Estação-Tubo durante chuva | Foto: Kevin Cruz
Melhorias nas estações-tubo não são consenso

População questiona eficiência e prioridade das novas medidas

Por Fabiola Junghans, Gabriel Vitti e Yasmin Soares

As novas medidas anunciadas pela Urbs (Urbanização de Curitiba) para amenizar o desconforto térmico das estações-tubo da capital ainda dividem a opinião dos usuários do transporte coletivo. Com previsão de implantação em todas os tubos no próximo ano, as melhorias anunciadas incluem o uso interno de um forro de fibra de vidro, juntamente com uma manta térmica, produzida com garrafas pet. Implantado entre o forro e o teto da estação, o material impedirá a entrada de calor por meio da placa de aço.

Além disso, o projeto prevê o uso de vidros especiais com KNT, material que reduz a incidência de raios solares, e pintura pontilhada próximo aos cobradores para evitar a exposição prolongada ao sol sem retirar a transparência do vidro. Ventiladores elétricos também serão instalados em todas as estações para a circulação de ar.

Opinião dos usuários diverge

Em uma enquete realizada pelo Portal Comunicare com 10 pessoas que utilizam as estações que já apresentam as mudanças, metade dos entrevistados acredita que as medidas realmente diminuíram o calor dentro das paradas. É o caso do cobrador da estação-tubo PUC Leonardo de Lima, que percebeu uma melhora na sensação térmica do interior do tubo. Segundo ele, que passa cerca de seis horas por dia no local, em comparação com outras estações onde já trabalhou, o clima ficou mais ameno, principalmente nos dias quentes dos últimos meses.

Apesar disso, o cobrador enfatiza que outros problemas continuam sem solução. “Tem muitos tubos que não possuem banheiro perto. Aqui eu consigo usar a da universidade, porém tem outros que não tem nada próximo. É difícil”.

Outros três usuários questionados pela reportagem, porém, não perceberam diferenças significativas no clima das estações, e duas pessoas acreditam que o projeto só auxilia nos dias quentes, ignorando o problema do frio.

A estudante Caroline Santos, 19 anos, utiliza a estação da PUC diariamente e afirma não conseguir perceber muita diferença entre a temperatura do local e a de outros tubos da cidade. Segundo ela, mesmo que o calor seja um grande incômodo para os passageiros, há outros fatores que deveriam ser melhorados primeiramente, como o alto tempo de espera dos ônibus, a falta de bancos e a lotação das estações que são, na maior parte das vezes, pequenas.

Infográfico tubos

Testes já foram realizados

Inicialmente, o projeto foi testado na estação-tubo Araucária, situada ao lado de outra estação. Dessa forma, como as condições térmicas de luz solar, ventilação e, até mesmo, o tráfego de pessoas é o mesmo, foi possível acompanhar as mudanças na temperatura no interior de cada tubo por meio de sensores térmicos. Na estação equipada com as novas medidas, verificou-se, de acordo com os dados da Urbs, uma redução de 99% na incidência de raios UV, 40% de raios infravermelhos e uma melhora de 32% na sensação térmica.

Com a inauguração da nova estação-tubo PUC, em maio deste ano, a Urbs também implantou no local os novos recursos de controle térmico, além do uso de aberturas no teto para renovação do ar e breezes, estruturas semelhantes a persianas, colocados nas laterais e em parte das aberturas.

A partir dos testes, foi realizado um convênio com a ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos) que abriu licitação para escolha da melhor proposta. Após o projeto executivo ficar pronto, deverá ocorrer a licitação da implantação do sistema, o que ainda não tem prazo para ocorrer. Apesar disso, a Urbs afirmou que, até o ano que vem, todas as estações-tubo da capital já estarão equipadas com os novos recursos.

Demais problemas serão resolvidos, promete Urbs 

Por meio da assessoria de imprensa, a Urbs informou que as altas temperaturas das estações-tubo ocorrem devido ao projeto ter sido implantado na cidade em 1992, época em que o clima de Curitiba era mais frio. Além disso, o órgão declarou que as melhorias previstas para 2016 são baseadas em testes realizados pela Urbs com diversos materiais ao longo dos anos, juntamente com a opinião de usuários e cobradores que utilizam o sistema.

A empresa também ressalta que o preço da passagem do transporte coletivo de Curitiba não deve ser alterado com o projeto, uma vez que as medidas não fazem parte dos itens que compõem o valor da tarifa. Em relação ao clima frio nos tubos durante o inverno, a assessoria informou que já possui um projeto em estudo para a instalação de anteparos de vidro nas entradas para controlar a entrada de vento.

Já para os banheiros dos cobradores, a previsão é de que até o ano que vem, cerca de 80 unidades de uso exclusivo dos trabalhadores sejam colocadas nas estações de toda a cidade.

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