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Os obstáculos da cena musical em Curitiba

Quando se fala de música alternativa curitibana, existe um leque significativo de bandas que se encaixam nesse cenário e que, de alguma forma, acrescentam timidamente à cidade produções culturais

Mariana Benevides

Há uma grande discussão sobre uma suposta aura na cena musical local, onde somente por a música ser aqui enraizada já seria um agrado para ouvintes de outros lugares. “Uma cena musical não é feita somente por bandas”, esclarece o paulista Nik Silva, redator do Monkeybuzz, site especializado em notícias e resenhas musicais. O crítico cita o vital para a existência desse cenário: a garra das bandas em si, o apoio essencial de veículos de divulgação e, por final, as oportunidades dadas por casas de shows. “A projeção que Curitiba tem ganhado é realmente interessante, a cidade tem se revelado bastante boa”, comenta. Mas também explica: apesar de bem-vista, o que chega da nossa capital até São Paulo, vitrine musical do país, “é um punhado de bandas soltas”.

Adri Neves, locutora da rádio FM Mundo Livre, relembra como a união foi essencial na cena brasiliense dos tempos do Legião Urbana. É unânime que a individualidade das bandas é um problema enfrentado por Curitiba. “É preciso mobilização, uma unidade entre as rádios locais e as bandas também. Programação cultural musical acontece o tempo todo em Curitiba, mas os jovens não correm atrás”, conta.

Morar na capital paranaense remete à sensação de não haver incentivo mercadológico em música de qualidade. A falta de oportunidades é consequência do comodismo do público geral, que ganha ainda mais força com o advento da internet. Por que sair de casa para ouvir se eu posso ter no meu computador? O curitibano normalmente não se sente tocado o suficiente para se locomover em direção ao desconhecido.

A influência da internet

Mesmo diante de desvantagens, com a nova era tecnológica também entra o fenômeno: um enorme surto de bandas com iniciativas propriamente independentes

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Banda Dunas
Foto: Rodrigo Fragata

“As bandas independentes têm aumentado de forma relevante justamente por a internet criar espaços efetivos para a conexão artista-público”, comenta Francisco Bley, vocalista da banda curitibana Dunas. Antes de se pensar em ganhar dinheiro com o hobby, é preciso divulgação no espaço virtual. Bley conta que todo seu conteúdo musical é disponibilizado para download gratuito, tendo nas redes sociais a maior porta para disseminação do nome e do material da banda.

Já André França, guitarrista da também curitibana Copacabana Club, nomeia como “hype” o fenômeno ocorrido com sua banda. Ainda no início, descobertos por formadores de opinião na internet, foram elevados a um estado de “novidade do momento”. França destaca como em tempos difíceis para a música é importante se aproveitar dessa definição e tudo o que ela implica para se estabelecer no cenário nacional. “É um fenômeno sazonal onde bandas surgem e acabam rápido demais, dificultando que essa cena cresça e se solidifique”.

A falta de projeção da cidade, onde ela própria se sabota em suas faltas de oportunidade, corta de fato as bandas pela raiz. A cena existe escondida e tímida, ao ponto de duvidarmos que seja real. Bastam união e reação do público-alvo para emergir.

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