base aliada. Em constantes tentativas de evitar um abandono cada vez maior, a presidenta se coloca em meio a movimentos de articulação, que preenchem a agenda oficial com encontros com governadores e prefeitos e reuniões periódicas com seus principais representantes, fazendo com que as funções presidenciais regulares fiquem em segundo plano

O professor de ciências políticas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Ricardo Costa de Oliveira afirma que essa situação empobrece o cenário e causa um efeito cascata, em que quanto mais se articula para encontrar estratégias para fugir da crise, mais ela se aprofunda.

Desde o dia dois de dezembro, data de aceitação da abertura do processo de impeachment que foi à votação no domingo (17), as especulações exigem ainda mais diálogo, já que partidos que antes haviam se posicionado contra o impedimento, como o Partido Progressista (PP) e o Partido Social Democrata (PSD) votaram a favor da destituição. Segundo Oliveira, o dinamismo do cenário pede uma mudança de postura. “A base aliada encolhe e as opções se reduzem, isso pode ter seu aspecto positivo. Caso o impedimento não ocorra, a presidenta terá mais autonomia para governar, mas terá que agir de forma bem diferente do que sempre agiu”.

A socióloga Márcia Regina Oliveira, analisou o comparativo e afirmou que a presidenta pouco governa devido à dificuldade de cumprir agenda, mas não deixa de atribuir esse fato a algumas escolhas do próprio Partido dos Trabalhadores (PT), “a insatisfação da direita com o governo petista, e as péssimas alianças por ele realizadas, já tem, desde a posse deste mandato, dificultado a presidente de cumprir a agenda executiva”.

A agenda presidencial está disponível no site do palácio do planalto e disponibiliza todo o histórico de compromissos oficiais.

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