Jovens apostam em ilustração para se inserir em mercado artístico

Adolescentes usam a ilustração como hobby e até como trabalho

Por Isabela Vera Mendes

Você é daqueles que adora ilustração e sente interesse em conhecer novos trabalhos e  artistas? Que tal fazer isso e, além de tudo, conhecer o trabalho de algumas ilustradoras de Curitiba? Com desenhos inspiradores, conheça mais sobre o hobby que se consolidou na Capital e que a cada dia conquista mais jovens, inclusive do sexo feminino

Seja na internet, nos muros da cidade ou em peças de roupa, é fácil observar  a presença de diversas ilustrações. A consolidação dessa área é fruto da criatividade e interatividade de uma nova geração de adolescentes que investem neste tipo de arte, que deixou de ser uma diversão e acabou se tornando uma nova forma de se conseguir um lucro extra no final do mês. Por meio das redes sociais e páginas específicas, muitas pessoas acabam conhecendo as ilustrações alternativas, assim, popularizando o trabalho de diversos deles.

Por meio de uma paixão antiga, ou da descoberta do dom de desenhar, várias meninas passaram a tratar disso como um trabalho, deixando em suas ilustrações uma identidade pessoal. As ilustradoras que se destacam possuem geralmente diversos estudos sobre as demais técnicas de pintura, como  aquarela, histórias em quadrinhos e inovações do grafite, que são reconhecidos pelo  estilo único e em ilustrações digitais.

Conheça três artistas de Curitiba que  são reconhecidas por seus traços e já possuem uma identidade única em suas obras

1. Julia Padula

Presente no nicho artístico desde pequena, acredita de nada valer talento sem insistência e estudo constante

 

Com influências geométricas e interesse por retratos, a estudante de publicidade e propaganda Julia Padula conta que sempre teve contato com diversas ilustrações, visto que seus pais são donos de uma escola de artes há 23 anos.

A estudante passou três anos entregando retratos para todo o Brasil, se especializando num conceito artístico de retratar fotografias através da ilustração com fundos gráficos e cores contrastantes. A ilustradora conta que não se interessa somente por materiais caros. Segundo ela, qualquer material vale se o artista possuir uma técnica. ”Não é o material que faz o aluno, é a insistência e dedicação para aprender’’.

Julia acredita na valorização do artista e de sua identidade pessoal, ‘’Eu nao busco o hiperrealismo e nem o realismo. Acredito que o artista tem que ter a liberdade pra fazer a ilustração do jeito que ele quer; as pessoas nao reconhecem isso, existe uma personalidade e uma identidade no traço de cada artista, isso precisa ser valorizado’’.

Os materiais  que a ilustradora utiliza em seus desenhos são encontrados facilmente para vender, entre os instrumentos estão quase todos os tipos de aquerela, (lápis aquarelavel, aquerela líquida, em pastilha) e o seu diferencial é a aplicação de pedrarias em suas obras, fazendo assim, com que o trabalho fique ainda mais delicado.

Julia recomenda que, para quem está começando, é importante sempre correr atrás e reconhecer o talento de outros artistas também, além de ter muita referência e repertório, assim, o ilustrador criará a sua identidade em seus trabalhos, ‘’nunca fale que você é autoditada, ninguém aprende nada sozinho. Lembre-se de quem te ajudou a chegar aonde você chegou, muita gente está por traz auxiliando’’.

 

2. Ana Laura Torquato

Ana Laura

Inspirada por temas femininos, Ana Laura traz este universo para seus quadrinhos

 

Com quadrinhos e um estilo contemporâneo, a estudante na Faculdade de Artes do Paraná Ana Laura Torquato criou em 2009 sua página no Facebook e assim, se tornou conhecida por diversas pessoas e outros artistas.

Ana relata que, desde a infância, já se via entre ilustrações e aquarelas. Entre seus amigos, era solicitada para desenhar sobre qualquer tema e exalta a importância que isso teve em sua vida.‘’Ver que gostavam dos meus desenhos foi me levando para um rumo mais sério, este incentivo externo foi muito importante para mim’’.

Ana utiliza ”Nanquin”,que se trata de um corante preto originário da China, além de lápis aquarela. A ilustradora desenvolve seus trabalhos através de desenhos digitais e através de detalhes feitos com lápis grafite.

A estudante então se especializou em figuras femininas e questões sobre a sua realidade e traduz diariamente este universo através de desenhos digitais, grafite, entre outros. Por fim, a ilustradora revela um conselho que escutou de um amigo antigo, e que a ajudou a seguir em frente sempre e acreditar em seu trabalho, ‘’ a pessoa deve se esforçar em seu trabalho e em suas ilustrações, pois o não você já tem, então com paciência e dedicação, vá em busca do sim, da aprovação em  seus trabalhos”

 

 

3. Paula Ariana Calory

Paula Ariana

Desdobramentos dos trabalhos diversos de Paula a fizeram seguir no universo do grafitti

 

Desde adolescente, Paula Calory  já mostrava gosto pelos desenhos e ilustrações com referências diversas. Porém tudo mudou quando a partir de 2010, Paula começou a trabalhar no MON (Museu Oscas Niemeyer), onde conheceu de perto a arte do grafitti e através de amigos e conhecidos, optou  por esta vertente desde então em seus trabalhos.

‘’A ilustração se tornou um desdobramento desse meu trabalho que eu desenvolvi com o grafitti, um trabalho autoral’’ , diz Paula. Em 2015, começou a estudar poéticas visuais na EMPAB- Escola de Música e Belas artes do Paraná e está ativa  em diversos projetos que contam com o sua participação artística.

Com uma interferência do design gráfico, das formas chapadas, impressões e efeitos, Paula traz um universo diferenciado em casa obra, puxando muitas vezes o lado figurativo abstrato, possuindo também uma relação com o design.

Os materiais que Paula utiliza são instrumentos para a sua arte urbana, como sprays e látex, apesar de não usar tanto a tinta na hora de grafitar. Quando a obra é em tela, Paula utiliza tinta acrílica, tinta látex e giz pastel. Além de se atentar e inovar suas criações através das ilustrações digitais.

A estudante se considera uma ilustradora digital, pois não se atenta a produzir desenhos finalizados no caderno,e sim o que dá vontade de fazer na hora em que está pintando.

 

Fechado para comentários.